Sorrir faz bem durante uma maratona

Os 42,195 quilômetros de uma maratona foram percorridos mais rapidamente até hoje pelo queniano Eliud Kipchoge, em 2 horas e 25 segundos. Ele fez os últimos metros da corrida com um sorriso no rosto, que não era apenas de alegria pelo ótimo tempo, mas também uma tentativa de melhorar a chegada, segundo seu depoimento após a prova.

O efeito psicológico do sorriso no esporte vem sendo estudado nos últimos anos, mas será que ele tem alguma ação mais concentra sobre a fisiologia do corpo em um momento de esforço? Essa foi a pergunta respondida por uma pesquisa interessante publicado em setembro desse ano no Psycology of Sports and Exercise.

Vinte quatro corredores experientes correram por 6 minutos enquanto seu consumo de oxigênio era medido, em quatro condições: sorrindo constantemente, franzindo a testa, tentando relaxar os braços e naturalmente. O objetivo foi medir o gasto de energia nas diferentes situações.

Os resultados mostraram que correr sorrindo reduziu o gasto de energia em 2,78%, o que seria relevante em uma prova. Segundo um dos autores da pesquisa, isso poderia se explicar por um relaxamento muscular produzido pelo sorrido.

Porém, os corredores não conseguiam manter-se sorrindo sinceramente por muito tempo, e um sorriso forçado é diferente de algo natural. Por isso, os autores propõem dar um sorriso nos últimos segundos de prova, naquele momento da explosão para terminar com um melhor tempo.

Kipchoge correu à velocidade do raio nos primeiros 40 quilômetros (com parciais a cada cinco de 14m24s, 14m37s, 14m37s, 14m18s, 14m28s, 14m21s, 14m21s e 14m29s) e até acelerou, quase um sprint, nos últimos 2.195 metros, que correu em incríveis 6m8s, a um ritmo abaixo dos 14m em 5.000 metros. Conseguiu dessa forma seu verdadeiro objetivo, não só bater o recorde mundial e sim se transformar no primeiro homem que correu a maratona em menos de 2h2m. Depois, à sombra do Portão de Brandenburgocomemorou sua vitória como um jogador que faz um gol decisivo e proclamou, “só posso dizer uma palavra: obrigado”.

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“O espírito transporta o corpo, a força mental é essencial. Corro desconectado de meus pensamentos”, é o lema de Kipchoge, e seu espírito ascético e seu corpo finíssimo, nascido para a corrida de fundo, humanizam melhor do que ninguém os últimos avanços tecnológicos, tênis e bebidas que permitem que o estômago absorva todos os carboidratos que o organismo precisa para se repor, fundamentais na evolução das marcas na maratona.

Esse é apenas um estudo sobre esse assunto interessante, mas ainda sem muita evidência. Mas é claro que sorrir não custa nada, portanto, vale a pena tentar. Como fez Kipchoge.