Marcelo Rocha, o carteiro e corredor das mil corridas

Sou Marcelo Henrique Rocha, nascido em Luziânia interior de São Paulo, tenho 46 anos, passei maior tempo residindo, trabalhando e treinando em Tupã, cidade onde estão meus familiares até hoje. Estou há sete anos morando em Adamantina, trabalhando nos Correios como carteiro motorizado. Nos anos 93 e 94 estive residindo aqui e trabalhando como gerente de loja de calçados. Como sou um homem do mundo, morei também em Lins, Brasília, Curitiba e Londrina.

Em 2011 conheci a mãe dos meus filhos, ela já tinha a Maria Clara de 11 meses de vida, moça muito jovem, estava sozinho há alguns anos, me envolvi pelo encantamento e com 3 meses de namoro concebemos a Marcella. A partir daí foi uma luta insana: minha preocupação era ter um lar pois eu morava em um porão cedido por um casal de amigos irmãos, local que até hoje eu sempre uso nos intervalos do trabalho e treinos. Fica no centro da cidade a 200m do meu trabalho, mão na roda pra quem não tem muito tempo.

Meus tesouros: Benjamim, Marcella e Clara

Com muito esforço, trabalho, treino e sempre com a ajuda da minha família, consegui formar um lar para abrigar meus pequenos. Sempre foi uma luta. Quando a Marcella nasceu tive mais força pra seguir vencendo as corridas e nos desafios diários que tinha que enfrentar. Me deu novo gás…

Em 2014 tivemos a notícia da chegada do Benjamim e em 2015 após a Vitória da Mizuno Uphill as coisas pioraram por aqui. Enquanto vivi com eles foram muitos sacrifícios para não deixar de treinar um dia, fazia meus treinos após as 23hs, chegava do trabalho e só saia para treinar após brincar e deixá-los alimentados e na cama.

Hoje vivemos ainda na mesma cidade! Separamos há três anos, mas mesmo assim acompanho de perto o desenvolvimento deles e procuro ao máximo ser um pai presente. Quando não tem competição ou treinos importante, levo-os para Tupã onde passamos o final de semana juntos, outras vezes, ficamos por aqui mesmo, em Adamantina. Uma vez por semana tomamos café juntos e aproveito para levá-los para a escola. Faço tudo, literalmente tudo por eles, são meus maiores tesouros. Esses quatros são maiores que todos os troféus e medalhas juntos. Sempre estarei por perto, até quando Deus assim permitir e eles criarem asas e sabedoria por suas próprias vidas.

Minha rotina é a de um cara que todo dia acorda pronto para matar leão, às vezes, mais de um.

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Amigos que a corrida me deu.

Com muito sacrifício consegui me formar Professor de Educação Física, dou assessoria de corrida. Tenho um grupo aqui de alunos e atletas e outros mais espalhados pelo Brasil. Esse é meu lado esportivo. Mas meu trabalho mesmo é como carteiro motorizado dos Correios.

Na semana da competição procuro diminuir o volume, se a prova é alvo, se não, eu treino normal até a sexta, sempre descanso na véspera. Quanto a alimentação não faço nada diferente dos dias de treinos. Para as maratonas capricho nos carboidratos antes e proteínas pós Maratona…

Sempre fiz corrida sem pensar em viver dela, mas sempre agreguei a corrida na minha vida: conheci países, lugares, conquistei muito amigos por onde corri, sempre ajudei outros atletas nas informações de treinos.

Pra quem já correu quase mil provas é muito difícil falar sobre uma apenas, mas acho que a “Mizuno Uphill” foi divisor de águas. Com as vitorias que conquistei pude viajar por 2 vezes à Holanda. Lá pude conhecer uma legião de apaixonados por desafio (ninjas runners rrrsss)

Mas tem aquelas que salvava a pátria também, porque nada vem de graça… você investe muito tempo, até mesmo a família por um sonho …

Eu cresci correndo, sempre levando mais Não do que um Sim, por isso insisti nas corridas!

Na época da construção da casa, graças a Deus, existiu a Meia Maratona do Pantanal em Campo Grande, fiz por 4 anos, sempre em outubro e sempre recebia a premiação nas vésperas do Natal. Me ajudou muito. Tenho muita gratidão por estas provas.

Desafio completado.

Deus nunca me deixou na mão. Todo dia agradeço a Ele pela vida, pela saúde, pela família, pela oportunidade de continuar correndo, que é o que mais gosto de fazer, além do amor que tenho pelos meus filhos. Depois da copa 2014 as coisas ficaram mais difíceis mas procuro não me abater, tudo uma família para cuidar e preciso estar sempre pronto para cada desafio. Esse ano vamos para a 5a “Minuzo Uphill” agregando valores e levando comigo quase 20 Alunos para essa prova

 

 

 

Lembrando cada momento vai passando um filme na minha cabeça

A corrida entrou na minha vida quando tinha apenas 10 anos, me espelhando no meu irmão mais velho que estava praticando ciclismo e corrida. Incentivado por ele, participei de uma Corrida Rústica de 1.200m onde fui o campeão. Naquela época haviam poucas provas, e como sempre estudei a noite na época do colégio. Por estudar a noite e trabalhar, nunca pude participar dos jogos escolares o que poderia ter sido uma grande oportunidade de fazer resultado, mas, em função das dificuldades: não tínhamos recursos e nem conhecimento técnico para isso, foi tudo na base da vontade mesmo!

Um momento.

Após alguns anos, até a fase juvenil, foi quando pude competir mais e ter a certeza que levava jeito para as corridas de longa distância. Tínhamos uma equipe de corredores na época e com o apoio da Prefeitura participávamos de algumas provas de rua na região. A maioria dos amigos de equipe migraram para outras atividades, porem segui firme na busca de bons resultados e melhores performance nas corridas. Corro há mais de 36 anos, sem interrupção, já estou quase alcançando uma marca de Mil provas

Nos últimos 15 anos venci uma média de 200 provas. Hoje já sou categoria Master, porém, competindo em alto nível, treinando sempre para manter um bom nível e estar sempre bem classificado nas principais provas escolhidas na temporada.

A corrida depende muito de estar motivado para realizar o treinamento e ao passar dos anos a experiência vale muito a pena, enquanto não existir lesão seguirei treinando e buscando novos desafios.

Não existe uma idade para parar. A corrida é um esporte muito democrático, tem crescido assustadoramente graças à Deus. A corrida é um esporte que te faz sempre idealizar algo de novo em uma temporada, hoje existem vários tipos de competições dentro das corridas, de uma simples prova de 5km até uma ultramaratona de 100km, 12 horas e 24 horas.

Nesses trinta e seis anos de corrida, para mim, correr uma maratona é algo normal, mas ainda tenho um sonho a realizar: participar e completar uma ultramaratona de 100km no exterior.

Já realizei muitos sonhos, como participar de um campeonato mundial, ser podium em uma Maratona, vencer uma maratona, voltar ao exterior para correr uma maratona, bater recordes em algumas provas tradicionais, vencer uma corrida novamente 25 anos após de ter vencida uma vez.

Minha maior distância em competição foi a Maratona que são 42.195m. Já fiz 34 maratonas, porém em um único dia de treinamento fiz 65km no ano de 2007. Dentre os títulos conquistados, muitos são importantes, pois sempre houve muita dedicação para conquista-los.

 

Mas sempre a última grande conquista é mais importante até que outra aconteça.

E sem dúvida minha melhor corrida foi a vitória na “Maratona Da Serra do Rio do Rastro /Mizuno UpHill” uma maratona em subida, talvez umas das mais difíceis do planeta. Como prêmio foi a oportunidade de correr uma maratona na Holanda em outubro 2016, fato que aconteceu em 2017.

Nesta temporada de 2019 estarei focando 4 maratonas: Maratona de São Paulo, que em 2016 fui 9o Geral e 6o melhor Brasileiro na prova; tentar o 4o podium na “Mizuno UpHill”, final de agosto; correr a “Maratona de Foz do Iguaçu” e fechar com chave de ouro na “Maratona de Curitiba”.

Força e honra.

A corrida tem e sempre teve um papel importante na minha vida, pois me deu acima de tudo saúde, disciplina, conhecimento, amigos, histórias importantes e me levou a muitos lugares deste imenso país, fez com que eu nunca, por mais simples que fosse um projeto ficasse pela metade.

A corrida me deu determinação na vida dentro e fora das pistas, ser um espelho para meus filhos como meu irmão mais velho foi para mim 36 anos atrás. É ter uma história boa para contar no futuro.

 

O que falam os amigos:

 

Sidney Souza

 

O que tenho a falar desse atleta amigo querido meu prof Marcelo Rocha?

Com Sidney Souza

Uma pessoa fantástica maravilhosa um coração generoso para um mito. Um cara que  admiro muito e tenho um enorme respeito e carinho; um ser humano fora do normal além de meu amigo.

É um cara onde ele chega conquista todo mundo e tem o dom de ser muito carismático, uma pessoa respeitada entre todos os atletas por ter um linda história no atletismo brasileira. Uma fera, um forte abraço é o que tenho a dizer sobre o Marcelo Henrique Rocha. Um grande homem, um pai espetacular, dedicado em tudo que faz; é um cara que tem tantas qualidades que fica difícil de falar dele porque sou muito fã desse guerreiro. Obrigado meu amigo, por fazer parte da história linda desse atleta consagrado

Obrigado Marcelo, pela oportunidade de comenta um pouco sobre você, esse monstro do atletismo, um cara simples e fenomenal.

 

 

Emerson Deva Viana

 

Pessoas especiais como Marcelo Rocha tem em si a essência da amizade, para perfumar o mundo com amor verdadeiro. Pessoas especiais são como anjos, com dedos de condão, para tocar com magia o semblante dos que amam correr. São dádivas de Deus, para abençoar os caminhos daqueles que cruzarem os seus.

Um exemplo de atleta a ser seguido, um homem trabalhador e um ótimo pai de família. Nos ensina que com muita determinação e amor conseguimos alcançar o nosso objetivo seja ele qual for.

Apesar de conhece-lo só por meio da rede sociais admiro muito o trabalho dele como atleta e ser humano que é. Parabens Marcelo e continue a ser esse cara que voce é, nunca perca sua essencia!