Andrea Silva, a mulher, baiana e corredora, sim senhor

A primeira vez que vi a Andrea, foi uma grata surpresa: uma pessoa muito alegre, parece que tomou chá de cabaça, pois falava pelos cotovelos; sempre sorridente, atenta, muito atenta a tudo ao redor, parecia tímida e jamais imaginava que um dia ela se tornaria a maratonista que se transformou. Um mulher forte, forjada no interior da Bahia.

 

Essa é a historia dela…

 

Meus tesouros

A Andrea é uma pessoa simples, uma pessoa feliz, uma baiana que sempre teve sonhos de sair, viajar, conhecer pessoas e que um dia teve a oportunidade de vir para São Paulo passear com uma prima e se encantou por esse lugar: o burburinho, o corre-corre, os arranha-céu e de repente decidiu ficar por aqui. Assim mesmo, sem mais nem menos! Quanto tempo? (Risos) uns vinte anos… sou apaixonada por São Paulo, mas minhas raízes estão na Bahia que é onde estão meus pais, meus irmãos, meus sobrinhos, é lá onde estão as minhas origens, minha história de vida e de formação como pessoa.

Meus tesouros: meu pai e minha mãe, que estão muito bem e tenho dois irmãos casados e com filhos. Todos os anos nos encontramos, quando não tenho condições de ir, por algum motivo, minha mãe e meu pai vem para cá. Não consigo ficar um ano sem vê-los. Quando começa a completar um ano de nossa última visita, o bichinho da saudade começa a apertar o coração.

Minha infância

A minha infância foi muuuiiiito feliz. Vivi todas as fases de criança: brincava de pega pega, de esconde esconde, pular corda, fazer comidinha, cantigas de roda… eu tive uma infância feliz, vivi todos os meus momentos, não tenho nenhum trauma de infância. Hoje sou grata a todos os ensinamentos que meus pais me deram. Apanhei muito quando era criança, era uma criança muito teimosa, muito danada, mas não rebelde e hoje eu vejo que aquela peia que levei me serviu para moldar a mulher que sou hoje.

Nasci em Aporá, uma cidadezinha muito pequena, na área rural, na fazenda do meu pai. Quando chegou meu período de escola, sai da fazenda e fui morar com minha avó e todo final de semana ia pra fazenda. Fiquei com minha avó da primeira até a quarta série e quando já estava na época do ginásio meus pais compraram uma casa e meus irmãos vieram morar e estudar na cidade.

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São Paulo ou Sampa

São Paulo nunca esteve nos meus planos como normalmente os jovens nordestinos pensam. Vir pra Sampa jamais fez parte de meus planos. Sair da cidade e vir pra cá foi puro acaso. Aconteceu que fui trabalhar para o IBGE, no senso (quando) e quando terminou o trabalho decidi fazer uma viagem para descansar e calhou de vir pra cá e acabei ficando, até quando? Só Deus sabe!

Vim passear, fui ficando, fui ficando e de repente decidi ficar. Não vim de mala e cuia… depois voltei pra Bahia buscar minhas coisas. Quando falei para meus pais que iria morar em São Paulo eles ficaram muito assustados, apreensivos. Os pais do interior têm aquele carinho muito grande e querem os filhos próximos a eles. Vim desprendida de qualquer vínculo familiar, deixei todos na Bahia. Normalmente jovens quando decidem sair da cidade normalmente vão para casa de parentes e em São Paulo eu não tinha ninguém.

Eu vim com uma prima e ficamos dividindo o apartamento. Ela me ajudou a procurar trabalho: fiz cursos e fui evoluindo a cada empresa que trabalhava.

Apesar de morar há mais de vinte anos em São Paulo não me considero um pouco paulista. Moro aqui, amo morar aqui, mas as minhas origens baianas nunca hei de perder por mais anos que fique aqui, principalmente o meu sotaque, não consigo me adaptar ao sotaque paulista. Não tem como perder, tirar o meu “oxente” (risos).

O mundo da corrida

Nunca fui uma pessoa sedentária, sempre fiz caminhadas e na época do colégio fiz educação física. A corrida em si mesmo nunca tive aquele desejo ou incentivo de participar.

O Tavares foi meu maior incentivador.

Conheci o Tavares através de uma rede social. Um belo dia a minha ex-cunhada me falou: “porque você não entra numa rede social, no Par Perfeito, uma rede de relacionamentos. Na hora respondi: “não, eu não gosto dessas coisas, deve ser complicado, devem ser pessoas falsas, mentirosas…” e ela: “não, é um site correto”. Pensei, pensei e um dia me inscrevi, pronto! E um certo dia o Tavares viu meu perfil, vi o perfil dele. Começamos a trocar informações, de repente ele pediu meu telefone, começou a mandar mensagens e depois de uns três quatro meses a gente combinou de se encontrar.

Minha outra metade: Luis Tavares

Baiana como sou, desconfiada como sou, comecei a fazer uma triagem para confirmar se ele era realmente quem ele falava ser: um dia fui no Parque do Ibirapuera para saber se ele existia mesmo, se era exatamente o que ele falava ser. Rodei a marquise toda, passei do lado dele conduzindo as aulas com os alunos mas ele não me viu… ver que o cara era ele mesmo e que havia me passado as informações corretas, fiquei mais segura em dar mais um passo. No dia seguinte marcamos nosso primeiro encontro. Marquei em um lugar público: na Marquise do Ibirapuera, um dos locais de trabalho dele. Esperei ele terminar a aula e conversamos pessoalmente pela primeira vez. Marcamos mais um encontro, mais um encontro e outros encontros para sabermos se era realmente aquilo que queríamos. Depois de alguns meses começamos a namorar.

“A gente começou a namorar no dia 25 de dezembro, porque seria uma data difícil de esquecer”, disse o Tavares. Na rede de relacionamento você específica além do seu perfil, quais são os seus gostos e eu enfatizei: “eu adoro gatos e a pessoa que quiser se relacionar comigo precisa gostar de gatos”!

O que o Tavares marcou em mim foram algumas qualidades que ele demostrou: um homem sincero, boa índole, sem filhos, relacionamentos maduros e senti um pouco de segurança.

A Andrea a corredora

Quando começamos nosso relacionamento eu me sentia um pouco deslocada, ele um Professor de Educação Física, um treinador e eu uma companheira que não participava desses eventos. Como gosto muito de estar no meio do público, das pessoas, conversar (literalmente converso pelos cotovelos) de repente eu me achei! Eu me achei direta e literalmente nesse meio. Aproveitei a ocasião e falei pra mim mesma: é aqui que me encontro, preciso de uma atividade física, de uma coisa que me dê prazer e foi quando comecei os treinamentos com ele no Ibirapuera. Ele só me exigia que fizesse os treinos.

As poderosas, no Chile

Normalmente eu não fazia o que estava especificado na planilha, sempre dei uma escapulida, mas sempre procurei treinar, do meu jeito e no meu tempo. Comecei a caminhar, ele foi me passando todas as dicas até que chegou o dia do meu batismo.

A minha primeira prova de 5k foi no Rio de Janeiro, em 2015, na Family Run, da Meia Maratona do Rio de Janeiro. Para essa prova eu treinei em São Paulo. Fiz os treinos específicos, treinando 2k, 3k e aumentando o percurso. Durante um bom tempo o Tavares ia todo sábado para a USP para treinar e me acompanhava, me ensinando: não bater o pé no chão, fazer os movimentos dos braços, controlar a respiração, não baixar a cabeça, deixar a cabeça sempre erguida, que não arrastasse o pé no chão para não dá canseira. Uma noite na USP corri 5k.

E chegou o dia da prova.

No grupo que a gente levou para o Rio tinham umas 50 pessoas e ninguém iria fazer os 5k, só eu. Na manhã da corrida o Tavares foi com pessoal para a largada dos 21k e fiquei no hotel.

A sensação era muito boa um misto de êxtase e apreensão. Corri e para falar a verdade, apesar de correr sozinha, não me senti só ao ver aquela multidão aplaudindo. Fiz essa prova em 32 minutos.

Concluída a primeira prova, o bicho da corrida me pegou de jeito. Senti que podia um pouco mais: depois do 5k, fiz 8k, fiz 10k ai comecei a pensar mais ousadamente. Quero fazer 21k! E comecei a fazer treinamento para esse percurso.

Mesmo treinando, pensava: “será que vou consegui fazer uma meia Maratona”? Treinei muito e minha primeira Meia Maratona foi em Buenos Aires, na sequência fiz outra no Rio de Janeiro (já fiz três meia Maratona no Rio) e feito a Meia o bicho, o desejo interno, o desafio de ser maratonista me pegou de jeito. E comecei o treinamento para maratona.

A primeira maratona a gente nunca esquece

Ano, 2018! Desafio do Dunga! Nesse desafio você corre no primeiro dia 5k, no segundo dia você corre 10k, no terceiro dia você corre 21k e no quarto dia você corre os 42. Não esqueça que tem os 42 e 196 metros, os terríveis 196 metros (risos). O treinamento para maratona te exige treinos intensivos ou se você não consegue fazer os treinos específicos, você deve colocar seu corpo a prova: períodos de 3, 4 horas ininterruptas de treinos, se você consegue ficar em movimento nesse período, você consegue concluir uma maratona por que seu organismo tem resistência.

Minha primeira maratona fiz em 6:40 horas e o Tavares me acompanhou do início ao fim. Quando eu queria forçar um pouco mais, ele pedia que reduzisse. Quando cheguei no 30k, meu Deus, ainda falta muito, mas aí pedi força a Ele e segui em frente. É assim fomos, correndo, se divertindo e cruzamos a linha de chegada juntos.

Cruzando a linha de chegada

Antes de cruzar a linha de chegada minha emoção era muito, muito forte, as lágrimas já vieram como um turbilhão, não tem como segurar a emoção, o coração parecia que iria sair pela boca, passa um filme de segundos na tua mente: a preparação para a corrida, as coisas que você abdicou para estar ali, a viagem, toda aquela multidão cada a seu jeito, momento único, mesmo que você venha a fazer mil corridas… os últimos 196 metros foram uma eternidade, procurei filmar esse percurso e até hoje me emociono quando assisto… pra quem corre entende o que estou falando é uma coisa muito pessoal, eu não vou chorar, tem que chorar porque é um momento muito pessoal, é uma conquista sua!

A primeira maratona foi a da Disney, depois fiz a Maratona de Porto Alegre, porque queria fazer uma maratona no Brasil para sentir como é que é. A Maratona de Porto Alegre é uma maratona escolhida por corredores que buscam índices para Boston, Londres e outros lugares. Essa Maratona é uma maratona plana, não tem muita inclinação, uma prova boa pra correr, eu indico.

No dia que corremos choveu muito, o percurso inteiro, nessa prova o Tavares correu junto comigo e o Pereira, um aluno que estava fazendo sua primeira maratona. Nessa prova perdi duas unhas e consegui concluir no tempo da prova. E mais uma vez chorei muito. Quando faltava 500 metros para terminar a prova, eu não acreditava que estava concluindo, chorei até cruzar a linha de chegada. Quando cruzamos a linha de chegada indo em direção para pegar a medalha ouvi o locutor falar que faltavam 10 minutos para terminar a prova aí eu falei: “nossa Tavares você falou pra mim que a prova só tinha seis horas” e ele me respondeu “ora, se eu falo que a prova tinha seis horas você iria querer correr forte e podia se machucar” e eu falei “ia mesmo e se chegasse e não tivesse medalha eu ia chorar, chorar, chorar até a organização me dar uma medalha, porque você correr 42k , você passar do tempo e não receber deve ser uma grande decepção… mas, conclui e peguei minha medalha!

Momento seu

Em 2018, no percurso dos 21, na Disney, falei para o Tavares que eu iria fazer essa prova para mim mesmo e que ele fosse no seu ritmo. Como nordestina, vindo do interior da Bahia, de uma família de agricultores, que nunca sonhou está ali, foi arrebatador.

Minha maior conquista, até a próxima.

A cada quilômetros eu parava e ficava imaginando: meu Deus, hoje, vir de Aporá, no interior da Bahia e estou aqui. Parava e ficava olhando para aquele mundo, um mundo que nunca tinha vivido, nunca tinha sonhado e só vira aquele mundo na televisão ou nas revistas, ao ver o Castelo da Cinderela, aquele mundo mágico participando de um evento com uma grande massa de pessoas. Agradecia a Deus a cada trote, a cada passada. Não era um sonho de criança, aquele desejo de ir pra Disney, mas estando ali eu voltei a minha infância, relembrava alguns momentos e era algo que nunca imaginei acontecer, de corpo e alma, inteira, abobada, pedia pras pessoas tirarem fotos, para mim era uma coisa concreta, está ali, foi um momento singular, muito gratificante!

Os próximos desafios

Maio Meia Maratona de Lima, no Peru, as duas meias do Rio, a Meia de São Paulo, a Meia Maratona das Cataratas, Volta da Pampulha, BH e o Desafio de Dunga…

Daqui a 10 anos

Daqui a 10 anos prendendo está bem comigo mesma como estou hoje, com saúde, correndo e os planos a gente faz, mas Deus é quem nos comanda. Planejamos, mas entregamos nas mãos de Deus e que ele me ajude a realizar esses sonhos.

Amigos e motivadores

Na minha vida tive muitas pessoas que me marcaram e nesse mundo corrida conheci pessoas maravilhosas, pessoas que nunca tinha visto e em pouco tempo tenho uma consideração enorme e sei que é recíproco.

Admiração e motivador posso citar um grande exemplo em minha vida: meu irmão André, que está fazendo aniversário, pelo que é, como irmão, como pai, como filho, como marido, uma pessoa batalhadora. Minha família, amo-os de paixão.

A corrida para mim é uma poupança

A corrida é um esporte que não pretendo deixar nunca mais. A corrida além de fazer um bem enorme, é um antidepressivo, antiestresse, é uma poupança que a gente faz para o futuro porque não vou precisar tomar remédios pra depressão, não vou precisar ir para uma poltrona com psicólogo, não vou precisar fazer terapia.

A corrida é um lugar que você se encontra com o próprio “eu”, mesmo você correndo com outra pessoa como gosto de correr e conversar no percurso, chega um momento de reflexão sua, você conversa muito com o seu “eu”, agradece a Deus. A corrida tem o dom de ser única: você consegue pegar na mão das pessoas, abraçar as pessoas independe de cor, sexo, classe social e ela permite uma interação, uma perfeita socialização. Por mais diferente que sejam as pessoas, cada corredor está no mesmo nível do outro corredor: suado, cansado. Não consigo correr com fones de ouvido, porque gosto de estar ouvindo a batida do tênis, a respiração ofegante do corredor que passou por mim ou está a meu lado, o barulhinho do relógio quando você completou mais um quilômetro, cumprimentar quem você conhece ou quem você só viu agora, isso é a corrida para mim. Um universo de infinitas possibilidades.

Amor correr. A corrida foi amor ao primeiro tênis.

 

Como os amigos veem essa baiana porreta

 

Casal Magda e Jose Mauricio Cabral

 

Amigos queridos

Depoimento da Magda: Falar da Andreia é muito fácil. Amiga querida, pessoa alegre e positiva sempre. Mulher guerreira sempre pronta e disposta. não foge à luta. Não esmorece. Parceira!

Depoimento do Jose Mauricio Cabral: A Andreia é uma mulher multitarefas e ligada no 220. Além de se dedicar várias horas do dia ao seu emprego formal, trabalhar nos eventos da Equipe Tavares, ainda tem energia para seus treinos de corrida. Mas, eu como um bom baiano, o que mais gosto nela é a sua “baianidade”. Nas viagens, nas corridas, nos treinos, nos eventos da equipe, onde tem Andreia tem festa!!!

 

Mary Lo

 

Vamos lá. Quando conheci a Andreia não imaginava que seríamos tão parceiras nas provas. Ela evoluiu rapidamente na corrida e hoje formamos uma dupla corredora e tagarela hahaha…

Admiro muito a determinação, garra, alegria e energia que ela emana e contagia por onde passa. Não esqueço quando corremos a Meia Maratona de Santiago, em 2017, ela parecia uma pipoquinha pulando de alegria toda vez q alguém dizia “Brasil! Brasil!”… dois corredores nos abordaram no final da prova e perguntaram como conseguimos correr e conversar tanto hahaha. Foi nessa prova que a dupla se formou. Daí pra frente corremos várias outras, por último filmamos o percurso de IGT 23k e corremos os 21 km na Maratona Internacional de SP

Adoro a companhia dela, o modo carinhoso como trata as pessoas, a admiração e respeito que tem pelo Tavares. Agradeço ao Universo por conhecer essa pessoa tão especial e cheia de energia

 

Maria da Conceição Pires

Andréia é uma mulher muito destemida, enfrenta a vida com coragem, otimismo e que gosta de desafios. É aquele tipo de pessoa que vai chegando devagar e de repente consegue envolver a todos com seu largo sorriso e simpatia. Espalha alegrai por onde passa.

Com Maria da Conceição

Quando começou a correr fez da corrida o seu esporte favorito. Dedicou-se muito aos treinos com foco, disciplina tornando-se atualmente uma maratonista. Na Meia Maratona de Santiago, sua primeira meia maratona ela largou junto de todos nós, mas chegou na frente de muitos, inclusive do Tavares. Estava com o Nelson próximo a linha de chegada, quando o Tavares falou: “vou no hotel, tomar um banho e volto para esperar a Andrea” e o Nelson com aquele sorriso maroto respondeu: “a Andrea já passou faz mais de 10 minutos…” (risos)

Outro fato interessante foi no Desafio do Dunga, quando chegamos ao hall do hotel e de repente chega a Andrea à la “Baby Brasil”: um grande óculos verde e amarelo, um gorro também verde e amarelo com uma bola verde amarela e a bandeira do Brasil nas mãos…

Falar da Andreia é também falar de uma pessoa que sabe ser amiga, companheira. Sinto-me honrada de contar com a sua amizade.

Parabéns Andreia pelas suas conquistas.

 

Lilian Espindola

Andreia é uma mulher sensacional. Além de divertida, engraçada e falante é uma mulher com grande história de vida e ótima para horas e horas de bom papo, risadas e conselhos.

Amiga que a corrida me deu

Mas o que mais surpreende na Andreia é a extraordinária força de vontade. Foi impressionante ver o seu desenvolvimento no ambiente da corrida.

Rapidamente seus treinos ganharam volume e seus recordes pessoais começaram a aparecer nas corridas de longa distância. Extravagante, com meias e óculos coloridos, destaca-se no meio da multidão não apenas pelas roupas, mas pela alegria com que corre, aproveitando cada metro percorrido com grande intensidade!

À Andreia, desejo toda sorte do mundo. Muita FORÇA para enfrentar qualquer obstáculo, garra para tantas jornadas e muita paciência com o amor…”

 

Depoimento do Luis Tavares

A Andrea é uma pessoa que tem muito a ver comigo porque ela veio para São Paulo sozinha toda família dela está na Bahia e ela não tem mais ninguém. E eu vivi minha vida toda para cuidar da minha mãe e isso gerava uma insegurança muito grande na minha vida e na minha cabeça porque eu sabia que minha mãe não seria eterna. E quando minha mãe começou a ficar doente a insegurança aumentou ainda mais e em alguns (muitos) momentos eu me perguntava: quando me mãe se for o que será da minha vida, metade de mim mesmo terá partido.

Foi nesse cenário que conheci Andrea e ela conseguiu descobrir novas coisas e novos mundos. Como uma pessoa sozinha e um pequeno círculo de amizade ela começou a se envolver também como o pessoal da Equipe. E de repente ela estava envolvida até o pescoço com a corrida.

Durante a fase que minha mãe estava doente ela me apoiou muito. Depois que minha mãe se foi ela assumiu a posição de companheira de vida, de corrida, de alegrias e tristezas, de viagens nesse nosso ambiente de corrida. Hoje vivemos um para o outro.

Às vezes a Andrea brinca: “como vai ser daqui a alguns anos, nos dois velhinhos, de bengala”? Respondo para ela: “vamos viver o presente e viver uma coisa de cada vez”

A Andreia é uma alegria em pessoa, quando há conheci, era uma pessoa totalmente sedentária e mal imaginava ela que um dia iria virar corredora, e com seu jeito comunicativa e alegre, logo caiu na graça da minha equipe e começou me acompanhar nas viagens e gerando simpatia por todos que passaram a conhece-la. Como ela passou a viajar para me acompanhar começou a correr e me surpreendeu com poucos meses de corrida já está fazendo uma meia maratona, em 1 ano ela participou e concluiu o seu primeiro “Desafio do Dunga”, na Disney, e a primeira Maratona de sua vida. Uma pessoa que tem muita resistência e se treinar firme com certeza será uma grande atleta.

A Andrea me completa, estou muito feliz com a presença dela, ela me traz alegria por onde passa. Ela sempre está alegre, mesmo que às vezes dê uns fora. A corrida mudou o humor dela, a corrida deu uma mudança radical na vida dele, ela consegue transbordar energia, calor, alegria a cada quilômetro de cada corrida.

Acho que nascemos um para outro, hoje ela é minha cara metade, não conseguiria viver sem ela ao meu lado!!!