Nem mesmo o marca-passo para a Coração Valente

Nasci em Nagasaki, no Japão em 02 de agosto de 1950. Viemos para o Brasil em 1961 para o Rio Grande do Sul, em Santa Maria. Meus pais vieram como imigrantes em busca de uma vida melhor. O pós-guerra no Japão estava tudo arrasado, passamos fome e eles escolheram o Brasil, mas no começo foi muito difícil, não falávamos uma única palavra em português e apesar de acreditar que estaríamos melhor por aqui, passamos fome até nos ajustarmos. Tivemos que começar tudo do zero. Depois fomos morar em Santa Catarina, isso em 1963.

a família

Quando chegamos aqui eu tinha dez anos e conseguimos aprender somente uma expressão em português: “obrigado”. Qualquer coisa que eles falassem, respondíamos: obrigado. Para aprender, fazíamos por associação: a gente pegava um lápis e perguntava para os colegas o que era e eles respondiam e escreviam “lápis” e em casa pegávamos o dicionário japonês x português e, foi assim que aprendemos…

Meu pai tinha arrendado um terreno para plantação e a noite a gente se reunia com as crianças do patrão e foi com elas que aprendemos a ler e escrever em português. A gente ia e volta para escola, juntos. Para nós não foi difícil, criança aprende mais rápido. Nosso patrão era descendente de italiano e alemão: tínhamos um convívio muito bom. Esse período foi muito bom.

Naquele tempo quando a gente terminava o quarto ano primário nossa família tinha a tradição de que a mulher não precisar estudar, só precisava ler e escrever, então, parei os estudos e continuei a trabalhar na roça e fazer corte-costura, culinária, bordados….

Meu pai morreu em 1973 e eu já estava com idade de 22 para 23, aí pude voltar aos estudos e terminei o colegial. Foi muito atraso de vida mas foi bom porque com todo esse sacrifício aprendi com a vida as dificuldades, a superação porque quando estávamos no Japão, tínhamos eletricidade, telefone e todo conforto de cidade grande e quando nos mudamos para cá vivemos muito tempo com Lampião de Gas, tomar banho no rio, lavar roupa, fogão a lenha e no final do dia mamãe falava: crianças, para o rio tomar banho. Tinha dias que tomávamos o banho de bacia, quando esfriava muito e caia neve, assim que nós crescemos!

Por um longo período a comida era escassa, vivemos essa escassez tanto ame Santa Maria quanto em Santa Catarina. Comia muita batata doce, arroz branco era una ou duas vezes por ano e assim sobrevivemos: dar valor a água, dar valor a vida, dar valor alimentação… depois que meu pai faleceu, voltei a estudar, terminei o colegial já tarde. Depois do colegial fui estudar enfermagem. Isso em São Luiz Gonzaga, no Rio Grande do Sul. Quando terminei o curso fui procurar emprego, mas na nossa cidade auxiliar de enfermagem era luxo.

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Como não conseguia emprego resolvi vir para São Paulo, em 1980, apesar de minha mãe e meus irmãos serem radicalmente contra. Vim sozinha com a cara e a coragem. Aqui morei em vagas, em pensão até consegui emprego no “Hospital Beneficência Portuguesa”, onde fiquei até 1993 quando pedi demissão para tentar uma nova vida no Japão. Nessa data meu filho já estava com 5 anos…

Depois de quase 30 anos voltei para o Japão como dekassegui, fui morar em Tokyo.

Moramos no alojamento da Prefeitura, meu filho tinha escolinha de tempo integral. Mas só consegui ficar um ano: muita discriminação, muito preconceito, porque meu filho é brasileiro, pele morena e cabelo pixaim e chamava muito atenção. Certa vez o diretor da escola chegou para mim e perguntou: por que seu filho tem rosto diferente? E eu perguntei: como rosto diferente? ele tem uma boca, dois olhos, um nariz e duas orelhas!! Minha família do Japão enfatizava que era melhor voltarmos para o Brasil porque a vida ali seria muito difícil para mãe solteira, filhos de pai falecido, de mãe falecida, então, decidi retornar para São Paulo em 1994. Foi ai que descobri de forma dolorosa que minhas raízes, mesmo sendo no Japão, me foram arrancadas e voltei…

Comecei a correr em 2002, por orientação médica

Em 1999 fui diagnosticada com osteoporose nível 3 e o médico recomendou caminhadas, sem queda porque meus ossos já estavam no terceiro grau. comecei a andar no Parque de Aclimação: um dia sim, um dia não. A pista tem 960 metros e fui aumentando consecutivamente. Aí conheci um senhor que me perguntou: quer fazer uma caminhada forte? Respondi: quero! Aí ele me ensinou a caminhar com as passadas largas e rápidas.

Alguns amigos de corrida

Como faço amizades muito rápido, não demorou muito e a Maria Cecília me convidou para uma corrida. A primeira corrida foi em 2002, na USP. Ela me inscreveu para correr 6k. Fiquei assustada porque nunca tinha corrido. Mesmo assim eu fui, sozinha, sem saber direito onde ficava a USP, chovia muito, estava frio. Peguei meu número de peito, meu chip, entrei no meio do pessoal, daquela algazarra e de repente foi dada a largada e como estava muito concentrada e os corredores puxando muito, fui atrás e de repente estou cruzando a linha de chegada. E aí me perguntei: já? Já foi 6k, tão rápido, e, depois veio o resultado no cartão: 6km em 30 minutos. Foi assim minha primeira corrida. Sem treino e sem nada. Me apaixonei.

Na empolgação de já haver feito outras corridas, nesse mesmo ano fiz minha primeira “Corrida Internacional de São Silvestre”, naquele tempo corríamos as 15:00, um sol de matar. Meu melhor tempo na São Silvestre foi 1:27 e em 2003 fiz minha primeira Maratona, em Blumenau, sem treinador, um ano depois.

Em algum lugar

No impulso me inscrevi para a Maratona, depois da inscrição fiquei um pouco apreensiva, mesmo assim fui para Blumenau! Chegando lá fiquei no alojamento da prefeitura. Naquele tempo a corrida era dentro da cidade, tinha uns 300 corredores, teve um trecho que fiquei sozinha com a bandeira da “Caixa”, ninguém na frente e ninguém atrás. Quando cruzei a linha de chegada foi que descobri que havia corrido 42 quilômetros e 195 metros, não sabia que era essa a distância. Depois uma pessoa da organização chegou para mim e falou: encontrei uma camiseta tamanho “p” e me entregou e eu falei: eu já peguei ontem e ele disse: essa é para quem completou a corrida. Na camiseta estava escrito:: “eu completei” . Amei essa corrida, medalha linda e foi lá que vi o Vanderlei Cordeiro de Lima ao vivo e a cores. Essa corrida me deu muitos amigos que os mantenho até hoje.

Continuei correndo sem nenhuma assessoria e já tinha parado em Curitiba, já tinha quebrado em outras maratonas, inclusive em Blumenau.

Medalhas, lembranças e histórias

Em 2006 comecei a treinar com o “Tavares” (#e.c.tavares) para a Maratona de São Paulo. Meu foi 4:10 já sabendo que a Maratona era de 42,195 metros. Depois dessa maratona meti na cabeça que tinha que voltar para Blumenau, aí já com a assessoria do Tavares.

Já me sentindo confiante, chegando em Blumenau, na hora da largada uma Professora do Tavares perguntou se eu gostaria de correr com ela e eu disse não, seu pace é mais rápido que o meu. Mas ela insistiu, fui acompanhando-a e quando chegamos no km 30 ela me disse “é aqui que começa a Maratona”, só faltam doze, vamos? Eu disse, “vá que vou acompanhando você”. De repente não a vi mais. Cruzei a linha de chegada com 4:06, minha melhor marca! Foi aí que aprendi que a Maratona começa mesmo no km 30 (risos).

 

36 maratonas completadas e 96 ultramaratonas oficiais, não incluo as ultras solidárias

A Ultramaratona é uma coisa desumana (risos). A primeira ultra foi em Rio Grande, Ultramaratona de 50 km, em 2007, fiz em menos de 6 horas. Depois fiz uma São Caetano, na pista de 200 metros, depois foi em Curitiba quando completei 146 km e 800 metros, segunda na categoria.

Com fé eu vou

Em 2008 fiz a “BR135-Caminho da Fé”. Naquela época não tinha nem 30 atletas de um total de quatro mulheres, 80% de chuva, sem apoio e sem nada. Foram 217 km em 48 horas. Nessa corrida vi muito preconceito. Eu fui a primeira mulher a cruzar a BR135 oficialmente. Essa corrida é insana, como muita subida e descida. Uma corrida muito difícil. Na última que participei já tinham quase 400 atletas. Já participo dessa corrida há 10 anos, seja como atleta, seja como staff, seja como pace. Fiz também, a ultra dos anjos.

Cada corrida tem as suas particularidades: cada terrenos é diferente. Já fiz Ultra na Patagônia, a Ultra dos Anjos, a UAI, e em algumas chega a hora que você tem verdadeiras alucinações.

 

Coração valente

Há uns cinco anos atrás já vinha sentindo arrítmica. Mas achava que era por causa dos treinos e das corridas: é só descansar que passa. Em um determinado exame foi constada arritmia cardíaca e uma pausa de 4 segundos. Para mim aquilo era normal, apesar dos médicos terem feitos várias recomendações. Já estava com minha agenda de corridas montadas e a próxima seria a “Cassino Ultra Race”, a maior ultramaratona de praia do mundo que acontece nas areias entre Barra de Chui e Barra de Rio Grande. no Rio Grande do Sul: são insanos 230 km de praia e os médicos do “Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia” onde faço todos meus check ups, não queriam me dá a autorização, mas fiz alguns exames extras e consegui. Fui e conclui.

Depois daquela pedreira fui fazer a UAI-Ultra dos Anjos Internacional 235 Km, completei em 56 horas e na volta senti tontura no carro, senti a pressão cair, mas como me sentia cansada, me encostei e acabei dormindo. O Dr. Nabil Ghorayeb já havia me chamado algumas vezes para novos exames e em um desses exames foi constada uma pausa de 6 segundos. Aí veio o primeiro episódio de desmaio. Já sabia que a possibilidade de desmaio poderia vir após acorrida porque o Dr Nabil já havia me falado que o desmaio não ocorre durante a corrida porque estamos em movimento, mas que poderia ocorrer logo após conclusão de provas.

Amo a vida, vida que segue

Continuei com minha rotina de treinos e corridas. Achava estranha aquela arritmia, mesmo utilizando sal durante a corrida e eu sentia que as pausas ficavam maiores. Em um fatídico domingo tive dois desmaios breves e meu filho ligou para marcar novos exames. Como na terça feira já tinha marcado consulta com o “CardioEsporte”, fui fazer um treinozinho leve e depois segui para o Instituto Pazzanese e não me deixaram mais ir embora: internação de emergência (risos). Fiquei internado dois dia e meio e no dia 14 de julho de 2017 ganhei mais um troféu: UM MARCA-PASSO! Um mês depois já fui fazer uma caminhada de romaria de 170 km de Itaquera a Aparecida do Norte. Já fiz duas 48 horas, já fiz 135 Km da UAI, JÁ FIZ PISTA DE 24 horas. A cada três meses tenho que fazer o acompanhamento no hospital. De tanto ir já virei sócia emérita.

 

68 anos de muita vontade de continuar correndo

Enquanto eu conseguir, quero continuar correndo, mesmo não tendo o pace de antigamente. Às vezes eu até esqueço que tenho marca-passo. Às vezes as pessoas me perguntas: quem usa marca-passo pode correr e eu costumo responder, “não estou correndo, estou brincando”!!

Corrida é isso: amigos

Uma vez na “Ultra XTerra Trail Run”, de 50 km uma moça perguntou: “Tomiko qual o seu segredo” e eu respondi “não tenho segredo, mesmo porque se eu tivesse segredo você poderia contar para outras pessoas”. E ela retrucou: “você tem um segredo sim” e eu respondi, “sabe qual é o segredo? Não tenho segredo, faça tudo por prazer, por amor e com amor, sorrindo e agradeça a Deus por cada passo que deixamos para trás porque a distância está diminuindo, está mais perto da chegada. Curta a natureza, os pássaros, o som da Cachoeira, o barulho do vento e gratidão a Deus, esse é o segredo”.

Faça tudo por amor, viva com amor, ame ao próximo como a si mesmo. Primeiro eu me amo para dizer que te amo. Já fui cortada porque estava ajudando outros corredores. Não faço corrida para competir, faço porque gosto. O importante é cruzar a linha de chegada. Uma vez em Estrema cheguei carregando um rapaz… se for cortada e tiver que sair, eu saio, mas se não tiver que sair continuo e cruzo a linha de chegada sem me importar com o tempo.

 

O tempo em uma corrida, não é inimigo, é parceiro. VIVER COM AMOR, só isso!

 

Histórias de Corridas, um bom papo com Alberto e Tomiko

 

BR135 – Ultramaratona

Conheci a Tomiko em um treino de 26k. Fiquei abismado com a vontade que essa mulher tinha para correr.

A primeira Ultramaratona que tive com ela foi na BR 135. Ela fazia a prova “survivor”, ou seja, corria os 217K sem nenhum apoio, sozinha, quando ela se tornou a primeira mulher a fazê-la em 48 horas.

Fuzileiros Navais, 24 horas da AMAM 

Prova de Fuzileiros navais, prova de 24, 2009 ou 2011, ela foi a primeira colocada e beliscou o trofeuzinho.

Mais uma grande façanha de Tomiko, foi quando eu comecei a sair da Ultramaratona para o ultraciclismo.

Na verdade, foi minha última Ultramaratona. Um sol muito forte, o piso se soltando. Uma prova muito difícil de fazer rodagem naquele piso. Lá estava os cobras da ultra no Brasil: Luciano Prado, indo muito bem; Marcos Farinazzo; Vanderson Luiz de Souza; Jorge Cerqueira e a Tomiko tava lá, 24 horas. A primeira prova dentro da AMAM. E quando chegou por volta das 22:30, já estava caminhando e estava se formando um tempo muito fechado. Passei pela Tomiko e falei “Tomiko, vai cair uma água nervosa” e muitos, mas muito relâmpagos, a sensação era que alguns caíam do nosso lado. E nós paramos e só ficou o Delino Tome e mais uma vez a japinha tascou mais um troféu. Isso em 2010.

Volta a Ilha – Desafrio Urubici

Alberto Cross, ultravelocista

Nós fizemos a Ultramaratona Volta a Iha, em Santa Catarina. Uma prova muito difícil, põe difícil nisso. E lá fomos nós e era um subir morro e descer morro e chegou uma hora nós tínhamos que subir um morro e só tinha um pouco de melancia e nada de água. Eu disse: “Tomiko vamos mastigar um pouco de melancia numa boa” e ela disse “se nós pararmos já era…” e eu respondi: “mas Tomiko é rapidinho” e ela respondeu “pega a melancia e vamos mastigando”, então, como ela já havia feito três vezes esse desafio, segui o conselho da veterana. E começamos a correr e pegamos uma subida cruel e sem água. E eu falei e agora Tomiko, estamos sem água. E ela falou depois que terminar esse morro nós chegamos na praia Ponta das Canas” que é onde termina a prova. E eu disse “Tomiko, vai, vai, numa boa, vai porque vou andar e ela foi”…

UD Ultra Desafio Passa Quatro

Essa ultra já fiz três vezes, sendo primeiro nos 230km; terceira no geral feminino e ano passado já com o marca-passo fiz mais de 200km e peguei quarto geral feminino.

Cassino Ultra Race

A maior praia do mundo, são 230km, do Chuí, divisa do Uruguai, até praia do Rio Grande.

Alberto, um amigo que a corrida me deu

Foi uma corrida com clima seco, calor infernal e quando cheguei no km 90 fiquei sem água, minha camelBak havia furado e eu não percebi. Depois, à noite veio um temporal muito forte e muita gente ficou no pace de apoio e eu saí de novo, só eu e Deus. De repente tinha gente voltando. Segui naquela praia deserta, tudo escuro, um vento muito, mas muito forte, muita chuva e muito raios. Quando vinha o relâmpago dava pra ver a praia ao longe e as dunas. Segui correndo praticamente de quatro e tinha a impressão de estar correndo dentro de um túnel, olhava para os lados e não via um metro do nariz. A chuva forte doía nos ombros. Naquele momento briguei com Nossa Senhora: “Mãe do Céu, a Senhora diz que é nossa mãe, então, mande um resgate porque aqui temos mais de 40 filhos seus e se cair um raio não vai tem nada para resgatar. Rezei um Pai Nosso, uma Ave Maria e Glória ao Pai e quando terminei de rezar avistei lá no infinito um piscar de luz. Chorei de soluçar feito uma criança. Meu coração batia forte.

Momento só meu

Corri, somente eu e Deus e Nossa Senhora, sem enxergar nada, demorou horas. Quando de repente o caminhão do exército surge e o motorista diz: “minha senhora, vá para trás que estamos resgatando os atletas”. Quando subi vi dois atletas deitados, desmaiado e eu falei: “nossa, onde vocês estavam, na guerra”?  E os militares riram, “só você para brigar” e continuaram a resgatar outros atletas nas dunas, cobertos de areia., só com a lanterna piscando. Essa foi a Ultramaratona mais difícil que fiz até hoje. A corrida foi cancelada no km 130. Depois do temporal perguntei para a organização se pode continuar. O pessoal do exército falou: “se vocês quiserem continuar até Rio Grande vocês podem ir, mas não daremos mais apoio e temporal pode cair de novo”. Mais uma vez eu fui…  depois desta prova eles mudaram o percurso.

A prova é de 230 só que 230 kms de ninguém na praia. A praia é tão deserta que durante a II Guerra Mundial os submarinos alemães estivem por lá e inclusive o Hitler esteve também, em uma oportunidade, segundo os arquivos do FBI. Na cidade Casino, tem um hotel que em 1945 apresentou um balé com a presença de Hitler.

Desafio Praias e Trilhas

O percurso foi todo desenhado pela costa leste da ilha, perfazendo 82 km, divididos em dois dias; o esforço para realizá-lo, pela irregularidade do terreno a ser vencido, equivale a 60 km por dia. É uma prova das mais técnicas do país e com uma das paisagens mais deslumbrantes na modalidade, passando por trechos muitas vezes desconhecidos da população nativa da ilha. São trilhas, costões, pedras enormes, praias, subidas e descidas íngremes, com desnível positivo e negativo no primeiro dia de 1.137m e no segundo 1.160m.

Dois amigos: Heroi Fung e Alberto Cross

Prova duríssima só de dunas e praias e na praia de Joaquina nós temos 3/4 de dunas e vi uns caras com polainas e esquis e perguntei pra Tomiko “que negócio é esse” e ela respondeu “Alberto tu vai ver daqui a pouco, o negócio é feio”. Só vim a entender quando começamos a subir as dunas e a areia começou a encher o tênis, as bolhas começaram a estourar, as unhas começaram a arder e falei pra ela “Tomiko isso é coisa do Cão”. Mas ainda tinha outros desafios. Quando a gente chegou no vilarejo perto da Lagoa da Conceição, uma subida bem nervosa. No segundo dia pegamos a Praia do Mole. Vi os atletas pisando no mesmo lugar, só depois entendi que se você não pisar onde já pisaram você afunda mesmo, a areia afunda e você vai junto.

Foi muito interessante um fato, eu já estava caminhando quando eu a alcancei e perguntei pra ela:  e aí Tomiko, “é mole pro gato subir aquela colina” e ela respondeu “meu eu já fiz a volta da ilha e mordi meu trofeusinho” e quantas são essa prova, e ela respondeu, “são 259km” e eu respondi, “deixa quieto” (risos)

Essa corrida é top, uma das melhores provas que já fizemos. E lá fizemos muitos amigos: Simas, Valderes, Áureo top da BR 135, Ariovaldo Branco meu irmão, Rosivaldo, Andrade.

Desafios Praias e Trilhas, 84km, uma prova muito difícil. Ela estava lá e tenho certeza que ela beliscou.

 Desafio da Terra

Dois dias de corrida, 80km. Nesse dia fechou o tempo, muita chuva e granizo quando cheguei no cume, sozinha. Os granizos caiam na cabeça como pedras e nada para abrigar. Foi muito difícil. Muito frio e chuva.

Imagine os desafios que já enfrentei 

Cicatriz