Josiane Nica: o que a corrida me proporcionou

O que a corrida me proporcionou? Uma nova vida, expectativas de futuro e vontade de mais muito mais avançar. Eu sempre caminhei, todo dia, mas achava muito pouco, porque eu sabia dos benefícios para a saúde, para o corpo, para a alma.

Só que duas coisas me impediam de tentar o que eu tanto almejava que era correr.

Sofri de um dos piores males de saúde que alguém pode sofrer: arritmia cárdica! Meu coração disparava acelerado do nada, saía de 70 e ia até 250 batimentos por minuto. Foram anos de muita tristeza, medo e insegurança. O coração assusta!

No primeiro diagnostico que tive o cardiologista ela falou que era problema de nervo e me entupiu de Rivotril por meses e meses, mas meu coração continuava me torturando.

Eu, como sou.

Depois de um tempo procurei outro cardiologista, que falou que se problema de nervo causasse isso num coração, muita gente já teria morrido, porque o que mais tem é gente sofrendo com problemas emocionais, aí me senti mais confiante. E ele ainda falou que na hora que acordasse ou sentisse as arritmias corresse para o hospital para o hospital mais próximo que fosse feito um eletro exatamente na hora da arritmia, só que quando eu senti e ia pro hospital, antes de chegar lá o coração se regularizava e eu voltava pra casa.

Foram anos de tortura, e eu não podia tomar nada, sem se saber o tipo da arritmia, até que enfim, consegui chegar no hospital com o coração a 250 de batimentos por minuto, e nada fazia ele regularizar. Foram momentos de muito medo! Por essas duas vezes tive que ser submetida a um procedimento de reversão cardíaca, no qual meu coração chegava a zero para poder regularizar.

Eu conheci a sensação de morte súbita! E daí tiveram que providenciar uma ablação cardíaca – procedimento em que os nervos elétricos que causam as arritmias são queimados, Ufa!!! Consegui!!!

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Como sempre, tem uma coisa boa e depois vem uma notícia ruim: o arritmologista me deixou claro que poderia voltar a ter tudo novamente, porque as vezes é necessário mais de um procedimento porque não dá para detectar tudo em uma única vez. E para minha tristeza lá estava eu tendo algumas arritmias novamente só que bem rápidas e centenas de extras sístoles por dia, tipo um batimento a mais e a sensação de morte continuava, fiquei com medo de sair de casa , de dirigir etc, na minha cabeça e de muitos que sofrem desse mal é que a gente vai morrer a qualquer momento.

Comecei a tomar remédios para isso, e sabia que tinha que me adaptar e tentar seguir… mas não aceitei essa situação de maneira passiva: toda vez que via alguém correndo eu ficava louca pra fazer aquilo também, mas o cardiologista não era favorável.

Dei um tempo e desconsiderei tudo o que ouvi e comecei alternando caminhada com corrida e foi assim que tudo começou. Apesar do medo, com medo, muito medo e as vezes que avançava mais, ficava perturbada pensando: “Meu Deus é agora que a arritmia vai desencadear”, mas foi tudo pelo contrário. Na realidade comecei a me sentir melhor das extras sístoles e por mim mesma parei de tomar todos os remédios. Sabia dos prováveis riscos, mas aquilo me fazia sentir bem e confiante.

E fui avançando mais e cada vez mais me sentindo mais feliz.

Até que, devido a muitos incômodos de dores na coluna e pelo fato de ter parado tanto tempo sem nem poder fazer caminhadas fui ao ortopedista. A ressonância me trouxe uma tristeza: duas hérnias de disco L4 L5 -s1. Pensei “mais uma!” Fiquei paralisada com a notícia e com o que o médico me falou sobre esse problema. Naquele exato momento, não titubeei e falei para o médico: “Doutor, preciso correr, necessito correr” e ele foi taxativo “nunca mais”! E o que ele me disse me fez pensar: agora acabou tudo!!!

Meu alicerce

Meses depois em uma crise voltei ao hospital e o médico quando viu minha ressonância foi ainda mais sincero do que o outro e disse que meu problema era sério, já foi falando em cirurgia e disse mais, esse problema se você não cuidar, há pessoas que até fazem coco na roupa e nem sentem de tão sério que é, eu falei : eu não posso parar doutor eu gosto de correr, ele disse: NUNCA MAIS EXERCICIOS DE GRANDE IMPACTO.

E assim resumindo foram muitas as idas a emergência para tomar um monte de soros e injeções e remédios, nunca gostei de fisioterapia eles me passavam sessões e sessões eu nunca consegui passar de 4 sessões, porque o que eu queria e sabia que ia me ajudar era correr!!!

Por fim, um certo dia, coloquei meu tênis e disse a meu marido: “ hoje recomeço minhas atividades” mas só eu sei o que sofri, eu e ele, porque muitas vezes caminhando com ele eu chorava de dores, realmente parece que quanto mais eu forçava mais pior ficava, ele já olhava para mim dizendo: “tá com muita dor, né?”

E não foi fácil, foi uma luta de quase 1 ano, e hoje eu digo a todo mundo, incentivo mesmo as pessoas a se mexerem e provo através de exames e mais exames que se eu tivesse ficado com medo de arritmias, de hérnias de disco , hoje NEM QUERO IMAGINAR COMO EU ESTARIA

Todo dia de segunda a sexta, (fora alguns domingos) ainda no escuro sim!! As vezes com sono sim!!! Achando que vai chover sim!!! Eu me levanto cedinho coloco meu batom, escutando minhas músicas e vou ser feliz!!!

Sim, correr e se exercitar é um modo de ser feliz!

São 5 ou 6 km de muito esforço sim!!! E o prazer da chegada, de ter cumprido logo cedo a maior missão, porque sei e tenho certeza que depois que faço isso, estou preparada para o que der e vier, e essa sensação não tem nada que chegue perto.

Preciso avançar muito mais, meu histórico de saúde diz que não, mas minha vontade é maior. Vou prestando atenção nos meus limites, e avançando aos poucos. A minha primeira medalha na corrida, foi até engraçado, porque nem me importei de ir atrás dela, eu estava tão feliz por ter conseguido chegar que mais nada pra mim seria mais importante que isso.

Mexam-se, a corrida me ajudou e muito!