Subidas e descidas

É fácil perceber que mudamos nossa forma de correr em subidas e descidas. Isso acontece pois ajustes no corpo são necessário para lidar com a inclinação do terreno. Sendo assim, diferenças em relação ao movimento de uma corrida no plano são esperados e naturais. Entenda o que acontece com o corpo e saiba identificar o que é normal para cada tipo de terreno.

Subida

Na subida é mais difícil levar toda a massa do corpo à frente em cada passada. Para lidar com essa situação, o corpo aumenta sua inclinação anteriormente e os músculos extensores têm que trabalhar mais. Tais músculos são os responsáveis pela impulsão do corpo, que na subida, geram uma força de propulsão até 75% maior do que quando corredores no plano.

Nossos passos são aproximadamente 5% menor no aclive e o impacto que o corpo sofre diminui muito. Essas características são positivas para corredores com lesões relacionadas ao impacto, como a canelite a fasceíte plantar. Porém, a grande força necessária nesse tipo de terreno não favorece os casos de lesões musculares.

Em subidas tendemos a aterrissar mais com o médio pé e ponta do pé.

Descida

A descida nos obrigada a frear mais o movimento. Por isso inclinamos o corpo para trás e aumentamos o tamanho do passo em aproximadamente 7%. Intuitivamente, temos que nos impulsionar menos, sendo a força de propulsão até 73% menor em comparação a um terreno plano. Já o impacto sobre o corpo a cada passo praticamente dobra, gerando uma alta sobrecarga sobre as articulações e prejudicando casos de lesões relacionados ao choque com o solo.

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Frear um movimento, como acontece no declive, exige um tipo de contração muscular distinta, chamada de contração excêntrica, na qual os músculos geram força enquanto aumentam de tamanho. Esse tipo de ação coloca a musculatura em maior sobrecarga e pode aumentar o risco de lesão caso seja realizada em excesso e sem preparação adequada.

Em descidas, tendemos a aterrissar com o calcanhar.

Quando sentir que sua pisada está “fugindo” do normal em um aclive ou declive não se preocupe, pois provavelmente é apenas uma adaptação normal. Porém, mantenha em mente que, justamente devido à essas adaptações, o volume de treinamento nesses terrenos deve ser bem controlado e em casos de lesões é preciso evitar o que aumenta a sobrecarga na estrutura afetada.

 

Raquel Castanharo

Texto originalmente publicado em minha coluna no Eu Atleta – Globo Esporte (www.euatleta.com)