Diário de uma ultramaratona – Terceiro dia

Sangue de Corredor, tomou conhecimento que nosso parceiro Eduardo Rodrigues pretendia, juntamente com mais 3 amigos, fazer uma ultramaratona diferente de todas as que já correram ate agora. Pretendiam percorrer o Caminho da Fé, saindo da cidade de Águas da Prata, em São Paulo para Aparecida, onde fica o Santuário Nacional de Aparecida, percorrendo 305 Km, em cinco dias, ao inves de caminhando como normais peregrinos, iriam faze-lo ao seu modo: correndo!!!

Esse desafio nos chamou a atenção e então pedimos ao Eduardo que procurasse fazer um diário desta ultramaratona incomum. A riquesa de detalhes nos permitiu dividir esta saga em 5 Episódios a serem publicados a cada dois dias.

I Episódio – Primeiro dia

O primeiro desafio foi convencer os amigos que poderíamos fazer algo diferente e mais desafiador.

… O relógio aproximava-se das 19 horas quando chegamos a cidade de Crisólia. No resumo da ópera: havíamos percorrido cerca de 68 quilômetros naquele dia inicial.

Imediatamente, paramos na praça em frente à Igreja, buscamos local para pernoitar na cidade, entretanto, não foi possível. Nos deslocamos de carro até a próxima cidade, Ouro Fino, que fica 6 quilômetros à frente, onde nos acomodamos e descansamos da jornada.

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Episódio II – Segundo dia

Segundo dia, pouco antes das 6 horas, retornamos à cidade de Crisólia, retomamos a corrida, no início cogitado ir até a cidade de Estiva, que resultaria correr mais 21 quilômetros naquele dia, entretanto, as circunstâncias nos fizeram reavaliar e concluir que o melhor seria pernoitar em Tocos do Moji, com 53 quilômetros percorridos. Uma decisão acertada a de parar mais cedo, que nos propiciou maior tempo de descanso.

Já ia esquecendo!!! – Faltando 8 quilômetros para chegar na cidade de Tocos do Moji, concluímos uma subida bem difícil, passamos num mata-burro e pela porteira de madeira que tem um nome curioso: “Porteira do Céu”.

E chegou o Terceiro dia – III Episódio

Para iniciarmos o terceiro dia, combinamos com o dono de uma lanchonete próxima à pousada, o café da manhã para as 5:30 horas. No mesmo horário já estavam lá os ciclistas de Tambaú.

Vista de uma fazenda em Paraisópolis

O Belmiro já havia saído de madrugada. A previsão do dia era percorrermos 63 quilômetros, passando pelas cidades de Estiva, 21 quilômetros, Consolação 20 quilômetros e chegada a Paraisópolis com mais 22 quilômetros. Sabíamos o que nos aguardava, pois, esses trechos já eram velhos conhecidos de nossas participações na BR135.

A largada de Tocos aconteceu às 6 horas e 8 minutos. Nos primeiros 5 quilômetros o Garmin acusou 315 metros de altimetria positiva (subidas), uma variação superior a 6%. Até a cidade de Estiva o mote são as subidas e as decidas fortes e longas, o que maltrata muito a musculatura das pernas.

Chegamos a Estiva por volta das 10 horas e 15 minutos. Paramos no ponto de parada da BR135, fizemos um lanche e seguimos viagem rumo a Consolação. A ideia era almoçar em Consolação, todavia, tínhamos um outro grande desafio pela frente: “A Serra do Caçador”, uma subida de 3 quilômetros com 10% de variação positiva, com o agravante do horário da subida, por volta de meio dia, com muito sol e calor.

Inicio da descina para o Pântano de Teodoro

Nesta subida, digamos: traumática!!! – Por muito pouco, não desisto da BR 135 deste ano, mesmo faltando menos de 30 km para o final da competição.

Nesta oportunidade fui precavido. Ao chegar à base da subida, tomei umas providências que me evitaram passar pelo mesmo drama de janeiro.

Tomei uns suplementos, BCAA e cápsula de sal e a enfrentei sem grandes dificuldades. No início da subida passamos pelo Belmiro empurrando sua bicicleta carregada de equipamentos.

Após a Serra do Caçador, chegamos sem problemas a cidade de Consolação e conseguimos almoçar para enfrentar o último terço do dia e durante o almoço, os ciclistas de Tambaú passaram por nós.

A saída da cidade de Consolação começa por umas ruas de paralelepípedos, com descidas íngremes, que requerem muito cuidado e atenção.

Aproximadamente um quilômetro à frente, o caminho passa pelo asfalto que liga Consolação a Paraisópolis, por cerca de 3 quilômetros. A seguir, o caminho nos conduz às estradas de terra por dentro das fazendas da região.

Esse primeiro trecho de estrada de terra até que é bem tranquilo, com poucas subidas e descidas, assim como quase todo o caminho, a região é muito bonita.

A cerca de 9 quilômetros para se chegar a Paraisópolis, há uma bifurcação e o peregrino pega uma nova estrada de terra, agora com muitas subidas e descidas.

Essa estrada tem alto nível de dificuldade e na hipótese de chuva, torna-se impraticável correr com a lama escorregadia. Ainda bem que aquele terceiro dia foi de sol e a estrada estava seca.

Sem muita demora, estávamos no portão da cidade, onde começam as ruas calçadas de paralelepípedos e, dali até o hotel “Serras de Minas” foram apenas 2 quilômetros.

Concluímos o terceiro dia com 63 quilômetros percorridos.

E a SAGA CONTINUA…

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