Quer prevenir lesões? Conheça e comece a praticar o Treinamento Funcional

Por mais experiente que seja, lesões e desconfortos estarão presentes na vida de um corredor. A boa notícia é que estas lesões podem ser evitadas com um bom trabalho de fortalecimento muscular específico para a modalidade e prescrito de acordo com a necessidade do corredor. Estamos falando do Treinamento Funcional e, neste texto, serão abordadas as diferenças entre ele e a Musculação, algumas características deste método de treinamento, quais as principais regiões do corpo humano trabalhadas nele e a principal maneira que as lesões são prevenidas pelos exercícios funcionais.

Ainda que algumas pessoas acreditem que a Musculação e o Treinamento Funcional são a mesma coisa, existem muitas diferenças entre ambos. O principal ponto diferente entre eles é que a Musculação tem o objetivo de treinar os grupos musculares de maneira isolada (quem nunca recebeu uma Ficha de Musculação com exercícios de Peitoral, Costas, Posterior de Coxa, Quadríceps, Panturrilha, Ombros, Bíceps, Tríceps, Adutores, Abdutores e Abdominais?) e o movimento de Puxar, Empurrar, Agachar, Arremessar, etc. realizados nos 3 planos de movimento (Frente e Trás; Direito e Esquerdo; Superior e Inferior) é o principal foco do Treinamento Funcional, quando todos os músculos, ossos, tendões e articulações estão envolvidos para uma harmoniosa movimentação.

Por trazer respostas diferentes aos praticantes, o Treinamento Funcional não pode ser considerado uma aula coletiva porque os objetivos desta aula devem ser voltados para as necessidades individuais do atleta. Da mesma forma que uma planilha de corrida é diferente de um atleta para outro, a ficha de exercícios de um treino funcional deve apresentar esta mesma característica.

Outra característica importante dos exercícios funcionais é que eles devem ser específicos para a modalidade. Numa correta prescrição de Treinamento Funcional, o corredor fará os exercícios de acordo com a sua necessidade particular e específicos para a Corrida de Rua (os exercícios educativos são ótimos para serem incluídos numa sessão de treino). Se o corredor, por exemplo, realizar exercícios voltados para o Ciclismo, certamente não terá nenhum ganho de condicionamento.

Além de individual e específico, os treinos funcionais são caracterizados por serem versáteis (sujeitos a qualquer mudança daquilo que foi planejado por causa de diversos fatores como, por exemplo, contusões apresentadas pelos alunos no decorrer da preparação ou pela chuva que não permitiu que a aula fosse feita num ambiente externo e precisou treinar na garagem da casa do aluno), com uma grande variabilidade de exercícios nas aulas para evitar a monotonia que pode desmotivar o corredor e realizados de maneira progressiva para que um movimento seja aprendido da maneira mais fácil até que o praticante chegue a níveis mais difíceis de execução.

Uma vez que as características foram vistas, será falado da principal parte do corpo que o Treinamento Funcional tem como foco: a região do CORE, localizada na região central do corpo humano (compostas pelas articulações da coluna vertebral e da escápula e da cintura pélvica), bem próximo do Centro de Gravidade.

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Uma vez que o desenvolvimento da força tem a característica “próximo-distal” (ou seja, inicia-se no centro do corpo e se expande para os músculos das extremidades), torna-se de extrema importância o fortalecimento da região do CORE, oferecendo eficiência e estabilidade para que ocorra uma perfeita movimentação do corpo e facilite a transferência de energia entre os membros superiores e inferiores. Abaixo, a foto dos principais músculos que compõem a região do CORE:

 

 

Para que a região do CORE permaneça sempre ativada, alguns pontos devem ser realizados durante qualquer movimentação como: Aproximação das Escápulas (basta alongar a musculatura do Peitoral para os ossos das Escápulas se aproximarem), Contrações dos músculos dos Glúteos e da parede abdominal.

Conhecido o trabalho da região central do CORE, será a abordada o papel de cada articulação durante os movimentos. Para que este seja feito de maneira harmoniosa, as funções de cada articulação são subdivididas, podendo ela ser responsável pela Mobilidade ou pela Estabilidade. Seguem, na tabela abaixo, as funções de cada articulação na realização de um movimento:

 

ARTICULAÇÃO FUNÇÃO DE:
Tornozelo Mobilidade
Joelho Estabilidade
Quadril Mobilidade
Região Lombar Estabilidade
Região Torácica Mobilidade
Escápulas Estabilidade
Ombros Mobilidade
Cotovelo Estabilidade
Cervical Estabilidade
Punho Mobilidade

De acordo com a tabela, sempre haverá alternância entre as articulações de Mobilidade e de Estabilidade.
Outro fator interessante é que as lesões surgem a partir do momento que uma determinada articulação realiza uma função que não é a dela, gerando a alteração de todas as articulações acima e abaixo dela, que também passam também a realizar as funções incorretas.

Um exemplo disso são as dores no Joelho de um corredor de rua: devido à falta de mobilidade do Quadril e/ou do Tornozelo nos treinos, o Joelho é “obrigado” a realizar a função de mobilidade (lembrando que a função original dele é de estabilidade) na movimentação, tendo a lesão dele como consequência.

Para prevenir e corrigir a lesão do exemplo acima, nada melhor do que os exercícios funcionais para trabalhar a mobilidade do Quadril e do Tornozelo, permitindo que o Joelho retorne à função de Estabilidade do movimento.
Além da prevenção de lesões, as funções de Estabilidade e Mobilidade realizadas por cada uma das articulações, a melhora de performance também ocorre quando cada uma destas articulações realizam corretamente as funções que foram determinadas a elas e o Treinamento Funcional auxilia na evolução do desempenho do corredor na execução de movimentos destinados especificamente a cada articulação.

Embora o conteúdo de Treinamento Funcional apresente muitos conceitos e informações, o objetivo deste texto foi apenas mostrar a importância deste método de treinamento, de alguns conceitos que são aplicados nele para que lesões sejam evitadas e, até mesmo, para o corredor melhorar a performance dele nos treinos e nas provas. É muito importante que um profissional de Educação Física habilitado (de preferência com um Fisioterapeuta ao lado e ciente do trabalho realizado) prescreva os exercícios funcionais. Com a realização deles, todos os corredores tendem a ganhar tanto no rendimento quanto na longevidade nas corridas.

BONS TREINOS (DE CORRIDA E DE EXERCÍCIOS FUNCIONAIS)!!!

Marco Costa

Marco Costa

Corredor desde 1998. Graduado em Educação Física (UniFMU-2003); Pós-Graduado em Treinamento Desportivo (UniFMU-2005), Fisiologia do Exercício (UNIFESP/EPM-2006) e Administração e Marketing Esportivo (Universidade Gama Filho-2013). Treinador de Corridas de Rua, Personal Trainer e Professor Escolar para Ensino Fundamental e autor do livro "DESAFIO DO DUNGA: Superações Física, Mental e Pessoal em duas Edições", Editora 4Letras, 2016.

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