Gustavo Carneiro, dobrei a aposta pela vida

Gustavo Carneiro, atleta amador, maratonista, tenista, pai da Jessica e da Iasmim e, apaixonado por Suziane. Palestrante motivacional (www.gustavocarneiro.com.br) que devido a um câncer amputou uma perna e hoje é Atleta da “Seleção Brasileira de Tênis em Cadeira de Rodas”, segundo melhor tenista do Brasil e quadragésimo quinto do mundo.

A força de suas palavras dizem tudo da força deste guerreiro da vida!

A família e a infância

Sou nascido e criado em Uberlândia/MG. Guilherme Silva Filho e Angela Carneiro Silva são meus pais e tenho 2 irmãos, a Fabiana Carneiro Silva e o Pedro Henrique por parte de pai.

Desde cedo sempre gostei muito de praticar esportes, natação, futebol eram os favoritos até começar no tênis aos 9 anos. Minha infância na década de 80 foi muito na rua e no Praia Clube praticando esportes

Adolescência e Juventude

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Como qualquer adolescente, gostava muito de sair, mas nunca abri mão de ficar sem fazer pelo menos 1h de exercício por dia. Foi nessa época, por volta dos 15 anos que comecei a correr e não parei mais. Lembro que ia para as aulas de kung-fu as 6h da manhã correndo, saía de casa as 5:30h e voltava correndo, já era uma terapia pra mim.

Junto com um amigo de escola definimos que segunda, quarta e sexta eram os dias de correr, íamos para a biblioteca estudar a tarde e por volta das 16h saíamos pela cidade correndo cerca de 1h.

Aos 16 anos comecei a jogar peteca com o pessoal mais velho (23, 24 anos) e logo me destaquei, aos 18 anos fui campeão brasileiro

A descoberta do esporte

Como já mencionei, o esporte sempre esteve em mim, sempre tive muita facilidade e sempre gostei muito. O esporte também sempre foi obrigatório na minha vida, preciso fazer todos os dias. Minha vida foi marcada por diversos esportes, natação, futebol, tênis, corrida, squash, futvolei, peteca, tênis de mesa. Em cada um deles me destaquei entre os melhores e conquistei alguns títulos. Com 14 anos meu sonho era ser atleta profissional de tênis, até fui convidado para treinar em SP com um dos melhores jogadores/técnicos do brasil na época, mas infelizmente não aconteceu.

A fase adulta

As responsabilidades começaram cedo na minha vida. Aos 21 anos uma namorada da época engravidou e decidimos nos casar.

Suziane, Jessica e Iasmim.

Desse relacionamento nasceu a minha filha mais velha, “Jessica Gatti Silva”, hoje com 24 anos. Ficamos casados por 4 anos.

Me formei em Administração de Empresas com Pós-graduação em Marketing. E trabalhei por 20 anos em grandes multinacionais como: Samsung, Gillette, Revlon e Henkel.

Em 2010 aos 38 anos, no meu segundo casamento, nasceu a “Iasmim Storti Carneiro”, presente de alguém que é muito importante para mim e em tudo que acontece em minha vida: Suziane Peixoto Santos.

 

A corrida de rua

A corrida sempre foi a minha paixão, minha terapia. Gosto muito de ficar sozinho, de curtir o meu momento, de pensar sozinho na minha vida, e hoje vejo o porquê de gostar tanto da corrida. Lembro que diversas ideias e soluções de problemas eu tive correndo.

Conforme já mencionei, comecei a correr aos 15 anos e corria de 10 a 21km, mas tinha um sonho, correr uma maratona. Admirava quem conseguia fazer os 42km, ficava deslumbrado com esse desafio. Mas nunca treinava pra correr esses 42km, fui deixando o tempo passar…até que anos depois aprendi a lição que contarei mais para frente…

O primeiro diagnóstico

Foi em 2013 após uma ressonância magnética e uma biopsia que descobri que tinha um câncer na batata da perna, chamado “Liposarcoma”. Lembro de acordar da biopsia e o médico me dizer, “tenho uma notícia boa e uma ruim”…a boa é que vou retirar toda a batata da sua perna e você vai andar com um “órtese”, e a ruim é que pode ser que tenha que amputar. Foi um choque muito grande, nunca senti nada igual na minha vida…como assim, eu, um atleta, perder uma perna???

O resultado foi que esse médico estava 100% errado, fui para SP e fiz uma cirurgia para retirar o tumor e depois em Uberlândia fiz 5 meses de quimioterapia (uma das piores fases que já passei na vida) e 30 sessões de radioterapia.

A primeira recuperação

Quando em dezembro de 2013 o tratamento terminou minha cabeça havia mudado, eu havia passado por um susto e algumas prioridades foram ficando mais fortes em mim. Eu estava desde 2010 sem correr porque tinha tendinite patelar devido à corrida e ao squash, então em 2014 voltei a nadar que era o único esporte que podia fazer.

Em 2015 percebi que não sentia mais dores no joelho, e após uma consulta médica, fui liberado para correr, correr até uma maratona se eu quisesse….a primeira coisa que pensei foi “agora eu vou realizar meu sonho, vou correr uma maratona”.

Como uma criança feliz quando o pai a leva para uma loja de brinquedo para comprar com ela “aquele brinquedo”, fui direto comprar um tênis, corri tanto nos 3 primeiros dias que machuquei o pé da cirurgia de 2013.

Treinei muito em 2015 (setembro e outubro) e em 2016 realizei o sonho de correr uma maratona, completei a “Maratona do Rio” chorando de emoção: estava realizando um sonho e estava correndo com a perna que o médico queria amputar. Corri essa prova muito emocionado, pois não corria fazia 06 anos, corri os 42 k xingando o médico, olhava para minha perna e pensava “o cara queria cortar minha perna e eu estava correndo os 42k da Maratona mais bonita do Brasil”, ah! como xinguei o médico. Na realidade, no fundo, bem lá no fundo agradeci a esse médico porque naquele momento estava provando para mim mesmo que os sonhos são para serem tentados, não importa como.

ande uma milha a mais

Quanto de fato a gente se esforça mais, quanto de fato a gente está realmente correndo atrás, quanto de fato a gente faz um pouco a mais para a realização de nossos sonhos, pagar pra ver. Nossa obrigação é continuar tentando mesmo quebrando a cara. Andando uma milha a mais, sempre…

O segundo diagnóstico

Após 2016 tendo corrido a Maratona do Rio, meu objetivo era continuar correndo várias maratonas, e nesse mesmo ano fiz a “Maratona de Uberlândia” e no início de 2017 a “Maratona de São Paulo”. Logo após terminar a “Maratona de São Paulo”, fiz a inscrição para a minha primeira maratona internacional, a “Maratona de Buenos Aires”, estava feliz da vida.

Mas a vida quis que ao invés de correr essa maratona em outubro eu amputasse a perna nesse mês.

A corrida de agradecimento com  os amigos

No início de outubro em um exame de rotina descobri que o tumor havia voltado. Dessa vez em uma região que não teria como preservar a perna, a amputação era certa

Recebi essa notícia no dia 4/10/17 no consultório do Dr Samuel no Hospital AC Camargo em São Paulo. E diferente de 2013, não fiquei desesperado!

Logicamente fiquei meio aéreo, pensando na situação, mas logo comecei a refletir sobre a minha vida e sobre a sorte que estava tendo de ser “só uma perna”. Não tinha metástase, era localizado, eu seguiria a vida sem a perna, e poderia colocar uma prótese para andar, para correr e voltar a ter uma vida normal.

Nesse momento já defini que seria um atleta paraolímpico em algum esporte, era uma certeza que eu tinha.

O esporte com certeza foi fundamental para me ajudar

A aposta dobrada

Agora de fato teria que amputar a perna, não tinha jeito.

Decidi encarar com naturalidade e sempre pensando em ver o copo meio cheio ao invés de meio vazio. Eu tinha a sorte de continuar vivo. Foram 21 dias entre a descoberta e a amputação, esses dias foram de muita emoção e uma certa tranquilidade.

A amputação foi marcada para o dia 23/10/17, uma segunda-feira. No fim de semana que antecedeu eu fiz tudo o que queria com a minha perna, me despedi em grande estilo

No sábado joguei tênis de manhã, a tarde joguei tênis numa cadeira de rodas (porque já sabia que seria o tênis o esporte que eu investiria todos meus esforços para me tornar um atleta paraolímpico), queria ver como seria a experiência e noite participei de uma corrida de rua de 10km.

A corrida de despedida

Com a cirurgia agendada para o dia 23/10/17, uma segunda feira, eu quis aproveitar ao máximo o tempo que tinha com a minha perna. Na semana anterior eu comecei a convidar alguns amigos para correrem comigo no domingo, dia 22, seria uma corrida de despedida. Durante a semana esse convite viralizou, esses amigos contaram para outros, e esses para outros e de repente todas as equipes de corrida de Uberlândia estavam sabendo. Entraram em contato comigo perguntando se poderiam divulgar e convidar mais pessoas, no que eu concordei!

Quando na quinta eu comecei a ver nas redes sociais os posts que estavam fazendo convidando os corredores me emocionei muito, acho que foi a primeira vez, nesse período, que chorei. Chorei feito criança.

De quinta a domingo foi uma loucura, muitas mensagens no celular, nas redes sociais, as pessoas se emocionaram com a minha história e foram muito carinhosas comigo, com certeza esse foi um ponto muito importante para eu manter a cabeça erguida.

Decidi fazer então uma ação com o “Hospital do Câncer”, os convidei para irem até lá e avisei as pessoas para levarem uma doação para o Hospital, foi uma maneira que encontrei para retribuir o carinho comigo, ajudando o HC numa causa que agora era a minha também, a luta contra o câncer!

No domingo as 7:00, as pessoas começaram a chegar na porta do “Praia Clube” e pro meu espanto eram muitas, acredito que umas 250 ou mais!

Foi um dos dias mais bonitos da minha vida!

Antes de largarmos meu amigo Gilberto, Pastor, fez uma oração e falou algumas palavras que emocionou a todos!

Amigos de corrida.

Corremos 10km, rindo, tirando fotos, filmando, virou uma festa, as vezes até me esquecia que em menos de 24h minha vida mudaria totalmente.

Após a corrida foi o momento mais especial, muitos abraços, muito choro, muita emoção, cada um fez questão de falar um pouco comigo, foi um momento muito bonito. Chorei muito.

Muitos conhecidos, muitos desconhecidos, minhas filhas, minha mãe e pai, minha namorada, meu irmão, todos estavam ali por minha causa, não tinha como não me emocionar!

A minha internação no hospital foi neste domingo as 16 horas, então com o fim da corrida fui para casa, tomar banho e sair para almoçar com a minha família

As 16 horas fui para o hospital, a sensação de me internar sabendo que era para amputar a perna no dia seguinte é algo que não da pra explicar de tão maluco que é.

Literalmente foi o dia que descobrir que mesmo sem uma perna, estaria sempre inteiro

Dobrei a aposta pela vida

Desde então decidi mudar a minha vida, decidi lutar pelos meus sonhos, pelo meu sonho de ser um atleta profissional de tênis, só que agora de tênis em cadeira de rodas.

Decidi fazer o que gosto, decidi que não podemos esperar pelo amanhã, pode ser que não o tenhamos.

Hoje me dedico 100% ao tênis em cadeira de rodas, em 15 meses já sou o número 2 do brasil e 45 do mundo.

Fui convocado pela Confederação Brasileira de Tênis para fazer parte da equipe brasileira no mundial em Israel em maio.

A minhas chances de conseguir uma vaga na Paraolimpíadas do Japão de 2020 são muito grandes

E agora tenho uma ótima notícia, devo colocar uma prótese de corrida em julho, não vejo a hora de acordar nos fins de semanas bem cedo e sair correndo pensando na vida. Um objetivo que tenho na corrida é ir além dos 42km, um dia correrei a Comrades na África do Sul, 87km

Tenho aprendido muitas coisas com essa mudança radical de vida. Tenho aprendido que temos que saber conviver com os problemas diariamente e mesmo assim manter o sorriso no rosto, a fé no coração.

O que o amigos falam de Gustavo Carneiro

Depoimento Nilson Lima x Gustavo Carneiro

Nilson Lima e Luciano Moraes, à esquerda

Conheço o Gustavo Carneiro a uns 20 anos, ele era representante de Industria e fornecedor na empresa que eu trabalhava. Ele praticava outros esportes, mas foi a corrida que nos aproximou. Juntos fizemos algumas viagens pra correr provas curtas. Divertimos muito com a Nike 10k, três corridas organizadas pela Nike em São Paulo e simultaneamente em várias cidades do mundo. Uma prova festiva com foco na inclusão.

O Gustavo sempre foi uma pessoa focada em tudo que fazia. A determinação e garra que tinha na vida profissional era a mesma no esporte amador em qualquer modalidade que se propunha a fazer. Foi assim quando decidiu fazer sua primeira maratona, como eu já corria provas longas, ele sempre me procurava pra trocar informações. Não consigo ver o Gustavo hoje diferente do que sempre foi. A rotina intensa de trabalho, acordar de madrugada pra fazer academia ou treinar pra alguma atividade está incorporado em sua história de vida.

Não tenho dúvida que qualquer desafio, que se proponha a fazer, por mais ousado que seja, ele irá até o fim. Eternamente terá a minha admiração pelo exemplo de vida e coragem com que enfrenta qualquer obstáculo.

Depoimento do Luciano Moraes x Gustavo Carneiro

Conheci o Gustavo em 1987, em um campeonato mineiro de tênis, na categoria 13/14 anos. Na ocasião perdi logo de 6×0, 6×0. Não nos falamos muito depois, mas já dava pra perceber o quanto era perseverante o Gustavo. Nunca mais o vi, só fui encontrá-lo em 2016, quando ele foi buscar o kit para a primeira Maratona Nilson Lima. Desde então, cultivamos uma amizade, respeito e admiração mútuos e acompanho agora sua trajetória no tênis em cadeira de rodas e na torcida para que ele represente o Brasil na Paraolimpíada de Tóquio 2020. A força de vontade e determinação, características da personalidade dele, o levará até lá.

Depoimento do Professor Eduardo Macedo de Oliveira x Gustavo Carneiro

Então…. o Gustavo Carneiro (Carneirinho, apelido de minha autoria) foi meu aluno de natação no Uberlândia Tênis Clube (UTC) nos primeiros anos da década de 80. Naquela época já demonstrava um talento e versatilidade excepcionais. Um fato importante foi o apoio dado pelos pais, com presença e acompanhamento permanentes. Para mim, um privilégio tê-lo como aluno.

Lembro-me de uma determinada ocasião, ensinando-o a virada olímpica. Sua capacidade de aprendizagem e assimilação eram incríveis, e rapidamente ele executou a virada perfeitamente!

Depoimento de Hermom Dourado x Gustavo Carneiro

Contei um pouco da fascinante história de vida do Gustavo em meu livro sobre o ultramaratonista “Nilson Lima”, pois flagrei um encontro entre os dois pouco antes da largada da maratona que foi o pano de fundo para a narrativa daquele trabalho. No entanto, apenas um ano depois disso nós conversamos pela primeira vez: ele ministrou uma palestra justamente no evento de lançamento do meu livro.

Luciano Moraes e Hermom Dourado

Tudo o que vi e ouvi naquela noite serviu para aumentar ainda mais a admiração que eu já tinha por este outro atleta que, assim como Nilson, leva o nome de Uberlândia para posição de destaque em competições por todo o planeta. Gustavo Carneiro é uma destas pessoas que provam a força interior que todos nós temos e que, por mais inesperada e triste que seja uma situação, é possível sim encontrarmos pontos positivos nela. Em suma, ele é mais uma grande fonte de inspiração e seus testemunhos reforçaram em mim a convicção de que “a vida tem a cor que a gente pinta”!

Gustavo Carneiro o palestrante motivacional

Habib’s Rio de Janeiro

Final da Ultra Fiord

Fiz uma palestra para a Regional do RJ do Habib’s: a nossa deficiência não é física e sim de mentalidade, muitas vezes achamos que não somos capazes.

A Ultra Fiord me mostrou isso, eu jamais acreditaria que conseguiria andar por 27h nas condições que eu estava naquele momento, como eu estava errado!

Nós podemos realizar muito além do que imaginamos ser o nosso limite!!!

Campinas – São Paulo

Em Campinas foi muito especial, juntamente com @sudorf (medalhista paralímpica) e @cegojeffinho subi no palco do #turnaroundsummit e falei alguns poucos minutos para 1200 pessoas!

Precisamos estar preparados sempre, pois em algum momento a oportunidade vai bater na nossa porta!

Curso de Administração da UNIUBE.

Fico muito feliz em poder contribuir de alguma forma na formação dos alunos.

Mais uma vez obrigado pelo convite!

Motivacionais

Gosto muito da frase dessa camiseta:

 

Numa maratona é exatamente assim e com nossos objetivos também. Num determinado momento (após os 30 km) vai ficando mais difícil e é a cabeça quem manda. A determinação e a vontade de realizar precisam ser muito fortes pra não desistir. Os metros finais são pura emoção.

A analogia de completar uma maratona com tudo na vida é muito perfeita: muita dedicação, muito treino, muita força mental.

Hoje a minha maratona é no tênis, estou nos kms iniciais, mas se Deus quiser, logo estarei completando os metros finais. Não vejo a hora em voltar a correr, completar novamente esses 42,195 km e fazer pela primeira vez a minha “maratona” no tênis!

Nossos erros

Nossos erros tomam a dimensão exata da importância que lhes dermos.

Se errar é preciso e

Acreditar, sempre.

ninguém fugirá a isso, surge a necessidade de aprendermos a lidar com o nosso errar, ou permaneceremos paralisados sob o peso de nossas imperfeições, que são muitas.

Não adianta querer acertar sempre e com todo mundo, ou seja, o perfeccionismo extremo acarretará cobranças além das necessárias, condenando-nos diariamente em quase tudo o que fizermos.

Só erra quem faz. Eu tive medo, eu tenho medo. Não deixe que o medo te prenda e te impossibilite de fazer aquilo que você SONHA. Que os seus sonhos te movam e te levem para um lugar melhor todos os dias.