Eu, Fernanda Mendonça, maratonista, com muito orgulho

A primeira maratona a gente nunca esquece, não é mesmo Fernanda Mendonça? … e quando sua primeira maratona é nada mais e nada menos que a Maratona de Chicago? Não tem preço!

Por ela mesma,

O esporte sempre esteve presente na minha vida, desde pequena. Já fiz tudo quanto é esporte: natação, ginástica olímpica, capoeira, hidroginástica, futebol (adoro jogar futebol) e recentemente fiz muay thai.

Vim pra Brasilia em 2010 em virtude de ter sido aprovada num concurso público. Saí do conforto da casa dos meus pais em Juiz de Fora-MG e vim sozinha, sem nenhum parente aqui, pra explorar essa cidade e construir uma vida aqui.

Minha vida esportiva começou aqui em Brasília em 2012, quando fiz minha primeira corrida com meu ex-marido. Gostávamos muito de esportes, então um belo dia começamos a correr. Nos inscrevemos numa prova de 5km no Parque da Cidade e fomos. No início achamos meio estranho simplesmente sair correndo, aquela muvuca toda…rsrsrs, mas com o passar do tempo fomos gostando e cada dia que passava a gente ia querendo correr distâncias maiores.

Fizemos muitas provas de 5km, depois começamos a fazer provas de 10km e chegamos a fazer uma de 10 milhas. Cada prova era uma superação, uma sensação de conquista.

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Ficamos assim por uns dois anos, nessa vida de corridas de rua. Ele fez algumas provas de triathlon e eu fiquei só na corrida.

Em 2015 nos separamos, mas minha paixão pelo esporte só aumentou.

Entrei numa academia para fazer muay thai. Adorei! Me envolvi demais com o esporte, mas no final de 2016 resolvi entrar para uma assessoria de corrida.

Superação

Eu ia correr num parque que tinha perto de casa e via sempre uma galera de uma assessoria correndo lá. Acabei conhecendo o pessoal e entrei para a assessoria Marcia Rosa Runners. Lá conheci muita gente bacana, fiz muita amizade legal, comecei a fazer várias provas até mesmo fora de Brasília e em julho de 2017 fiz minha primeira meia maratona lá em São Paulo, a SP City, da Iguana. Me preparei pra ela, treinei e fui lá pra SP e fiz a prova. Foi uma ótima prova. Terminei super bem. Queria fazer abaixo de 2h mas consegui fazer em 2h01. Fiquei muito feliz com o resultado. Valeu demais a experiência. Já me enchi de orgulho pois quando comecei não imaginava nunca que seria capaz de correr 21km. Achava essa distância quase impossível.

Em maio de 2017, vi no Facebook uma propaganda das corridas da Disney, que acontecem todo ano em janeiro na cidade de Orlando, nos EUA. Sem querer e sem imaginar o que estava por vir, fiz um comentário na foto de uma agência de turismos fazendo propaganda da corrida e perguntei  como era, quais eram os valores e tal e quando vi, estava indo eu e mais 3 amigas de SP, que conheci através dessa propaganda no Facebook. Uma delas eu cheguei a conhecer em SP, quando fui correr a meia maratona. As outras duas conheci no aeroporto, no dia do embarque e adorei as meninas!!!! Ficamos amigas e nos demos muito bem na viagem. Parecia que já nos conhecíamos há décadas.

Foi uma corrida ou foi um sonho?

Foi uma ótima experiência correr lá na Disney. Uma verdadeira festa! A gente corre dentro dos parques da Disney, passa pelo famoso castelo das princesas, é uma diversão e tanto! Mas pegamos muito frio, com sensação térmica abaixo de zero. Foi um pouco sofrido correr no frio pois estou acostumada a correr na seca e no calor, com um monte de blusa mas valeu demais cada foto, cada corrida, cada esforço, cada parada que eu dava para tirar fotos lindas, naquele lugar mágico.

 Não encarei o Desafio do Dunga mas fiz  3 corridas: a de 5km, a de 10km e a de 21km. O Desafio inclui a Maratona de 42km também mas resolvi não correr 42km pois ainda não me sentia preparada. Resolvi esperar um pouco mais de tempo e em outubro de 2017 fui sorteada pra Maratona de Chicago. Tudo no seu tempo.

Foi maravilhosa a viagem porém cansativa pois as corridas eram em dias seguidos: a de 5km aconteceu na quinta feira, a de 10km na sexta e a meia maratona no sábado e alem delas, a gente quer fazer tudo, ir nos parques, fazer compras no Outlet, enfim, fazemos muita coisa e pouco espaço de tempo. Chegamos até a correr e no mesmo dia fomos passear em algum parque e fazer compras!!! Mas quem se importava? Chegávamos a noite no hotel exaustas, sabendo que no dia seguinte teríamos que levantar cedo pra outra corrida mas era tudo uma festa! A gente estava muito feliz, aproveitando cada momento, cada lugar, que dormir era apenas um mero detalhe. Digo e repito que a experiência vale muito a pena. Foi uma viagem que me marcou muito e me deixou boas lembranças, mesmo no frio….rsrs.

Em agosto de 2017 voltei pra natação. Esporte que amo muito também. Treinei quando era pequena, mas nada muito profissional. Não cheguei a ser atleta profissional, mas disputei alguns campeonatos entre os clubes da minha cidade natal, Juiz de Fora-MG. Disputei várias provas aqui em Brasília e participei até de um Campeonato Brasileiro em Curitiba em novembro de 2017. Foi super válida a experiência de nadar com os melhores nadadores do Brasil. Aprendi muito.

No inicio desse ano voltei a treinar legal natação. Tava indo 3x na semana pra piscina. Me deu um excelente condicionamento para a corrida.

Minha paixão

Esse ano também resolvi experimentar o Aquathlon, que é a mistura da corrida e da natação e amei!!! Participei de algumas provas aqui em Brasília, conquistei medalhas, subi no pódio e tudo mais. Cheguei a ser até classificada para disputar o Mundial na Dinamarca, em julho de 2018 mas como já estava comprometida tanto fisicamente quanto psicologicamente e financeiramente com a maratona de Chicago, não pude ir. Mas se rolar a oportunidade em 2019, prometo pensar com carinho.

Depois ainda fiz mais algumas meias maratonas aqui em Brasília, mas em agosto ou setembro de 2017 fiz inscrição pro sorteio da maratona de Chicago. Uma amiga minha me falou pra eu me inscrever pro sorteio e lá fui eu, toda inocente, imaginando que não seria sorteada pois geralmente não tenho tanta sorte assim. Fiz a inscrição no sorteio e deixei quieto. Daí chegou o dia do resultado, todo mundo comentando nos grupos e de repente recebo uma mensagem no meu celular dizendo que havia sido sorteada. Não imaginava que seria sorteada. Não passou pela minha cabeça que seria. Pronto. Lá estava meu maior desafio sendo traçado. Fiquei bem surpresa quando recebi a notícia. Era um misto de alegria, espanto e emoção…tudo misturado, afinal, eu havia sido sorteada para correr uma maratona em Chicago. Eram 42km!!!!!!

Eu havia sido sorteada para correr uma maratona em Chicago. Eram 42km!!!!

Já comecei a planejar a viagem, passagem, hospedagem, essas coisas e já comecei a pensar no caminho que eu ia trilhar para chegar ate lá. Éramos um grupo grande de corredores que estávamos indo correr a maratona. Então já começamos a planejar para fazermos tudo junto.

Chicago, queria voar

Foram meses de preparação desde o momento que fui sorteada até o dia da prova. Mas minha preparação começou mais quando faltavam uns 4 meses. E esse foi um erro. Deixei pra cima da hora e acabei sofrendo um pouco. Se tivesse feito tudo certinho, no tempo certo, algumas dores talvez teriam sido evitadas.

Vários treinos durante a semana (mais velocidade e menos volume) e o temido longão aos domingos (em torno de 25 a 32km).

Fiz o que deu pra fazer no tempo que tinha. Deixei pra intensificar o volume perto da prova (uns 2 meses), não malhei o tanto que deveria e ainda tinha que conciliar com a natação, que também estava a todo vapor.

Resultado: Apareceu uma lesão na minha canela, a temida canelite devido ao aumento rápido de volume de treinos. Fiz 15 sessões de fisioterapia, respeitei um período curto sem corrida, alonguei bastante, fiz compressas de gelo. Fiz tudo que estava ao meu alcance. E rezei muito para que nada me atrapalhasse no dia da corrida.

Então chegou o grande dia. Cheguei em Chicago na sexta pela manha. A prova seria domingo.

Deixei as malas no hotel e fui encontrar o pessoal lá na exposição pra retirar o kit. Eles já haviam chegado. Eu fui a última a chegar.

Entrando lá na exposição me dei conta da grandeza da corrida. Lotada!!! Muita gente na fila pra entrar. Emoção foi só aumentando. Peguei o kit (lindo por sinal), encontrei meus amigos e fomos dar uma volta pelo pavilhão. Tava tudo cheio. Milhares de pessoas ali reunidas para o mesmo propósito. Vários produtos de corrida, serviços, tudo respirava maratona. No sábado eu descansei um pouco, mas só um pouco mesmo pois fomos dar uma volta pela cidade pra conhecer. Tava tudo parado, cidade bem cheia, ruas já sendo fechadas para corrida. A adrenalina foi só aumentando.

E então chegou o grande dia.

Domingo cheguei cedo pra achar meu portão, fiquei esperando a largada, coração batendo forte, friozinho e muita gente ali esperando o grande momento. O nosso grupo se dividiu pois cada um largou em um portão.

Larguei. Corri. Me diverti e completei a prova.

Fiz com dor nos pés (já estava sentindo dores no tendão dos dois pés) mas qual corredor que não sente dores? A emoção e a adrenalina fazem você até esquecer das dores. A canela não me incomodou, graças a Deus. Mas fiz na raça, com o coração. Emoção do km1 ao km42. Foi linda. Todas a pessoas na rua, gritando, batendo palmas, te parabenizando.

Missão cumprida.

Foi o que me motivou o tempo todo. Além disso, pensava nos meus pais, minhas irmãs, todo mundo que sempre me apoia, me dá forças, todos meus amigos que estão sempre me apoiando e me encorajando a encarar novos desafios. Pensava neles e tudo fluía lindamente.

O tempo passou que nem percebi. Quando vi, já tinha corrido 30 km e ai lembrei que me falaram da barreira dos 30. Mas estava me divertindo, curtindo tudo que nem percebi os outros 12 que ainda restavam. E de repente, lá estava a linha de chegada. Não me aguentei. Assim que atravessei a linha, caí no choro. Choro de dor, de emoção, de glória, de conquista. Tinha corrido uma maratona. Tinha completado. Me sentia a pessoa mais feliz e grata do mundo! Todos os meus esforços fizeram tudo valer a pena.

Então depois de toda essa emoção, posso dizer agora que sou maratonista!!!

Uma experiência incrível, que recomendo a todos fazerem pelo menos uma vez na vida.