O que é a síndrome femoropatelar e como tratar

Novo guia lançado por publicação cientifica americana de fisioterapia analisa ainda utilidade de palmilhas e bandagens.

Dor na frente do joelho é algo bastante comum. Conhecida como dor patelofemoral, ela incomoda para subir e descer escadas, permanecer por muito tempo sentado, pular e correr.

A síndrome femoropatelar se manifesta pela dor no joelho e trata-se de uma inflamação da cartilagem da patela (rótula) causada por seu funcionamento anormal durante a passagem sobre o fêmur.

 A síndrome femoropatelar é um conjunto de sintomas relacionados ao comprometimento da cartilagem da patela. A patela (ou rótula) é um pequeno osso móvel localizado na parte da frente do joelho no tendão do quadríceps femoral. A síndrome femoropatelar é a principal causa de consultas por dores no joelho.

A síndrome femoropatelar é causada por um funcionamento anormal da patela. Durante movimentos de flexão de extensão do joelho, a patela não desliza corretamente, causando uma fricção. A cartilagem da patela, que é uma substância lisa e que permite o deslizamento da patela sobre o fêmur, se irrita e provoca dores.

Sintomas da síndrome femoropatelar

A síndrome femoropatelar está sempre relacionada a uma dor no joelho:

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– Dor durante o esporte (corrida, tênis, ciclismo, futebol, etc.);

– Dor ao descer as escadas;

– Dores ao permanecer sentado por muito tempo;

– Dores na frente do joelho ou na cavidade do joelho;

– Sensação de bloqueio ou instabilidade do joelho;

– Estalos e sensação ruído no interior do joelho.

Causas da síndrome femoropatelar

Embora as pessoas sedentárias também possam ser afetadas pela síndrome femoropatelar, os atletas são as principais vítimas, especialmente os corredores. A síndrome femoropatelar é, de fato, o diagnóstico mais comum em corredores.

Existem também vários fatores de risco intrínsecos a esta síndrome como anomalias anatômicas ou morfológicas, disfunção muscular ou um antecedente de trauma ou cirurgia no joelho.

Os fatores de risco extrínsecos, como o tipo de esporte praticado, a superfície ou calçados usados, também influenciam no aparecimento e na intensidade da síndrome femoropatelar. É importante destacar que essa síndrome é mais comum nas mulheres do que nos homens.

A boa notícia é que a maioria das pessoas com essa dor consegue melhorar. Um guia recém-publicado em uma das principais revistas científicas de fisioterapia, a JOSPT (Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy), faz recomendações sobre diagnóstico, avaliação e tratamento da dor femoropatelar. A melhor forma de cuidar desse problema vem de uma combinação de boa ciência com a experiência do profissional da saúde que faz o tratamento, bem como as preferências e valores do paciente.

Para desenvolver esse guia, clínicos e pesquisadores experientes revisaram cerca de 4.500 artigos científicos sobre dor no joelho publicados entre 1960 e maio de 2018. Eles escolheram as melhores pesquisas para o guia (271 artigos) sobre fatores de risco, diagnóstico, exame e tratamento não cirúrgico.

Recomendações práticas

Para os atletas, é aconselhável interromper o esporte, pelo menos até que não haja mais dor durante o esforço. O ciclismo pode ser praticado, assim como a natação, mas evitando a modalidade do nado peito e optando pelo nado crawl. O uso de compressas frias no joelho também pode ajudar a aliviar a dor.

Exercícios de fortalecimento

 O melhor tratamento é uma combinação de exercícios de fortalecimento para o quadril e joelho. Essa combinação foi a mais eficaz para reduzir a dor e ajudar no retorno às atividades normais do que fortalecer apenas os músculos do joelho.

Palmilhas

 Palmilhas também foram úteis nas primeiras seis semanas de tratamento, quando combinadas com exercícios como agachamento.

Bandagens

Bandagem na frente do joelho, combinada com exercício, pode ajudar em alguns casos, nas primeiras quatro semanas de tratamento.

Baseados nessas informações, os fisioterapeutas têm maior embasamento para cuidar das dores nos joelhos. A maioria das pessoas melhora com tratamento, o que é sempre uma boa notícia.

 

 

By Heroi Fung e,

 Raquel Castanharo

Fisioterapeuta, mestra em biomecânica da corrida na USP, com pesquisa em biomecânica da coluna na Universidade de Waterloo, Canadá. www.raquelcastanharo.com.br