Corre bem em algumas distâncias, mas sofre em outras? A Individualidade Biológica explica

Qual corredor não gosta de participar de todas as distâncias de provas que surgem na Caixa de Entrada dos e-mails ou de anúncios nas redes sociais? Das que ele se dispõe a fazer, o atleta se destaca em provas de algumas distâncias e o rendimento não é o esperado em outras quilometragens.

A explicação disso? As características individuais, que são completamente diferentes de outras pessoas.

Na teoria do Treinamento Desportivo, existe um princípio para a prescrição dos treinamentos chamado de “Individualidade Biológica” que afirma, numa maneira bem simples, que os indivíduos apresentam características diferentes uns dos outros, sendo de informações genéticas (que ele apresenta desde quando nasceu e vindas dos pais, avós, etc.) e do ambiente que ele vive, no momento que teve a oportunidade de aprender alguns gestos motores, por exemplo, fazendo com que ele se destacasse numa determinada atividade.

Das informações genéticas das características individuais, um dos pontos que podemos conectar com as corridas de rua é a composição das fibras musculares. Existem, pelo menos, 3 tipos de fibras musculares que apresentam características diferentes: as de contrações rápida (que realizam as atividades com maior velocidade e de maneira mais potente, mas com uma duração limitada por entrar rapidamente em fadiga), a de contrações lenta (quando as atividades não são feitas de maneira veloz e potente, mas tem uma duração maior pela quantidade de células de transporte de oxigênio, chamada de mioglobina, e de mitocôndrias, que realizam a respiração celular) e as fibras de contrações intermediárias, que são utilizadas de acordo com a atividade que o corredor treina, seja ela de maneira rápida ou lenta (numa linguagem popular, as fibras de contrações intermediárias são chamadas de “Maria vai com as outras”).

Chegando na Individualidade do corredor, podemos dizer que umas pessoas têm uma composição maior de fibras musculares de contração rápida (o caso de corredores de 100m, 200m, 400m, por exemplo) e outras de contração intermediária (800m, 1500m, 3000m, podendo até chegar aos 5000m) e de contração lenta (10km, 15km, 21km, maratonas e ultramaratonas). Devido a esta composição de fibras musculares, o nosso rendimento é melhor em algumas provas e não em outras.

Se o corredor recebeu incentivos para praticar exercícios físicos desde a infância, certamente ele terá uma memória motora melhor desenvolvida do que uma pessoa que nunca teve incentivos na prática de atividade física.

Deixando as informações genéticas de lado, também temos a questão ambiental onde a pessoa vive, principalmente daquilo que teve a oportunidade de aprender na escola, nos clubes e nas brincadeiras de rua. Se o corredor recebeu incentivos para praticar exercícios físicos desde a infância (da família, dos professores de Educação Física e dos amigos da rua e da escola), certamente ele terá uma memória motora melhor desenvolvida do que uma pessoa que nunca teve incentivos na prática de atividade física, além destes estímulos facilitarem o progresso do condicionamento físico para que os objetivos na corrida sejam atingidos (em especial na distância que ele optou em percorrer).

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Apesar de já existirem exames que apontam quais as quantidades e percentuais apresentados de fibras musculares rápida, intermediária e lenta na nossa musculatura, o custo deles é muito elevado e a maneira mais fácil de sabermos é a própria vivência em cada uma das distâncias. Para um corredor experiente (acima de 5 anos de prática), a sugestão feita é para que participar de cada uma das distâncias das corridas de rua e verificar qual a quilometragem percorrida que apresenta o melhor rendimento.

Para os corredores iniciantes, a idéia é começar com distâncias menores e progredir a quilometragem de acordo com o aumento do condicionamento físico. Ao chegar nos 21km, já é possível perceber se os pontos fortes são as provas “curtas” (5km e 10km) ou se já é possível encarar o desafio da maratona.

Independente da distância percorrida, o mais importante ao corredor aprender consigo mesmo, através das informações genéticas e do ambiente que serão apresentadas nos treinos e nas provas, qual a quilometragem que ele se destaca mais para não perder a motivação e ter uma longevidade na corrida e deixar o “sangue de corredor” cada vez mais evidente.

Bons treinos e boas provas, com bastante conhecimento da sua individualidade biológica!

Marco Costa

Marco Costa

Corredor desde 1998. Graduado em Educação Física (UniFMU-2003); Pós-Graduado em Treinamento Desportivo (UniFMU-2005), Fisiologia do Exercício (UNIFESP/EPM-2006) e Administração e Marketing Esportivo (Universidade Gama Filho-2013). Treinador de Corridas de Rua, Personal Trainer e Professor Escolar para Ensino Fundamental e autor do livro "DESAFIO DO DUNGA: Superações Física, Mental e Pessoal em duas Edições", Editora 4Letras, 2016.

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