Arritmia cardíaca: como identificar e tratar

Nabil Ghorayeb explica situações e tipos de irregularidades na pulsação e ressalta a importância de acompanhamento médico para evitá-las em atletas e pessoas comuns.

arritmia é um termo da cardiologia para qualquer irregularidade na pulsação (batimentos cardíacos), que é diferente do termo disritmia usado na neurologia. Podemos afirmar que as falhas percebidas na pulsação, na maioria das vezes, são as chamadas extrassístoles (falhas nos batimentos), sentidas como um nó na garganta ou um vazio na boca do estômago e que são estímulos elétricos do coração para sua contração. Porém, sem nenhuma eficiência para impulsionar o sangue.

Outra situação é a diminuição da pulsação abaixo de 60 por minuto, conhecida como bradicardia fisiológica, que é uma marca dos atletas bem treinados de alto desempenho, mas que também pode vir a ser uma doença, como talvez um desgaste patológico da “fonte elétrica” do coração, o chamado nó sinusal (nosso marca passo natural). Por isso é importante a consulta cardiológica, que usa o eletrocardiograma e o Holter (gravação do eletrocardiograma por 24 horas) para decifrar os sintomas cardiológicos, sendo essa consulta com um atleta bem treinado ou uma cardiopatia.

A arritmia cardíaca pode ser provocada por desidratação aguda durante uma corrida, seja por hipertermia (elevação extrema da temperatura corporal) ou mesmo pela perda de sódio e potássio do corpo

 A aceleração dos batimentos acima de 100 por minuto, que chamamos de taquicardia, pode ser normal durante um exercício físico ou uma reação aguda de um susto ou uma febre ou então uma descompensação cardíaca. Vários estudos nossos e de outros pesquisadores no exterior têm diferentes valores das estatísticas, porque depende de quem estamos examinando. Entre atletas, 75% dos ativos em plena forma tem a bradicardia fisiológica. Além disso, 15% deles apresentam as extrassístoles, e consideramos todos sadios sem cardiopatias.

O frequencímetro pode ser um aliado

Hoje com o enorme avanço da cardiologia clínica e de intervenção são poucos os casos que necessitam de tratamentos dispendiosos e difíceis. Tanto no SUS (Sistema Único de Saúde) como nos atendimentos por convênios e particulares há bons profissionais por todo o Brasil.

Quanto às causas das arritmias, temos as cardiopatias, sem dúvida, a desidratação aguda, a hipertermia, efeitos colaterais de alguns medicamentos prescritos, a ingestão de substâncias estimulantes, energéticas e os esteroides anabolizantes, assim provocando as taquicardias que podem ser letais.

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A arritmia cardíaca pode ser provocada por desidratação aguda durante uma corrida, seja por hipertermia (elevação extrema da temperatura corporal) ou mesmo pela perda de sódio e potássio do corpo, pelo erro de beber apenas água ao invés da reposição através do isotônico nos dias muito quentes e com grande perda de peso (acima de 1,5kg), ou então uma longa duração de um exercício físico.

Cuidar do coração

Uma arritmia pode chegar a ser fatal quando ela vira fibrilação ventricular súbita, sinônimo de parada cardíaca. Ela é uma total desregulação dos batimentos cardíacos por várias causas (coração, pulmão, câncer, diabete etc.), fazendo com que suas contrações sejam totalmente ineficientes para bombear o sangue do coração.

Os tratamentos atuais são muito eficientes para as mais diversas arritmias. Vale dizer que o melhor medicamento para um atleta é: algo que corrija a arritmia, que não lhe tira o poder de explosão física, não causa doping e anula o risco de uma parada cardíaca. Hoje existe os dispositivos implantáveis debaixo da pele e dos músculos do tórax, em cima das costelas, que são usados com segurança e eficácia, como os marca-passos e os desfibriladores automáticos internos (CDI), que salvam vidas e podem permitir, geralmente, uma vida ativa e em alguns casos, esportiva.

 

By Dr Nabil Ghorayeb – Formado em medicina pela FM de Sorocaba PUC-SP, Doutor em Cardiologia pela FMUSP, chefe da seção CardioEsporte do Instituto Dante Pazzanese Cardiologia, especialista por concurso em Cardiologia e Medicina do Esporte, coordenador da Clínica CardioEsporte do HCor, CRM SP 15715, Prêmio Jabuti de Literatura Ciência e Saúde