Ana Márcia Borges Gomes, ultramaratonista convicta

Quem sou eu? Meu nome: Ana Márcia Borges Gomes, ultramaratonista convicta e a primeira mulher Sul-Americana a receber o Green Number da Comrades e das mãos do meu ídolo, Bruce Fordyce!

Sou Oficiala de Justiça Avaliadora Federal, lotada na Justiça Federal de Campo Grande/MS, Bacharel em Direito, com pós-graduação em Direito Constitucional. É difícil conciliar o trabalho com os treinos, mas quando você ama o que faz, tudo é possível, basta ter boa vontade, dedicação e acima de tudo fé em Deus, e aí concilia-se tudo

Iniciei na atividade física visando manter a forma e ter saúde, praticando musculação e posteriormente correndo na esteira da academia praticamente todos os dias por 01h20m, com exceção dos domingos.

A sala do tesouro

Malhava diariamente por aproximadamente 03 (três) horas. Certo dia, um Professor de Educação Física   que me via correr na esteira disse que iria me inscrever em uma corrida de 10 km. De inicio não me empolgou muito, mas após várias insistências, resolvi me inscrever na tal corrida de 10 km, sem nunca ter corrido nas ruas, somente na esteira. Resultado: completei os 10 km em 52 minutos e obtive a 2ª colocação na minha categoria/faixa etária. O que aconteceu? Foi amor á primeira corrida. Me apaixonei perdidamente pelas corridas e já participei de 107 maratonas e ultras e mais de 100 corridas abaixo de 30 km, isso nos meus 18 (dezoito) anos de paixão.

Posteriormente, no ano de 2001, visualizei a propaganda da Maratona de São Paulo, na televisão, e então, sem nunca ter corrido mais que 15 km e também sem nenhuma orientação de algum profissional da área, me aventurei e me inscrevi na Maratona de São Paulo e completei a minha primeira maratona em 04:07 horas. Me senti muito bem, acredito que seja pela força muscular que adquiri devido a musculação que praticava por aproximadamente 10 (dez) anos, bem como, pelas corridas rotineiras na esteira.

No dia da maratona, contei com o auxílio de uma tia (Tia Alaíde), que reside em um Convento de Freiras Salesianas na cidade de São Paulo/SP, pois, preocupada comigo, fez quase todo o percurso da maratona me acompanhando de metrô e me incentivando a cada estação que ela me aguardava.

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Me senti muito feliz e realizada na minha estreia na Maratona de São Paulo e senti o desejo de ser uma maratonista.

Após 01 semana da minha estreia na Maratona de SP, me inscrevi em outra maratona no meu Estado (Maratona de Dourados/MS), nesta, corri 16 minutos melhor (3:51 hs); foi então que conheci o meu primeiro técnico – Claudinho Ribeiro, que na ocasião estava na cidade de Dourados/MS acompanhado da atleta Maria Zeferina Baldaia (Campeã da Corrida de São Silvestre). Nesse encontro falei para ele sobre as minhas “aventuras”. No primeiro momento ele não acreditou e foi conferir na fita de filmagem da Maratona de São Paulo e constatou que o episódio era verídico. A partir deste dia Claudio Ribeiro passou a ser o meu técnico e Maria Zeferina Baldaia uma querida e eterna amiga.

A minha primeira ultramaratona foi a Comrades Marathon”, na África do Sul, no ano de 2006, sendo esta, a grande paixão da minha vida.

Tudo começou, quando no ano de 2005, eu estava na cidade de São Paulo para participar da Corrida de São Silvestre, recebi uma ligação do meu grande amigo “Wilson Bomfim” (residente em Brasília/DF), que me convidou para irmos correr a Comrades Marathon no ano de 2006, e é evidente que aceitei o convite na hora, pois, adoro superar desafios.

Até a minha estreia na Comrades eu havia participado apenas de competições de até 50 km. Diante disso, conversei com o meu técnico, que me disse que eu teria condições de participar e emediatamente iniciamos os treinos. Ele me enviou a planilha de treinamentos, com treinos longos nos finais de semana de 50, 60 e 70 km.

Pedi ajuda ao meu irmão (Edmilson) que na época tinha uma camionete e convidei os amigos corredores, que se alternavam, uns corriam 10 km e outros 15 e 20 km, sempre alternando para que eu não corresse sozinha. Os treinos foram um sucesso, em estrada de chão e com muitas subidas.

Senti que estava mais que preparada para minha maior e mais desejada aventura: a Africa do Sul me esperava

Viajamos para a África do Sul 05 (cinco) dias antes da competição para tentar me adaptar com o fuso horário que tem diferença de 06 horas em relação ao meu Estado. Nestes dias que antecediam a prova, eu e o Bomfim brincávamos muito, falávamos que não queríamos correr juntos para não ver o outro passar mal e ter que desistir da prova para dar assistência (risos) mas na verdade, corremos os 30 km iniciais juntos, depois cada um foi no seu ritmo.

Eu completei a Comrades em 09h00m35s (marca mais expressiva), eu fui com a intenção de completar abaixo de 09 horas objetivando conquistar a medalha de prata/bronze denominada “Bill Rowan”. Até então eu achei que tinha conquistado porque não sabia que nesta prova não se leva em consideração o tempo líquido, e sim, o tempo bruto, pois, cruzei a linha de chegada e me deram a medalha concernente ao atleta que chegou acima de 9:00 hs (bronze), então, fiquei muito decepcionada e chorei muito e disse: “não retorno mais aqui, não corro mais esta prova”. Entretanto, já no dia seguinte, estava fazendo planos para retornar no próximo ano e que iria correr tal prova por 10 (dez) anos na tentativa de ser uma “Green Number”. Esse foi meu sonho, sonhado naquele momento!!

Atualmente, sou treinada pelo querido “Mestre Branca” – Equipe Branca Esportes, que me orienta há aproximadamente 10 anos e que me disse a seguinte frase: “se você almeja ser uma Green Number, em primeiro lugar, pense apenas em completar a Comrades Marathon, sem objetivar em qual tempo cruzará a linha de chegada”

Essa foi a deixa e esse passou a ser meu objetivo.

Por ser a Comrades uma prova muito difícil, o atleta que completa tal corrida por 10 (dez) vezes, é premiado com o “Green Number”, que é a perpetuação do seu número de prova. Este é o prêmio máximo concedido pela Organização e almejado por milhares de corredores ao redor do mundo. Ao cruzar a linha de chegada pela 10ª vez, o atleta recebe a sua medalha e é conduzido a uma área reservada onde é feita a solenidade de entrega do Green Number, e um ex-campeão da prova entrega ao atleta essa condecoração, bordado em amarelo-ouro sobre um tecido na cor verde e ladeado de folhas de louro, o número passa a ser daquele atleta para a posteridade.

Recebendo meu maior trofeu das mãos do meu ídolo

E, a partir do ano seguinte, o seu número é diferenciado, na cor verde, para que todos os atletas e o público saibam que se trata de um “Green Number”.

E no ano de 2015, essa atleta Sul-mato-grossense realizou o seu sonho de conquistar o “Green Number”, sendo a primeira mulher Sul-Americana a receber tal premiação e para minha surpresa, o meu Green Number foi entregue pelo meu ídolo “Bruce Fordyce”.

Foi uma sensação indescritível, algo indelevelmente entranhado na minha alma, primeiramente agradeci a Deus pela dádiva alcançada, pelo incentivo da família e amigos e em especial ao “Mestre Branca”, o meu treinador que me proporcionou os ensinamentos para esta sonhada conquista.

Participo também de corridas de 24 horas, portanto, a marca mais expressiva nessa modalidade foi na Ultramaratona de 24 horas dos Fuzileiros Navais realizada no Rio de Janeiro, no mês de julho/2013, onde corri 163 km e 281 metros, obtendo a 3ª colocação geral feminino.

A diferença entre correr maratonas e ultras, está na cabeça do atleta, sempre programo o meu lado psicológico de acordo com a quilometragem da prova, peço a proteção divina e procuro ser determinada e humilde, este é o segredo do sucesso.

Além de praticar o atletismo, tenho também o objetivo de conhecer o mundo e procuro participar de Maratonas nos países que ainda não conheço. Faço City Tour de maneira econômica: correndo.

Quando chego em determinado País, vou correr para conhecer a cidade. O bom é que sempre retorno ao Brasil em forma. Hoje já conheço 57 (cinquenta e sete) países, sou muito feliz, tenho uma família maravilhosa e muitos amigos que me incentivam. Gosto de correr maratonas no exterior porque conheço novas culturas e experiências de vida. As viagens e as maratonas pelo mundo afora me fizeram uma pessoa extremamente feliz e realizada.

O meu próximo desafio será correr pela 13ª vez consecutiva a Comrades Marathon no dia 10/06/2018.

Quem sou eu? Meu nome: Ana Márcia Borges Gomes, ultramaratonista convicta e a primeira mulher Sul-Americana a receber o Green Number da Comrades

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