Atividade física altera tamanho e batimento do coração

Exercícios aeróbicos como correr, nadar e pedalar, facilitam no controle da hipertensão arterial, diminuem a obesidade, ajudam a abandonar o tabagismo e reduzem o estresse

Nas medidas do ecocardiograma (espécie de ultrassom do coração) nas avaliações anuais que fazemos dos atletas e que coincidem com os resultados de outros pesquisadores em todo o mundo, o coração de um atleta corredor de maratona ou de natação de mar aberto (predomínio dos exercícios isotônicos ou aeróbios) tem tamanho diferente do que de um atleta de predomínio de exercícios anaeróbios ou isométricos, como o do halterofilista ou atleta de luta.

Todo esporte é uma mistura dos dois tipos de exercício com predomínio de um sobre o outro. O biotipo do atleta favorece os esportes escolhidos por ele? Sem dúvida, e isto é genético. Lembram do Michel Phelps e das ginastas do mundo todo? O biotipo ajudou na escolha do esporte por parte deles. O coração, que é normalmente bem semelhante a todos os seres humanos, se adapta ao esporte do seu dono, tendo mais dilatação das suas cavidades ou mais hipertrofia das suas paredes, mais bradicardia (menos batimentos por minuto) dependendo do tempo e intensidade do treinamento, mas principalmente da modalidade esportiva.

Prática regular de atividade física, como a corrida, muda a estrutura do coração.

Após mais ou menos 14 semanas surgem as primeiras modificações nos batimentos cardíacos, enquanto a modificação no tamanho do coração leva mais tempo para ocorrer, calculamos ser ao redor de seis meses. Isso é considerada uma adaptação fisiológica benigna e que depois de abandonada a atividade física intensa é reversível.
O tipo de modalidade traz diferentes vantagens para a saúde? Saindo dos atletas de alto nível e respondendo a essa pergunta, usamos as grandes pesquisas com cinco mil a 20 mil pessoas, clinicamente acompanhadas por anos, e tendo registradas as doenças que surgirem nelas e nas mortes que acontecerem.

Para prevenção das doenças cardiovasculares, sem dúvida o exercício aeróbio de correr, nadar e pedalar supera o anaeróbio, produzindo elevação do colesterol bom (o HDL colesterol), melhorando os níveis de glicose em pessoas normais e principalmente nos diabéticos. Dessa forma, facilitam o controle da hipertensão arterial, diminuem a obesidade, ajudam a abandonar o tabagismo e claramente melhoram o aspecto psicológico com redução do estresse.

Lembramos, porém, que sempre se deve associar ao fortalecimento muscular, numa combinação dos dois tipos de exercícios que vai preparar seu corpo a ter uma melhor performance, postura firme com menor risco de quedas e melhor aproveitamento geral do oxigênio respirado.

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By Dr Nabil Ghorayeb – Formado em medicina pela FM de Sorocaba PUC-SP, Doutor em Cardiologia pela FMUSP, chefe da seção CardioEsporte do Instituto Dante Pazzanese Cardiologia, especialista por concurso em Cardiologia e Medicina do Esporte, coordenador da Clínica CardioEsporte do HCor, CRM SP 15715, Prêmio Jabuti de Literatura Ciência e Saúde