Corrida de rua ajuda na preparação física no futebol

Que o Futebol é o esporte preferido de bilhões de pessoas e o esporte mais popular no mundo, isso é indiscutível. A paixão por vestir a camisa do time de coração e calçar uma chuteira faz com que muitos amantes daqueles que frequentam os “Rachas” nos principais clubes queiram melhorar o preparo físico e utilizam os treinos de Corrida como uma das estratégias para este objetivo. Será que o treinamento de Corrida de Rua é eficiente para uma pessoa ter melhoras dentro das quatro linhas? A comparação entre a Corrida de Rua e o Futebol será explicada detalhando cada uma das modalidades, através do princípio da Especificidade e da comparação entre as capacidades físicas Resistência, Velocidade e Agilidade entre cada uma delas.

É muito comum algumas pessoas darem início nos treinos de corrida para melhorar o desempenho nos jogos de Futebol nos finais de semana, tendo convicção que aguentarão correr durante toda a partida. Na teoria, este pensamento tem uma certa lógica pois é necessário que os jogadores de Futebol corram em campo ou na quadra (no caso do Futebol de Salão ou Futebol Society), mas, na prática, não é bem isso que acontece. De acordo com o princípio da Especificidade, para que ocorra melhora na performance de uma determinada modalidade, os treinamentos devem ser voltados para a realidade que o atleta encontrará na modalidade escolhida, tanto nos grupos musculares a serem priorizados quanto no sistema energético exigido pela atividade. Resumindo, os corredores terão benefícios com atividades voltadas à Corrida de Rua e os futebolistas com treinos específicos ao Futebol. Diante deste Princípio, é possível afirmar que a corrida faz parte de um treino de Futebol e deve ser incluída no treinamento, mas em durações menores e intensidades mais elevadas do que as realizadas por atletas que visam correr 5km, 10km, meia-maratona e maratona.

Analisando a capacidade física Resistência, é fato que um praticante de Futebol necessita aguentar o maior tempo possível o deslocamento durante uma partida e a utilização dos treinos de corrida ajudam para que a Resistência Aeróbia do jogador melhore. Entretanto, a realidade de um treino de Resistência de um jogo de futebol requer momentos de correr em velocidade para receber uma bola lançada pelo companheiro de time, trotar para voltar para ajudar na marcação, saltar para cabecear, caminhar após a conclusão de uma jogada, ao contrário da Corrida de Rua que realiza apenas o movimento de correr. Durante uma partida é possível que um futebolista percorra a mesma distância que um praticante de corrida de rua (por exemplo, 10 km), com a diferença que o corredor de rua faz percorre a distância predominantemente correndo (embora possa ter caminhadas no percurso) e, no Futebol, esta distância total é composta pelas movimentações citadas acima. Além disso, a intensidade das atividades durante uma partida de Futebol é maior do que na Corrida de Rua e a duração maior pelos corredores é maior do que dos futebolistas, ampliando a tese de que o trabalho de Resistência no Futebol e na Corrida de Rua são extremamente diferentes.

Embora a Velocidade seja determinante tanto para que uma corrida seja vencida quanto para que uma jogada no Futebol seja concluída em gol, aparecem diferenças as principais necessidades entre as fases desta capacidade física dentre as modalidades citadas neste texto. Enquanto a etapa de Aceleração (aumento progressivo da Velocidade) seja predominante no Futebol, devido ao fato de ter que atingir a velocidade máxima de alcançar uma bola ou de retornar rápido ao campo de defesa para “roubar” a bola do adversário, a Corrida de Rua necessita de uma maior Resistência de Velocidade, quando o corredor deve manter a maior velocidade atingida no maior tempo possível para ganhar uma prova ou melhorar os tempos.

Conforme descrito acima, diferenças existem nas capacidades físicas de Resistência e de Velocidade, mas estas não são tão nítidas quanto no desenvolvimento da Agilidade, pois, durante a corrida, o atleta corre sempre na mesma direção (para frente), considerada uma atividade cíclica por ter o mesmo movimento repetido várias vezes. Já no Futebol, mudanças de direções são constantes durante uma partida, quando o jogador corre para frente, para trás, para os lados e para a diagonal, dependendo da necessidade deste tipo de deslocamentos durante o jogo. Além disso, para driblar um adversário, mudar a direção é de extrema necessidade para que a busca pelo gol seja feita, seja ela na condução de bola ou fugir da marcação do adversário sem a mesma.

A análise das capacidades físicas citadas acima afirmam que os condicionamentos da Corrida e do Futebol estão muito distantes um do outro, diante da realidade de cada um deles, seja através da predominância dos tipos de metabolismo ou da forma de deslocamento nas pistas e nos campos. Além disso, não só a existência da bola que diferencia o Futebol da Corrida, como também a presença próxima do adversário e que um choque entre os jogadores também pode gerar lesões (o que não acontece na corrida, pois os atletas encontram-se lado a lado e não ocorre choque entre eles) junto com aquelas vindas da falta de alongamento e de fortalecimento adequados para ambas as atividades. De uma maneira resumida, é recomendado aos amantes da bola que realizem atividades voltadas ao Futebol e que os corredores se aproximem da realidade dos treinos de corrida, seguindo o princípio da Especificidade e que evitem a prática de ambos (pode-se escolher um deles) para que um não prejudique a performance do outro nem que apareçam lesões.

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Bons treinos (de corrida ou de futebol!!)

Marco Costa

Marco Costa

Corredor desde 1998. Graduado em Educação Física (UniFMU-2003); Pós-Graduado em Treinamento Desportivo (UniFMU-2005), Fisiologia do Exercício (UNIFESP/EPM-2006) e Administração e Marketing Esportivo (Universidade Gama Filho-2013). Treinador de Corridas de Rua, Personal Trainer e Professor Escolar para Ensino Fundamental e autor do livro "DESAFIO DO DUNGA: Superações Física, Mental e Pessoal em duas Edições", Editora 4Letras, 2016.