O que é uma ultramaratona

Uma ultramaratona é qualquer corrida a pé com distância superior à da maratona, ou seja, qualquer corrida superior a 42,195 Km.

A caminho do paraíso

Distâncias que parecem difíceis de acreditar que alguém conseguirá percorrer correndo, logística às vezes complicada e terrenos inóspitos que acrescentam ainda mais desafios à prova. Isso é uma ultramaratona, algo que parece impossível de se realizar para a grande maioria, e até mesmo para esportistas mais preparados. Com tantas dificuldades, não à toa seus atletas ganham reconhecimento de verdadeiros heróis e as competições tornam-se míticas.

Objetivamente, no Brasil, uma ultramaratona é qualquer corrida com distância superior a 42 km, sendo as mais comuns as provas de 50 km, 10 km e 24h. Se correr 42,196 Km já é um tremendo desafio, imagine voce correr distancia maior que essa e ainda enfrentar desafios de terreno, montanhas, gelo, deserto e muito mais.

Na verdade, ser ultramaratonista, não é para qualquer um.

Diante desses cenários, surge a pergunta: é preciso ser super-homem para fazer uma ultramaratona? Não é necessário ser um “Super-Homem”, mas sim um “superatleta”. Um ultramaratonista precisa saber respeitar seus limites e ter uma disciplina excelente na alimentação, sono e espaços para descanso. Saber parar quando não se tem mais condições perfeitas para a conclusão da prova também é outra característica muito importante, para que a saúde não seja colocada em risco e se coloque organizadores e outros atletas também em risco.

Cazrlos DiasUltra no Deserto do Saara

Além dos desafios impostos pela competição, o que costuma exigir mais atenção de um ultramaratonista é saber controlar o ritmo durante a competição para conseguir conclui-la. A vontade de desistir é muito grande, se não houver um controle, uma sintonia física e mental perfeita, as chances diminuem muito.

Apesar de praticada em muitos países e contar com uma associação internacional, a modalidade não tem regras específicas. Cada ultra, como é chamada, determina sua própria distância – as mais comuns são de 50 km e 100 km. Os pisos percorridos também variam bastante. Pode ser asfalto, terra, trilha ou tudo isso e mais um pouco. Na maioria das provas, o cronômetro é contínuo da largada à chegada, ou seja, a corrida não para. Em outras, o atleta cobre um trecho por dia. Há também competições contra o relógio: o vencedor é quem chega primeiro.

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Atletas itinerantes

As provas podem superar com folga 30 horas de duração, então cada atleta leva uma minicasa consigo: comida, água e medicamentos são fundamentais. Em algumas competições, tudo isso deve caber em uma mochila nas costas. Em outras, uma equipe de apoio o acompanha em um carro. É normal ver os assistentes correrem ao lado do corredor, cuidando da sua condição física

Não é prá qualquer um

Há uma série de restrições para participar de uma ultramaratona. Primeiro, é preciso estar em dia com o corpo e apresentar uma série de exames médicos. Segundo, é necessário ser convidado pela direção da prova ou, para os menos experientes, entregar um currículo esportivo que prove a capacidade de concluir o percurso

E dá-lhe Endorfina!

O desgaste é extremo, mas nem sempre é preciso ser um superatleta para completar uma ultra. A maioria dos competidores está na faixa dos 40 anos. Muitos dos atletas participavam, anteriormente, de grandes peregrinações. Tem também o fator felicidade, comum entre corredores em geral. A liberação do hormônio endorfina durante a corrida dá a sensação de euforia, levando a pessoa a seguir em frente

Não é pra qualquer um mesmo!

Sem grana não se vai a lugar algum. Os gastos já começam com a preparação física meses antes da corrida. Coloque na conta os custos com passagens aéreas e hospedagem no local da prova para o atleta e toda a equipe, além da taxa de inscrição, que não costuma ser barata. Para complicar, a maioria das provas não oferece prêmios em dinheiro

Pedras no caminho

No calor intenso, os atletas sofrem com tonturas, desidratação e alucinações. A fadiga pode provocar náuseas e vômitos, além de câimbras e lesões musculares. Sem falar nas bolhas de sangue nos pés, que em algum momento infernizarão a vida dos corredores. E ainda há a variação de temperatura, pois há períodos de corrida intensa no calor e de descanso no frio da noite. Ou seja, os competidores podem sofrer hipotermia

Corridas malucas

A principal ultramaratona internacional do Brasil é a BR 135, que faz parte da Copa do Mundo de Corridas de 135 Milhas -“BAD135 World Cup”. Esta Copa do Mundo de corridas em ambientes de máxima dificuldade é formada pelas provas: Badwater Ultramarathon – Corrida no Deserto, Arrowhead Ultramarathon – Corrida no Gelo e a BR 135 Ultramarathon – Corrida nas Montanhas.

 

Algumas das ultras mais puxadas do mundo

Desafio de arrepiar

Badwater135
ONDE – Parque Vale da Morte, EUA
TIPO – 217 km contínuos, com equipe.Considerada a mais difícil do mundo, ela liga o ponto mais baixo da América do Norte (86 m abaixo do nível do mar) até a base de uma montanha, a 2.530 m. Isso em uma região desértica, a até 50 ºC. É tanto calor que às vezes é preciso correr sobre a faixa branca do asfalto para que a sola do tênis não derreta!

BR135+ Ultra

 BR135+
ONDE – Caminho da Fé, divisa SP-MG
TIPO – 217 ou 257 km contínuos, com equipe.O famoso percurso dos romeiros recebe a principal ultramaratona brasileira, que classifica para a Badwater. No calor de janeiro, o atleta corre em estrada de chão, num sobe e desce contínuo. Para piorar, o sol de rachar pode dar lugar a temporais e granizo. Em média, 60% conseguem completar a prova.Apesar de grandes ultramaratonistas no Brasil, como Valmir Nunes, Carlos Dias, Luciano Prado e Herói Fung, a modalidade não é popular no país e nem existem muitas provas. O grande vilão, como em outras modalidades, pode ser identificado como a falta de patrocínio para a realização das competições. Os atletas brasileiros hoje estão entre os melhores do mundo na modalidade. Se o pais tivesse uma tradição em apoio ao atletismo, se tivéssemos mais apoio econômico surgiriam mais atletas e conseguiríamos realizar mais competições dentro e fora do país, vaticina Luciano Prado.A “BR 135Ultra” atrai competidores do mundo inteiro para enfrentar as montanhas da Serra da Mantiqueira. Para se ter uma ideia, subimos o equivalente a um Monte Everest, são muitas subidas e descidas íngremes, o que torna a prova muito temida”, relata sorrindo Alberto Cross, que já participou três vezes deste desafio.As peculiaridades que fazem da BR 135 tão difícil é que ela não tem trechos planos, além de que não encontramos asfalto durante a corrida, sempre estamos em trilhas com muitas pedras e buracos, o que torna mais perigosa.

6633 Artic Ultra

 6633 Arctic Ultra
ONDE – Círculo Polar Ártico, Canadá
TIPO – 193 ou 563 km contínuos.A temperatura chega a -30 ºC, não há equipe de apoio e os atletas carregam comida, água e saco de dormir em um trenó, por oito dias. Há quem a considere mais radical que a Badwater. Só 11 pessoas terminaram o maior percurso da prova, cuja inscrição custa R$ 15.500

Maratona da areias

 Maratona das Areias
ONDE – Deserto do Saara, Marrocos
TIPO – 250 km em 6 estágios.Mesmo com três mortes já registradas, todo ano mais de mil atletas pagam R$ 19.400 para correr pelas trilhas do Saara. Dividida em estágios cronometrados, os participantes carregam a própria comida e um kit de sobrevivência. A água é fracionada e só pode ser obtida nos postos de controle
Spartathlon Spartathlon
ONDE – De Atenas a Esparta, Grécia
TIPO – 246 km contínuos.Prova que mistura asfalto, trilhas e montanhas. Ela se destaca por ter 75 postos de controle. Além de disponibilizar água e comida, eles estabelecem um tempo de corte. Os participantes precisam vencer cada trecho dentro do limite. Senão, são desclassificados

 

Fontes Sites Darbaroud, Spartathlon, 6633Ultra, Badwater, Brazil135, Outside Online, Runner¿s World, Running Competitor e Ultramarathon Running; documentário Running for Life: Badwater Ultra Marathon Race 2014, CRcontrarelogio Carlos DiasUltra Alberto Cross Heroi Fung

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