Marco Costa, Treinador, Personal Trainer ou corredor?

Conhecemos o Marco Costa durante nossa viagem para fazer o “Desafio do Dunga, na Disney” em 2016. Um cara muito compenetrado quando se tratava de falar de corrida, mas um verdadeiro brincalhão quanto a tudo que se passava ao redor. Não demorou muito e já estávamos todos envolvidos na boa bagunça que a “Tavares Turismo” nos presenteava durante todos os 9 dias. Nesse período tivemos “causos” dignos de programa de humor…

Essa amizade conquistada em tão boa companhia levou o site “Sangue de Corredor” a criar uma coluna “Sangue nas Canelas”, especialmente para o Marco Costa, pelo corredor, pelo ser-humano e profissional que é…

Pensando muito a equipe lançou lhe um novo desafio: ELE MESMO CONTAR A SUA HISTÓRIA!

Eis o resultado…

Marco Costa por Marco Costa

Escrever sobre treinamento educativo e funcional é moleza, agora quando me pedem para escrever sobre a minha pessoa?

Vamos lá?

Anúncios

Então, faremos assim: escrevi a minha trajetória e deixo para o leitor me analisar.

Sendo neto de mineiros e de um austríaco (que chegou ao Brasil em 1940 no período da II Guerra Mundial), meus avós (tanto do lado da minha mãe quanto do meu pai) sempre trabalharam muito para dar ótimas condições de vida para meus pais, tios e primos, além de nos ensinar ótimos valores. Com isso, tive uma infância muito boa e com muitas oportunidades para aprender e aproveitar as brincadeiras neste período.

Minha familia

No início da adolescência, a empresa do meu avô fechou as portas e a situação financeira de casa apertou. Nisso, para ter dinheiro para comprar algo para mim sem precisar pedir nada aos meus pais (que trabalhavam demais para pagar as contas de casa e nos manter numa escola boa), passei a ajudar meu pai na loja de Informática dele aos sábados (posso dizer que este foi o meu primeiro emprego). Anos depois, a loja também fechou e passei apenas a me preocupar com os estudos e pensar em alguma profissão que eu gostasse (trabalhar com o que gosta sempre foi o lema da minha casa).

Por gostar muito de futebol, jogar pelo time da escola e ter começado a correr com o meu pai (que já treinava, mas teve que retomar “do zero” após uma suspeita de isquemia), definitivamente escolhi o curso de Educação Física como profissão. A partir daí, além da paixão pela corrida de rua aumentar, passei a pesquisar mais sobre o mercado antes de prestar vestibular. O objetivo era entrar na USP, mas fui aprovado na UniFMU (também muito reconhecida no mercado).

Professor Luis Tavares

Entre a definição que faria o curso na UniFMU e o início das aulas, meus pais me falavam que eu já deveria procurar estágio para aprender e ter mais contato na prática. Uma semana antes de começar a faculdade, tive a oportunidade de iniciar o estágio na Equipe de Corredores Tavares, quando pude dar o primeiro passo na carreira de treinador e melhorar o meu rendimento na corrida.

Neste período, tive a felicidade de conhecer o Professor Vanderlei Severiano (mais conhecido como Branca) e ele logo me convidou para estagiar na equipe dele aos sábados.

Na época, não havia tantas equipes de corrida como tem hoje e todos os treinadores se conheciam e pude fazer amizade com muitos deles (alguns destes, até o dia de hoje). Nisso, o treinador Renato Dutra (na época da então Batimentos Por Minuto, equipe que meu pai treinava), por já me conhecer e acompanhar de longe o meu desenvolvimento profissional, me convidou para estagiar na BPM (na época, a equipe “abriu uma filial” em Alphaville, passei a ajudar voluntariamente a treinadora Sueli Braz). Com isso, foi muito difícil ter que deixar as equipes Tavares e Branca Esportes pelas amizades que fiz nas duas assessorias.

Vanderlei Severiano, amigo e conselheiro.

Meses após o meu início na BPM, a equipe encerrou as atividades e cada um dos sócios seguiu seu caminho. Visando aprender cada vez mais a parte técnica, segui com a nova equipe do Prof. Renato Dutra (reconhecido por muitos pelo seu vasto conhecimento técnico) e seus sócios Ana Paula Cioni, Marcela Pierry, Fábio Pierry e Danilo Balu, chamada Ação Total. Lá, aprendi muito, terminei a faculdade de Educação Física trabalhando lá e fiquei mais um ano como “treinador formado”.

Como atleta, meus tempos melhoravam, chegando a concluir 3 maratonas neste período, chegando a ser 2 vezes vice-campeão na categoria entre 15 e 19 anos do Ranking CORPORE.

Com a faculdade concluída, logo ingressei na pós-graduação de Treinamento Desportivo, estudando mais 18 meses para aprender como prescrever os treinamentos de corrida. Na parte profissional, comecei a atuar também como Personal Trainer. Neste período, fiz minha 4ª maratona e meu melhor tempo nos 42,195km em Porto Alegre: 3h17min.

Após 1 ano de formado, apareceu um “susto” na vida particular. Percebi que havia algo estranho no meu organismo, pois tinha muita fome, muita sede e urinava muito após me hidratar. Fiz um exame de sangue e foi constatado que me tornei diabético do Tipo 1. Foi um baque inicial, mas logo me superei e passei a treinar para uma maratona e provar para mim mesmo que eu era capaz. Foram 4 meses sem trabalhar e dando prioridade à saúde, até que veio um convite do Prof. Branca para retornar à equipe Branca Esportes.

Superando meus limites

Na Branca Esportes, permaneci por quase 8 anos e, neste período, fiz mais 2 especializações (Fisiologia do Exercício e Administração e Marketing Esportivo), duas maratonas (Chicago-2005 e Paris-2008), passei a ter mais alunos de Personal Trainer, ganhei mais “bagagem” no mercado e aprendi como lidar com o aluno e entender as necessidades deles.

Em 2013, em busca de novos desafios, saí (da parte profissional, mas não de coração) da equipe Branca Esportes e decidi abrir, com um sócio, uma assessoria esportiva voltada apenas para gerenciar atividade física em condomínios.

No ano seguinte, tive um problema particular com um divórcio, que me tirou do eixo, mas que me fez “entrar de cabeça” nos meus treinos e treinar para uma maratona. Escolhi a Maratona do Rio de Janeiro e, no decorrer da preparação, queria também à Maratona da Disney. Pelas inscrições esgotadas na distância, os treinos voltaram-se para o “Desafio do Dunga”.

Nenhum problema é maior que sua capacidade de superação.

Desafio imposto, agora mãos à obra: treinar e se preparar para disputar o “Desafio do Dunga ou “Walt Disney World Marathon Weekend” ou simplesmente “Dopey Challenge, que é disputado no mês de janeiro no Complexo de Parques da Disney, na Flórida, EUA.

Para quem não sabe, o Desafio do Dunga consiste em quatro corridas em quatro dias consecutivos. Corre-se 5km na quinta-feira, 10km na sexta, 21km no sábado e culmina nos 42km do domingo, totalizando 78Km de corrida.

Para fazer este “desafio”, tive contato com o Treinamento Funcional na preparação, que me despertou interesse e passei a adotar nas minhas aulas de Personal Trainer.

Memorias de um corredor

Em janeiro de 2015, concluí o “Desafio do Dunga” e, por ter sido tão emocionante e com bons resultados, resolvi fazer novamente no ano seguinte para reduzir os tempos nas 4 provas.

Em 2016 estava lá eu de novo para mais um “Desafio do Dunga” e mais um desafio vencido, assumi um novo: escrever como consegui, com a corrida superar minha depressão e nasceu o filho predileto: “Desafio do Dunga: Superações Física, Mental e Pessoal em Duas Edições”. Nesse livro você encontrará as etapas de preparação para este desafio, assim como algumas informações técnicas e estratégias, cada detalhe dos quatro dias da prova que me fez retomar a autoconfiança, aprender algumas lições com os treinamentos e com as corridas em si.

Ano novo, vida nova, passei a retomar o foco às atividades profissionais, em especial às aulas de Personal Trainer para ajudar as pessoas a cuidarem da saúde, além de surgir uma oportunidade de lecionar nas escolas municipais da Prefeitura de Barueri como professor contratado em 2017.

Muito além que esposa

Em 2018, o foco na vida profissional continuou e, no lado pessoal, me sinto mais feliz que antes e quase que um cara completo. Hoje estou casado com a Viviane Fersil, que me dá forças e nunca deixa de me incentivar em cada nova oportunidade que nos aparece. Ela é meu anjo: está sempre ao meu lado em todos os momentos.

Bom, este foi o “resumo” da minha vida pessoal, profissional e de corredor. Foram períodos ótimos, com alguns desafios a serem superados, mas com muitas histórias a serem contadas. Nisso, já são 36 anos de vida, 19 anos trabalhando na área de Educação Física e 10 maratonas concluídas.

 

 

 

 

VIDA QUE SEGUE…