Não erre tentando acertar

Todo mundo quer correr com uma boa biomecânica, e de fato, ela traz muitos benefícios. Sendo assim, todo esforço em busca de um movimento melhor é muito positivo. Porém, é preciso muito cuidado para não errar tentando acertar, ou seja, acabar correndo com uma biomecânica pior, tendo na verdade a boa intenção de melhorar.

Não se sinta mal, pois esse tipo de engano é muito comum. Muitas vezes, uma informação passada sem muitos detalhes pode ser interpretada erroneamente por alguém que não tenha formação em biomecânica. E você não tem obrigação nenhuma em ser especialista nisso, certo? Portanto, eu vou tentar explicar em detalhes as principais alterações que encontro nessas tentativas de melhorar que acabam falhando:

Não corra na ponta do pé

“Correr com o calcanhar é errado. Você tem que correr na ponta do pé”. Essa frase anda muito famosa, mas ela está incompleta e um pouco incorreta. Primeiramente, correr na ponta do pé na verdade significa aterrissar com o médio-pé ou o antepé. Com o médio-pé, o pé aterrissagem no chão meio “chapado” e com o antepé, a parte da frente do pé toca o chão primeiro, seguida do calcanhar após poucos milésimos de segundo.

Perceba que nos dois casos o calcanhar toca o chão, juntamente com o restante do pé ou imediatamente em seguida da ponta. Mas ouvir apenas “corra na ponta do pé” dá possibilidade para um erro sério, que é correr o tempo todo sem tocar o calcanhar no chão. Esse padrão de biomecânica ao invés de ajudar irá sobrecarregar muito a panturrilha e o tendão de Aquiles.

O segundo ponto é que correr com o calcanhar não é absolutamente errado. O mais importante é correr amortecendo bem o impacto, o que de fato é mais fácil de ser feito com o médio-pé ou antepé. Porém, caso você consiga correr suavemente, com pouco impacto, mesmo o calcanhar, ótimo! O problema não está na posição do pé em si, e sim no impacto.

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Não aumente a passada de forma errada

Para correr melhor e mais rápido é preciso correr com passadas longas. Até aí está tudo certo, o problema é como aumentamos essa passada.

Observe um vídeo de um corredor profissional: ele voa muito, faz um movimento grande da perna para trás, enquanto o movimento da perna para frente é muito pequeno. Ou seja, ele não estica a perna para frente para aumentar a passada e sim aumenta a extensão do quadril para trás.

Então, tentar correr com passadas longas, colocando a perna mais para frente, gera um erro de biomecânica que aumenta o impacto e coloca o joelho em risco.

Não levante o pé para trás

Vamos voltar para o exemplo do corredor profissional. Como ele faz uma grande força com a perna para trás, o pé dele sobe bastante após esse momento, indo em direção aos glúteos. Ele não faz nenhuma força voluntária para subir o pé; isso acontece apenas porque a perna está muito acelerada. E assim, entramos em um terceiro erro muito comum na tentativa de correr de uma forma melhor: fazer força para levantar o pé para trás. Essa estratégia só sobrecarrega os músculos posteriores da coxa e não faz a corrida ser melhor.

Ir em busca de uma biomecânica mais adequada é sempre positivo. Mas fique atento aos sinais de alerta de que alguma coisa está errada, como dor ou desconforto, e converse com um profissional especialista.

By Raquel Castanharo – Fisioterapeuta

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