A historia do corredor que foi além dos limites e detém o recorde sul-americano dos 365 Km ate hoje

Construir uma história de superação e desafios, não é fácil, principalmente quando seu destino parecia já está traçado: internado na FEBEM, por oito anos e depois em um orfanato por mais 4 anos, ninguém apostaria um níquel que esse homem seria o esportista que é.

Detentor de alguns recordes internacionais que já remontam há quase 20 anos, esse herói é nada mais e nada menos que LUCIANO PRADO DOS SANTOS, que aqui se desnuda para nossos leitores.

Essa é a sua história, que também é um pouco nossa…

Nasci em São Paulo, capital, no dia 10 de setembro de 1966 e quando tinha seis anos sofri dois grandes baques: a separação de meus pais e logo em seguida fui internado na FEBEM. Depois de 8 anos na Febem, fomos transferidos, eu e meu irmão para um orfanato em Amparo e foi lá que acabou forjando o homem que sou:

os desafios sempre estão à nossa frente, basta enfrenta-los!

Sabe por que escolhi a corrida? Escolhi a corrida como esporte porque estava ficando gordo, pesado e tinha acabado de ler um livro. Desde minha infância sempre gostei de leitura. Quando estava como 19 anos encontrei esse livro, li umas quatro, cinco vezes e gostei muito, o livro era “Guia Completo De Corrida”, James Fixx. Através do livro descobri meu esporte.

A minha primeira corrida foi corrida de rua normal. Sempre tem muitas corridas em São Paulo. A primeira acho que foi no Pico do Jaraguá. Já corrida 7 vezes a São Silvestre e em quatro larguei junto da Elite.

Comecei na ultramaratona por causa de um amigo chamado Jose Gastão que já corria provas de 100km e me inspirei nele. Minha primeira ultra foi em 1990, em Búzios e conclui na segunda colocação. O Heroi Fung que era meu treinado falou que eu tinha biótipo para corridas de longas distancias e fui treinado exatamente para ser um ultramaratonista. Começamos e estou até hoje…

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Fiz 15 provas fora do País. E nessas corridas tive resultados expressivos, como o recorde sul-americano de 48 horas no Arizona, no ano de 2000, com 365 Km. Obtive a segunda marca brasileira de 24 horas em Taiwan, com 248 Km, em 2003. Fui campeão da 24 horas na França com 210 Km e fui o 5º no geral da Spartatlon, na Grecia, 2005 com 246 Km.

Tenho muitos troféus, mas alguns tem uma história singular:

    • Meu primeiro troféu de 100 Km é muito feio e tem uma história por trás. Havia a previsão de premiação em dinheiro e a organização não pagou. (1990)
    • Arizona, esse troféu eu tenho muito carinho por ele. Foi uma corrida de 48 horas, uma prova de seis dias, 17ª Run Across The Years Track Race, depois você inteira as 24 horas e depois as 48 horas, fui campeão e bati o recorde sul americano, correndo 365 km. O ano foi 2000. Mantenho o recorde sul americano até hoje.
    • Soochow Internacional Ultramaratona Taiwan, ano 2004, minha segunda melhor marca, de 70 competidores, fiquei na terceira colocação no geral correndo 241 Km.
    • Epeville, França. 14ª 24 horas Internacional, ano 1999, fiquei em terceiro lugar correndo 218 Km. No ano seguinte retornei e me sagrei campeão com 209 Km. Detalhe só o campeão ganhava esse troféu de madeira, ano 2000. No ano seguinte voltei e o artesão havia falecido e fui o segundo colocado.
    • Spartathlon – A Spartathlon tem por objetivo traçar os passos de Fidípides, um mensageiro ateniense enviado a Esparta no ano 490 a.C. para buscar ajuda contra os persas na Batalha de Maratona. Ano: 2005. O desafio: correr 246 Km em até 36 horas, totalmente cronometrada. Se o atleta chega atraso nos pontos de apoio é sumariamente desclassificado. Acabei ficando na 5ª colocação com tempo de 28h28 minutos. Dos 300 atletas que largaram somente 102 concluiram.
    • Prova de 48 horas no Ibirapuera. Depois de correr 341 Km me sagrei campeão e meu treinador e amigo Heroi Fung foi o segundo colocado com 339 Km. Decepção: apesar de haver premiação em dinheiro, não recebemos e ainda por cima o troféu era plástico
    • I Cursa Internacional de 100 Km Palau de Plegamans, Barcelona-Espanha. Ano: 1992. Classificação: 12o no geral. Tempo: 7horas03. Essa medalha é uma medalha é muito especial. Fizeram uma autopcia em um atleta e fizeram um corte abrindo ao meio o coração. Essa medalha demonstra exatamente como é o coração internamente, com suas veais e vasos. Por isso ela é especial. Meu coração deve ser assim tambem.

As corridas mais organizadas que participei foram os mundiais que ocorrem lá fora e as provas são classificadas de ouro, prata e bronze, Essas três categorias são classificadas pela IAU e Ultramaratonas. É isso que estamos precisando no Brasil. Uma vez que correr em pistas de 400 metros e que na verdade a pista tem 370 metros, ou seja, alta uma aferição correta. Há muita falta de profissionalismo e se você quiser realmente ter bons resultados, você terá que disputar lá fora.

A corrida no Arizona foi singular. A cada duas horas invertia o lado. Na época não existia ship então toda vez que passava pelo fiscal tinha que ficar gritando “five six” que era o meu número. Foram 265 quilômetros gritando para o fiscal. Fiquei durante vários dias com isso martelando na minha cabeça, principalmente quando ia dormir (rrssss).

Fazendo o que gosto

Correr para mim foi e é minha vida mas como hobby, ate hoje já fiz 32 maratonas, 32 Corridas de 100 Km, 10 Provas 24 horas, 3 Provas 48 horas e 02 Spartathlan. Nunca me iludi com o atletismo pois moramos no País do carnaval e futebol e o atletismo nunca foi prioridade e dificilmente será e sempre falo para meus amigos, trabalhar e estudar e não se iludi com o atletismo. Uma pena, mas é a nossa realidade.

O meu dia a dia trabalho em um restaurante da minha cunhada.

Teve uma prova que foi muito frustrante. Foi em 2006. Voltei novamente para fazer a Spartathlon e parei com 175 com começo de hipodérmica. Faltavam somente 75 Km. Me arrependo até hoje, poderia ter completado.

Para quem corre longas distancias ir sempre com calma procurando não se lesionar, fazer exercícios errados. O atleta tem que saber se alimentar direito, treinar e não ficar se iludindo. Hoje para mim o máximo do ser humano é 24 horas, qualquer coisa acima disso é pura loucura.

A prova mais desafiadora que fiz foi o desafio das 48 horas, que eu já comecei com pensamento que eu não iria poder dormir e deu tudo certo. A segunda mais desafiadora foi o recorde 24 na esteira, quando bati o recorde mundial, 249 km treinei para ela, mas infelizmente o Guinnnes não homologou apesar de termos cumprido todas as condições para homologação. Acho que a organização falhou ao não buscar toda documentação para isso.

Correr 24 ou 48 é um desafio que você tem que ter uma concentração fora do comum, pois chega um momento em que você não consegue pensar em nada e tem aquele momento que te da um branco e você não sabe o que está fazendo.

Dedico todos os meus troféus aos trabalhadores que correm, que dão exemplo, porque a falta de valorização dos órgãos públicos é patente, entra governo e saia governo e não e até hoje não possuímos o espirito olímpico, um espirito de atletismo. Nunca vi nosso esporte melhorar. E vai demorar muito termos uma condição favorável para o atletismo. Só futebol, uma pena!

Daqui há dez anos gostaria de estar correndo ainda, gostaria de estar trazendo mais resultados la de fora e vendo surgir provas boa aqui no Brasil, porque está começando a crescer e principalmente está sempre com Deus.

A vida de todo homem esta completa quando ele consegue casar, plantar uma arvore, ter filhos e escrever um livro. Para mim o mais emocionante fo escrever o livro, contar a minha história desde minha infância e foi através da leitura que me tornei um atleta. Agradeço a um amigo de infância “Paulo André Caetano Alves de Sousa”. Estou feliz por ter escrito esse livro e estou com um novo projeto: escrever a biografia do meu treinador Heroi Fung.

Minha história

No livro “Saber Correr até Onde Chegar” ,Editora BIGTime, conto minha historia de vida, desde minha infância na FEBEM  e depois no Orfanato em Amparo, meus treinos e principalmente minhas corridas. Sempre gostei de ler e foi esse prazer pela leitura que me abriu as portas para escrever. Mantenho há mais de 25 anos um diário de tudo que realizo. Esse diário me ajudou muito. Nesse livro tem coisas das mais surpreendentes às mais hilariantes, como achar que venceria a minha primeira São Silvestre, iniciei liderando por algum tempo, depois faltaram pernas, coisa de jovem corredor ou a primeira Maratona no Rio de Janeiro, que também pensarvaem vencer, mas cometi alguns erros banais, tais como não jantar no dia anterior e nem tomar café da manha para não ficar pesado durante a corrida. rsss

A corrida de longas distancias não é para loucos é para poucos.

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