Herói Fung, o filho do vento

Herói Fung, por ele mesmo: Nasci na divisa dos dois Vietnans, no paralelo 17, em um navio mercante; meu pai de origem chinesa e minha mãe brasileira, alagoana nata.

Minha mãe, Mathilde, não estava contente de continuar em Alagoas e queria buscar outras oportunidades, então, ela, minha avó e minha tia resolveram deixar a terrinha e vir para São Paulo. Naquele tempo era muito comum as pessoas virem de pau-de-arara, mas elas resolveram vir a pé até São Paulo, numa jornada que durou nove meses. O pai, Fung Wing Xan, também tinha aventura no sangue.

Meu pai com 12 anos deixou a casa paterna, em Ouantung, e ganhou o mundo trabalhando em um navio mercante como taifeiro. “Ele não tinha estudo, mas aprendeu 11 línguas, era um autodidata; trabalhando em navios, fez a volta ao mundo umas seis vezes, cada volta demorava 06 meses para fazê-la. Meu pai era um cara versátil, nunca estudou. Sempre que podia ele comprava uns 11 jornais e os devorava, lendo: NY Time, Le Monde, Deutsche Zeit ung, Shimbum e de outros países.

Comecei a trabalhar muito cedo, com 13 anos, minha obrigação era levar os aparelhos até a filial da relojoaria, na rua Marconi. Aos sábados, os chefes esperavam até a última hora para fechar o malote. Quando faltavam 15 minutos para uma da tarde, hora de cerrar as portas, davam o sacolão para o menino Fung, que queimava o chão equilibrando nas costas o alforje.

Eu chegava antes de fechar, fazia em 15 minutos, às vezes 111. Era bom, porque passaram a ter confiança em mim. Diziam: “Esse menino é rápido”. Daí surgiu a ideia de correr, mas eu não tinha noção.

O menino que ainda está em mim

Minha infância foi igual a qualquer criança da minha época, com algumas diferenças particulares: joguei bola na rua, joguei pião, soltei pipa, bati em moleques. Apesar disso nunca fui um cara espoleta, era curioso, me perguntava: porque um gato sobe na parede e eu não subo, ai eu fui aprender o que era gravidade; fiz muitas experiências com gato, com pombos: porque o pombo correio voava de um lugar qualquer e retornava sempre para casa; O Sr Horácio tinha um Empório e um bando de pombos correios e ele colocava no porta mala do carro e me dizia que ia solta-los de Jundiai, isso na sexta feira e que eles estariam de volta no domingo: tiro e queda! Isso me deixava mais e mais curioso. Andava a cavalo, tive uma infância boa. O trenzinho da Cantareira que atravessava o Tiete ia assistir um seriado no cine Savoy. No seriado tinha um cara que joga os dados e vinha um cavalo preto na linha do trem e a gente tentava fazer isso: um dia vínhamos na linha do trem e o trem apitando, e o trem chegando mais perto, de repente o maquinista parou quando chegou a uns 6 metros, como não tínhamos para onde correr, saltamos da ponte, no Rio Tiete.. e você acha que sabia nadar? Dei muito trabalho para meus pais… tive uma infância boa demais, a gente não tinha maldade. Quebrei vidraças, roubava goiaba. Naquele tempo criança era criança.

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Sempre morei no Brás, em São Paulo. Vi o Brás crescer.

Meu grande sonho sempre foi ver o ser humano, nesse plano sempre evoluindo. Sonhava em ser médico veterinário, por causa do conhecimento que ele tinha para entender os animais. O médico atende as pessoas e elas falam o que estão sentindo e os animais não. Achava impressionante eles entenderem os animais. É tanto que cheguei a fazer veterinária 2º ano. Aí faleceu meu pai, faleceu minha mãe e mudou tudo.

Tenho duas irmãs e um irmão, vivos. Faleceu uma irmã e um irmão que eram enteados.

O esporte entrou muito tarde, mas sempre gostei de jogar bola, artes maciais, mas nunca praticando regularmente.

Eu sempre gostei de esporte de contato e quem fazia capoeira naquele tempo era taxado de vagabundo, bandido, esse negócio. Meu irmão mais velho jogava bolo e depois passou para o boxe. Quando ele passou para o boxe, fiquei fissurado. Eu fazia a escolinha com ele. Ele fez 05 lutas e 12 lutas amador. Dali a diante e comecei a trotar e já estava com 35 anos. No boxe fiquei 10 anos. Conheci a era de ouro do boxe brasileiro, conheci o Eder Jofre. Acompanhei a evolução do Eder Jofre.

Na corrida comecei exatamente com 36 anos, com o trote que fazia para treinamento do boxe. Comecei com o Aurélio, um baianinho danado que gostava de samba e jogava uma capoeira bem apurada.

Por incrível que pareça não me lembro da primeira corrida. A evolução das corridas demorou mais de 4 anos mesmo porque eu corrida e treinava sozinho.

A primeira corrida foi no Ibirapuera, urna provinha organizada por amigos: a cada sexta-feira, o grupo se reunia e se desafiava num percurso que talvez fosse de 8 km, Herói já nem lembra direito. Depois foi ampliando os horizontes, correu a tal maratona das bolhas nos pés e da conclusão com os calçados nas mãos, e chegou às ultramaratonas sem qualquer outro planejamento que não a curiosidade pela distância, o amor pelo ritmo.

A primeira maratona a gente não esquece

A dor era corno se um prego lhe furasse a pele, como se lixa de aço lhe raspasse o couro. Mas a culpa era dele mesmo. Tinha escolhido aquelas meias confortáveis, de algodão grosso, que agora viravam armadilha. Empapadas de suor, dançavam sobre a pele, formando bolhas enormes – deveriam ser enormes, pela que1rnaçélo toda que estavam causando. Passou o km 30, veio o 35, o 36, no km 38 não aguentou mais! Arrancou os calçados dos pés, jogou fora as meias e, com os tênis nas mãos, cruzou a linha de chegada de sua primeira maratona, aqui mesmo na São Paulo.

Aprendeu com a vida, com a experiência dos outros, com os livros e com a ciência, e se tornou também orientador de outros corredores – alguns o consideram um verdadeiro guru, sábio capaz de não só passar treinos como também proficiente na orientação de exercícios para recuperação de músculos avariados.

Fiz poucas maratonas lá fora, talvez, umas 06. A mais significativa foi a que fiz na Holanda, uma maratona forte porque naquela época não sabia o que significava correr abaixo de 3 horas. Mas no Brasil fiz 112 maratonas. Naquele tempo corria 10 km a 34:14…

O pioneiro das utras no Brasil foi o Luciano Prado. Conheci 39 países correndo.

A ultramaratona entrou não como desafio porque me sentia o melhor. Fiz a primeira ultra que surgiu em São Paulo, uma prova de 100 km. Quando falei para a minha mãe, ela disse: “Não vai, moleque, você não vai aguentar”. Pois o “moleque”, que então já tinha quase 40 anos, era casado e pai de um filho, aguentou. Não só aguentou como adorou ficar horas a fio testando os limites do corpo, descobrindo novidades sobre si mesmo. A corrida me permitiu abrir um leque de conhecer muitas pessoas e o aperfeiçoamento dos meus treinos.

Naquela época quase não existia ultras no Brasil. Outra que fiz foi a Ultramaratona Uberlândia a Uberaba, 100 km. A largada foi as 9:00 horas da manhã, sol a pino, não tinha marcação, só tinha um caminhão velho que dava apoio. A instrução era: “pega a estrada e vai embora”! Teve um momento que a estrada tinha uma bifurcação e segui. Depois de 6 kms é que informaram que o caminho estava errado pois o caminhão tinha seguido pelo outro lado. Na realidade corri 106 kms no total. BR fez quatro vezes.

Quando finalizava uma prova, achava fantástico ver o desempenho da nossa máquina capaz de dar tantas passadas, um mecanismo tão complexo. Talvez por causa dessa visão, não tem prova preferi­da. De suas ultramaratonas, diz: “Foram todas perfeitas. Quando a gente vai para uma prova dessas, tem de ter noção do que vai enfrentar. É um preparo mental acima da média. Todas foram importantes para mim”.

O preparo mental, a força psicológica, eis a causa da paixão pelo esporte: colocar uma perna na frente da outra na maior velocidade possível ou no ritmo mais adequado ao corpo. Na corrida. você depende apenas de si mesmo. E tem uma coisa muito importante na corrida: você consegue não pensar em nada. Isso é fabuloso. Você está em êxtase consigo mesmo. É nesse momento que corpo e alma se transformam em um ente só e você não vê, não ouvi, não sente: você está correndo em busca dos seus objetivos!

Caminho de Santiago de Compostela

Depois fui acumulando provas longas, longuíssimas: 12 horas em pista, 24 horas, 48 horas. É uma das poucas pessoas deste mundo que já completou a temível Spartathlon, prova de 246 km realizada na Grécia. Nela, o atleta tem de enfrentar não apenas a distância, mas também os terrenos íngremes, com fortes subidas e íngremes descidas, grande variação de temperaturas e exigências restritas de tempo para passar por determinados postos de controle. Gostou tanto desta prova que participou nada mais ou nada menos do que quatro vezes. Além desta prova fiz 01 vez a Comrades. As corridas que me chamaram a atenção foi a da China e Japão, uma de 24 horas e a outra de 100 km. A BR135 fiz quatro vezes.

O bordão “como você vai esta daqui a 10 anos?” essa frase captei em um treino. De repente pensei: como vou estar daqui a 10 anos, o que preciso melhorar na alimentação, nos treinos, na saúde. Se conseguir chegar a mais 10 anos, o que é muito para mim, gostaria de estar longe dos fantasmas, tais como, melhor como ser humano, conhecer novos planos que a meditação me permite ver, melhorar a forma da minha matéria, minha energia.

Quero que as pessoas se interajam mais, que sejam mais autenticas, que curtam mais o próximo.

Na realidade o Herói em si adaptou coisas de dentro dele pra fora: amor ao próximo, vamos sempre ajudar ao próximo. E então o que eu puder transmitir. Aquele negócio que sempre falo: educar e ensinar. Eu tento educar. É um aprendizado contínuo e o que puder colaborar para melhorar o entendimento das pessoas farei sem efetivamente querer nada em troca. A melhor coisa na vida é você doar sem esperar nada em troca.

O Aluísio: quando a gente está numa prova dessa a noção que a gente tem que ter não é o atleta, mas o ser humano, então o sofrimento eu não cultuo, e se puder ajudar eu sempre vou ajudar. Eu vi que esse rapaz queria terminar de qualquer jeito uma prova de 24 horas. O que eu fiz foi ajudá-lo, fiz massagens, alongamento e trotei algumas voltas com ele e ele concluiu a prova.

Luciano Alves: na verdade ele é um atleta especial e o que faço é trocar ideia para melhor a performance. Tanto com o Luciano Prado. Esse menino quebrou o recorde de prova de 12 horas que é um recorde bem respeitado com 139 km. Ele está aqui é uma pessoa que merece respeito, ele e o Luciano Prado fizeram coisas que vai demorar para outros fazerem.

Todo ser humano tem o direito de fazer movimento.

O ser humano já sai em movimento do útero da mãe. Agora a compressão e o respeito pelos movimentos têm que ser intrínsecos a ele mesmo, tem que ter respeito. Todos nós entendemos um pouco de movimento. Se você não tiver uma boa respiração, uma boa frequência cardíaca logicamente você sempre vai ter dores, vai ter contusões. O entendimento do movimento é coisa simples. O entendimento é você sempre chegar num grupo seja de corrida, de bike, em geral no atletismo, trocar ideia, não só aceita o que o companheiro pede “vamos correr” aí você enfia um tênis e não faz um alongamento não sabe o que é uma respiração adequada não sabe o que é andar, principalmente, depois trotar para depois começar a correr.

Luis Grolla, Branca e Alberto Cross

O ser humano é assim, quando ele faz a primeira corrida de 5k, depois quer fazer 10k, depois já quer fazer 21k e depois toda semana quer estar fazendo provas. Ele esquece o principal!!! Ele automaticamente não fica conscientizado que a cada prova o corpo fica remasterizado. Por isso é importante entender um pouco da mecânica do corpo. É importante o sono, é importante a alimentação, é importante a hidratação. Isso faz parte dessa nova característica de desenvolvimento dessa nova classe social que está muito, mas muito hiper hiper ativa. Precisa tomar cuidado. O cara quer entrar em uma academia e pega a onda e ainda o cara ouvi “oh, vamos fazer Crossfit” e o outro que está fazendo o Crossfit exagera no exercício e ainda diz “tem que emagrecer” “fazer regime tal ou tal”… um monte de coisas que hoje estão atreladas ao desenvolvimento da alta tecnologia, mas não é assim não, precisa ser mais suave, mais pé no chão.

Quando chego ao meu limite, descubro que posso ir um pouco mais – Ayrton Senna.

Eu tive a sorte de conhecer o Ayrton Senna. A pessoa que me indicou para ficar junto com ele, participar com ele foi o Dr. Pedro Pinto de Oliveira, ele chegou a treinar com a gente. Chegar no limite, a capacidade de você entender que chegou no limite é um processo muito especial. Eu nunca cheguei no meu limite, eu sempre cobrei de mim mesmo, sabe por quê? porque enquanto estivermos aqui nesse plano preciso aproveitar o máximo.

Já o Ayrton era um ser iluminado e por isso, exatamente por isso deixou um legado que parece que a cada dia que passa fica maior do que quando ele nos deixou naquele fatídico dia 01/05/1994. Ele teve a capacidade de nos mostrar que podemos começar a pensar, que podemos chegar ao nosso limite, mas isso é para poucos, mas muito poucos mesmos. Somente seres especiais e singular como ele, por isso nos deixou tão cedo!! O legado dele é maior que a nossa compreensão. Eu nunca chegarei ao meu limite e digo: não tentem fazer isso.

Os amigos falam de Herói Fung

O Herói Fung não é uma personalidade qualquer no universo das corridas de São Paulo e do Brasil. Sua dedicação vai além de nossas fronteiras e em nenhum momento perde a oportunidade de ajudar quem quer que seja. Sua atitude como bem disse Valderes Pereira é de um ser humano único, que faz mais pelos outros do que para si próprio. Se fossemos incluir o que todos os que conhecemos gostaria de falar dele teríamos que criar um enciclopédia, então, aleatoriamente escolhemos aqueles que estavam mais próximos de nós. Vejam o que ele disseram e duvido que não se emocionem…

Herói Fung, por Alberto Cross

Falar do Herói é muito complexo. Quem é o herói? Para mim ele é meu mentor nesses últimos 15 anos.

Para falar dele você tem voltar no tempo, bem antes de ser esse ultramaratonista incrível que ele é e descobrir o que forjou esse cara a saber tanto sobre o corpo humano e os movimentos. E voltando no tempo você descobre que ele foi um estudante de medicina que queria entender porque nos adquiríamos certos tipos de doenças e porque poderiam acarretar outras doenças, aí ele deixou a medicina e foi fazer química.

Conheci o herói em 2007. Começamos a trocar ideia de como poderia melhorar minha performance na corrida. E em 2009 fui o pace dele. Partimos para a Br135, ele já com 64 anos de idade. A BR saia de Poços de Caldas até Paraisópolis, 217km de montanhas, sendo que os primeiros 42km a altimetria fazia você sair de um plano de 600 e subir até 1100 metros, no Pico do Gavião.

Estávamos lá em Poços de Caldas e eu me senti, pela primeira vez, uma pessoa especial no mundo da corrida. Lá estavam os melhores que poderia aprender: conheci o Jaiminho, do Rio Grande do Sul; a Valderes; a Graça, uma excelente ultramaratonista, que conheci na ultra Praias e Trilhas. Estávamos com um grupo de sete pessoas.

Fiquei aos pés do Rei Leonidas

Na BR estávamos no carro pace, eu Rosivaldo a Sonia e a esposa do Andrade. Eu faria o pace do Herói Fung e da Valderes e do Rogerio Andrade. No primeiro dia nos atolamos o carro e o Herói, o Andrade a Valderes correram 10k errados. Se perderam no caminho, e andaram em outra trilha. No dia seguinte quando os encontramos eles estavam bravos, sem água, sem comida, sem descanso. E o Rosivaldo falou “o Herói já tem uma certa idade então precisamos soltar os caras, se for possível você rodar um pouco com ele porque você está descansado e o pessoal já vem de uma batida de quase 100km e o pessoal está bem defasado”. E eu passei a mão na barba e pensei “eu puxar o Herói? Não tem como puxar o Herói, como puxar um homem desse…” E fomos…

Era pra rodar 40k com ele mas acabamos rodando 116k. Nessa aventura aprendi muito: ele me ensinou a subi a Serra do Caçador sem parar, trotando, simplesmente trotando e esse trote nos custou, olha só, um pessoal de um pace nos esperaram subir e nos aplaudiram feito loucos e gritavam “o que vocês fizeram foi inacreditável”.

A principal ultramaratona internacional do Brasil é a BR 135, que faz parte da Copa do Mundo de Corridas de 135 Milhas -“BAD135 World Cup”. Esta Copa do Mundo de corridas em ambientes de máxima dificuldade é formada pelas provas: Badwater Ultramarathon – Corrida no Deserto, Arrowhead Ultramarathon – Corrida no Gelo e a BR 135 Ultramarathon – Corrida nas Montanhas.

Apesar da dificuldade extrema da prova, mesmo ele correndo, ele está participando, mas quando chegamos na cidade de Consolação se aproximou de nós uma canadense, Norma Bastidas, a terceira na prova e já estava inscrita para fazer as sete provas mais difíceis do mundo, acima de 100km. Apesar de ela correr com a bandeira do Canadá, descobrimos que ela era mexicana. Terminando a BR ela pegaria o avião e embarcaria para o Polo Sul… e o Herói resolveu fazer a caminhada com ela. Ela tinha 22 km para terminar e na primeira subida ela travou e o Heroi pediu para ver o que estava acontecendo e ela respondeu “peito está queimando por dentro, o ar muito raro, muita dor e eu não consigo nem caminhar” aí voltei para o Heroi e informei. As condições dela não permitiriam que elevarem-se nesse a prova e sobrasse tempo para pegar o voo. Foi quando o Herói pediu que eu a acompanhasse e depois voltasse para busca-lo. Retruquei “poxa Heroi, o pace dela não está nem aí e nós corremos o risco de abortar nossa corrida na boca do gol, sou seu pace, eu vou é levá-lo até a entrada de Paraisópolis mas ele foi taxativo “não podemos fazer isso, somo irmãos, somos brasileiros, você leva ela senão ela perde o voo e depois volta e volta para me pegar”. Fui até ela, comecei a trotar, dei um novo ritmo para ela até a entrada de Paraisópolis. Chegando lá, encontramos o pace dela e ela me abraçou e nos agradeceu pelo que fizemos: “não vou esquecer o que vocês fizeram, colocaram em risco sua própria corrida para me ajudar” e eu disse para ela: “Norma sua bandeira é mexicana e não canadense” e falei que iria buscar meu mestre e chegamos no limite do tempo.

Essa foi a última grande Ultramaratona do Herói Fung, no Brasil, porque depois ele fez Comrades.

Depois de um tempo, descobri que a Norma concluiu as sete provas e que chegou a meia hora para o avião decolar. No blog dela ela falou sobre nós elogiando a mim e ao Herói pelo que fizemos.

Daí eu comecei a conhecer um outro Herói. Uma coisa que me impressiona é que ele ajuda todo mundo, nem precisa conhecê-lo e ele de uma forma ou de outra acaba ajudando.

A rainha das rainhas das ultramaratonas

O Herói foi conhecer a Sparthatlon em 1999 e recomendou para o Valmir Nunes: “Valmir se você for, vai vencer” e o Valmir foi em 2001 e venceu essa prova com o tempo de 23:18. Quando visitamos a cidade o nome dele está em uma lápide, em grego. E o Heroi começou a me falar muito sobre essa prova e finalmente no ano de 2010, quando estava fazendo 2500 anos do feito do soldado Phidipedes, eu, Heroi, Rosivaldo, Getúlio, Andrade, Serrao e Valmir Nunes, fomos para esse evento e o Heroi o tempo todo cuidando de nós. O heroi o tempo todo escoltou o Rosivaldo até corinto e depois o soltou para terminar a prova. (Somente o Rosivaldo terminou?)

Teve um feito do heroi aqui no Ibirapuera em que o herói escoltou o Luciano Prado durante 339 km e o Luciano foi o vencedor.

O pioneiro das ultrasmaratonas é o herói.

 

Herói Fung, por Valderes Pereira

 

Comecei correr em 1995, em 1998 conheci o Herói Fung, treinando o pessoal no Parque Horto Florestal/SP/ZN, desde então se tornou meu treinador, me inspirei nele, que já era Ultramaratonista Internacional, viajou por vários países, com um currículo invejável, muitas vitórias, desde, às décadas de 1970/80/90/2000, 2010…

Amigos para sempre

Foi um dos precursores das Ultramaratonas no Brasil. Com a experiência dele, conquistei muitas provas de Ultras, é meu amigo e parceiro, não mede esforços para ajudar o próximo. É daqueles poucos seres humanos, diferenciados, inteligente sabe articular qualquer assunto, dá Palestras sobre Física Quântica e Ultramaratonas, sábio, seja qual for a pergunta sempre terá a resposta certa, na hora certa.

Valderes Pereira

O Herói é um ser humano que se doa muito às pessoas, ele é um ser às vezes até enig­mático, cativante, carismático, verdadeiro, solidário. Acho até que ele cuida mais dos outros do que de si mesmo.

Orgulho de passar por esse Planeta Terra e conhecer um ser tão iluminado…que Deus te dê muita saúde, paz, alegria e bênçãos na sua vida…

 

 

Herói Fung, por Luciano Prado

As viagens com o Herói sempre foram marcantes, por exemplo; no mundial de 100 km de Moscou em 1996, o Herói e eu fomos os únicos que completaram entre os brasileiros

Antes no tour pela cidade, ele nos deu uma aula de história sobre a Rússia, sobre o comunismo e política!

Em Taiwan, a mesma coisa, história e mais história, fora que ele e descendente de chinês!

Em um desses passeios fomos em uma loja de Quadros, e o Herói foi atendido por um senhor de mais de 70 anos!

Ele ficou encantado com o lugar e logo pediu que o senhor lhe escrevesse o nome em mandarim em uma cartolina

Na hora de pagar, o senhor não quis receber do Herói, pois disse que era um presente, e honra dele ter o sobrenome de Fung. Vi lágrimas no Herói

Na Grécia em 2005 fomos correr a Sparthatlon de 246 km, o Herói estava ali pela segunda vez, me dando todas as dicas sobre a prova.

Neste dia ele não completou devido começo de hipotermia

Na hora da foto perto da estátua do rei Leônidas, o Herói não quis, tirar, pois disse que só faria a prova se ele completasse a tão sonhada prova

Na minha melhor marca de 24 h na pista foi em Taiwan em 2003 onde o Herói foi como participante, mas sempre parava a corrida dele para me dar apoio durante a prova

Não só pra mim como a qualquer atleta que ele vê em dificuldade, seja na massagem ou na alimentação.

Quanto o meu recorde mundial na esteira, o Herói sempre acreditou, ficou as 24 h acordado me dando auxílio e no final nos abraçamos e choramos juntos pois não tem preço daquela nossa felicidade pois os treinos foram válidos e muita disciplina para o recorde!

Assim descrevo o grande amigo Herói, pai de família e grande incentivador dos esportes.

Faz por amor

 

Heroi Fung, por Nilson Lima – Texto da obra “No caminho eu conto”, biografia do maratonista Nilson Lima, do jornalista Hermom Dourado – pgs 110 a 112

Estes comentários automaticamente me trouxeram à memória um outro relato daquela longa entrevista que fiz no ano anterior. Foi demonstrando muita gratidão que Nilson Lima falou sobre o papel fundamental do engenheiro eletrônico Fernando de Almeida Domingues Jr. naquele começo nas provas de longa distância.

“O Fernando mora em São Paulo, mas morou aqui em Uberlândia durante um tempo. As minhas primeiras maratonas foram com ele, que já corria esta distância e me deu a confiança de acreditar que eu poderia fazer o mesmo. Naquela época, não havia muitas informações sobre corridas longas e estas questões de planilhas, suplementação e alimentação adequada. Foi por intermédio do Fernando que conheci um senhor chinês que fazia um trabalho social em São Paulo, o “Heroi Fung”. Professor de Matemática e funcionário da Sabesp, ele fazia um trabalho social muito bacana com os corredores e passou a enviar as planilhas também para mim, via fax. Naquela época não se usava e-mail e o WhatsApp não existia.

Um livro, uma vida

O Heroi também tinha umas apostilas de alimentação para corridas longas e as mandava para mim sem cobrar nada. Resumindo, ele me ajudou demais na primeira maratona, com as planilhas e dicas para a preparação. Até então, eu havia feito apenas a São Silvestre e várias provas de meia maratona. Houve todo um planejamento com calma, porque, mesmo não tendo muita informação disponível na época, eu nunca fui de dar tiro no escuro. Sempre quis fazer as coisas de forma bem orientada com o que era possível de se obter. Um fato engraçado é que não existia gel de carboidrato disponível para venda no Brasil; então, eu comprava isso em pequenas quantidades de uma moça que morava perto da minha casa e trazia dos Estados Unidos. Usava bem aos poucos mesmo: um gelzinho daqueles durava até três provas; eu tomava um pouquinho, dobrava e guardava no bolso. Hoje é totalmente diferente e chego a tomar cinco géis numa maratona – um antes e quatro durante a prova. Naquela época, eu conseguia compensar a falta disso com as dicas de alimentação que recebia das pessoas, como rapadura, por exemplo. Nada com base científica.”

Faço aqui um parêntese para relatar que entrei em contato, via Facebook, com o Fernando e ele me contou que a amizade com Nilson permanece até hoje, passados quase 20 anos daquela época. Sempre que viaja a São Paulo é na casa do engenheiro que o mineiro se hospeda e o a retribuição da gentileza ocorre quando é o paulista que passa alguns dias em Uberlândia. A respeito das planilhas do chinês, Fernando me informou o seguinte:

“Eu já fazia alguns treinos com o Heroi Fung, em São Paulo. Este treinador nunca cobrou nada de ninguém e era um ultramaratonista fanático, um autodidata que usava o próprio corpo como laboratório das suas teorias. Ele se baseava muito em alguns livros da Rússia, país que era o berço dos grandes vencedores de provas de ultra naquela época. E assim, meio empiricamente e com algumas teorias, ele orientava seus atletas – todos corredores de longas distâncias; no mínimo, maratonas. Quando me mudei para Uberlândia, pedi a ele que me enviasse as planilhas de treino por fax. Então, assim que conheci o Nilson e fiquei sabendo da pretensão dele de começar nas maratonas, ofereci a ajuda do Heroi, que foi prontamente bem recebida. Assim, o Herói começou a enviar também para o Nilson as planilhas de treinos. Eram treinos puxados, mas acho que fizeram toda a diferença no meu desempenho e mais ainda para ele, que já era um corredor que se mostrava bem adaptado a treinos duros e longos. Foi numa prova realizada com o auxílio daquelas planilhas que o Nilson conseguiu em 1999, em Curitiba, o seu recorde em maratonas.”

Herói Fung, por Bete 

Carta datada de 06 de outubro de 2005.