Luis Eduardo Tavares – Quando a corrida vai além da paixão

Sangue de Corredor aproveitou uma ida a São Paulo e foi entrevistar o Luis Eduardo Tavares, dono da Assessoria Esportiva “E.C. Tavares”.

Muito já se falou e se fala dele, no ambiente das corridas de rua, em São Paulo. Foi com uma grata satisfação que ele nos recebeu em seu apartamento para conversarmos sobre vida, trabalho e principalmente, corridas.

Cada gesto e cada palavra dele nos remete a uma pessoa simples, humana e generosa cujo foco está voltado para as corrida. Ele é mais que um apaixonado por este esporte, é uma referencia.

O que segue abaixo é uma pequena parte daquilo que colhemos e que continuaremos a publicar até esgotar o que se tem a falar deste cara que tem na corrida, um estilo de vida.

Eis ai pra voces, LUIS EDUARDO TAVARES…

Sangue de Corredor: Quem é Luis Eduardo Tavares?

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Luis Eduardo Tavares: Uma pessoa que começou com fotografia aos 13 anos, com diversos cursos profissionalizantes e que aos 17 anos ingressou neste mundo fascinante que é a corrida, devido a minha grande timidez. Meu psicólogo acreditando que o esporte puderia me ajudar e exigiu que eu fizesse algum esporte para melhorar minha socialização e com isso matriculei-me em uma academia de ginastica perto de casa. Em um ano de academia, senti vontade de começar a correr e o prazer foi tanto que decidi mudar meu foco, larguei definitivamente a fotografia e ingressando de cabeça na faculdade de Educação Física.

Hoje não só sou treinador da equipe “E.C.Tavares-Assessoria Esportiva”, com mais de 150 alunos, como sou formado em guia de Turismo e também sou responsável em levar atletas para diversas provas Nacionais e Internacionais, como Disney, Santiago do Chile, Medellin, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Parati, Porto Alegre, Curitiba, etc.

Sangue de Corredor: Quando você começou a competir?

Luis Eduardo Tavares: Comecei a correr em 1985, junto com um amigo de colégio, mas ele desistiu e perseverante que sou, continuei sozinho, e minha primeira prova na foi a “Corrida de Natal” no dia 15/12/85 e depois a São Silvestre, neste mesmo ano.

Quando pequeno, meus pais sempre me levavam para rua da Consolação para ver a passagens dos atletas correrem a São Silvestre e dizia aos meus pais que quando crescesse iria participar como atleta.

Sangue de Corredor: Quantas corridas você já participou ate hoje?

Luis Eduardo Tavares: Até hoje forma mais de 500 corridas curtas, 50 Meias Maratonas e 32 Maratonas

Sangue de Corredor: O que te levou para as corridas de rua e quem mais te incentivou?

Luis Eduardo Tavares: Foi de forma supernatural, depois que entrei na academia, senti desejo de vir a participar da São Silvestre e participei. Minha mãe foi minha maior incentivadora e sempre acreditou em mim.

Sangue de Corredor: E o que te levou a se tornar uma Técnico de Corridas?

Luis Eduardo Tavares: Quando comecei a correr em 1985, a situação tanto de treinos e provas era muito precária e naquele  período via muitas pessoas simples treinando de forma errada, sem orientação de um treinador pois não existia assessorias esportivas e sim Personal Trainer e nem todos tinhas condições financeiras de pagar um Personal, por isso meu amor pelo esporte foi tanta que pensei “irei me formar e poder ajudar e auxiliar  essas pessoas que não tenham condições”.

Em 1994 fundei a minha assessoria e o primeiro ano foi bem difícil, pois era formado por 80% de pessoas carentes e muitas pessoas de classe média não vinham treinar na equipe por ter fama de “assessoria de pobre”.

Nosso salto aconteceu a partir do momento em que a TV Globo demonstrou interesse em nossa história, lá nos idos de 1995 (risos) e aí, fizemos nossa primeira entrevista para a televisão. Fizemos questão de mostra os resultados de nossos atletas “carentes”, ganhando corridas. A partir daí o cenário foi mudando e passamos a ser mais reconhecidos e respeitados.

Hoje temos um grupo bem heterogêneo, com todos tipos de alunos de todas as idades.

Sangue de Corredor: Quais foram as corridas mais significativas e mais desafiantes?

Correndo por um amigo

Luis Eduardo Tavares: A mais significativa foi a Maratona de Nova York, em 1993, por ter sido minha primeira prova internacional e ser um sonho em fazer essa prova e poder contar com apoio e presença de minha mãe na viagem. Ainda hoje me emociono quando falo nesta corrida. (risos)

E em 2013 na Maratona de São Paulo, quando corri para homenagear o Prof. Fabinho, meu grande professor e parceiro, que morreu em um trágico acidente, em 2013, quando ia para a prova das “10 milhas Garoto”, em Vitória.

Sangue de Corredor: Como você se prepara uma Maratona?

Luis Eduardo Tavares: Primeiramente a pessoa precisa ter um foco e determinação e trabalhar em cima da maratona. Eu treino 6 vezes por semana sendo, deixando a segunda para descanso. Nas terças e quintas trabalhos intervalados (tiros). Quarta e sexta rodagem regenerativo leve (12 a 15 km) + musculação (foco em resistência muscular localizado), no sábado treino leve (10 a 12 km) e no domingo, dia do treino longo (longo de 20 a 30 km).

Sangue de Corredor: O que é o Desafio do Dunga para você?

Luis Eduardo Tavares: Como o próprio nome diz é um desafio emocionante! Para ter êxito no desafio primeiramente tem que trabalhar o emocional para concluir em 4 dias os 78 km.

Muito legal no primeiro dia (5 km) você vê todo mundo indo participar da prova, pai, esposa, filhos, crianças etc e todos alegres, parecendo que estão indo a um piquenique.

No segundo dia (10 km), nesta prova você já não vê mais criança, mas as pessoas continuam alegres, se divertindo. Tudo é diversão.

No terceiro dia (21 km) a diferença é que agora você vê apenas adultos com aparência de mais sérios, mais silenciosos, com um ar de mais preocupação. Ou seja, a brincadeira começa a ficar seria…

No quarto dia (42 km) os verdadeiros super-homens se preparando com cintos de repositor energético que mais parecem uma bomba. Nessa corrida todos, invariavelmente, todos estão levemente sisudos, compenetrados, parecem que estamos indo para a guerra. É seriedade pura!

O bom de tudo isso? No final dos 42 km é uma explosão de felicidade, felicidade total e todos voltam com aqueles sorrisos de quando estavam seguindo para a prova de 5 km, por terem atingido o objetivo.

Sangue de Corredor: Sabemos que você sofreu uma lesão forte, como você reagiu e o que fez para enfrenta-la?

Luis Eduardo Tavares: Pela falta de experiencia no começo e por falta de orientação, em 1992 sofri uma tendinite no Aquiles (no início, no esquerdo e depois no direito) e ao invés de parar, continuei treinando e foi agravando os problemas, cheguei a fazer 5 infiltrações, fisioterapia, RPG e acupuntura.

Tenham foco e trabalhem nos seus objetivos, competindo menos para que possa treinar mais e com qualidade de vida.

Cheguei a ficar dois anos parado para me recuperar e engordando nesse período e a dor não ia embora. Com a morte de minha mãe, cheguei a 78 kg, muito acima dos 60 kg no início de minha carreira, e meu rendimento nas corridas foi caindo, claro.

Em abril desse ano após concluir a Meia Maratona de Santiago, decidi finalmente, procurar e voltar com meu nutricionista. Seguindo sua orientação e com a reeducação alimentar, já perdi 15 kg e voltei correr forte e sem dor do tendão, ou seja, um problema básico de sobrepeso, fez com que sobrecarregasse meus tendões.

Hoje estou próximo dos 62 kg e correndo feliz e sem dor. (risos)

Sangue de Corredor: Voc se lembra de sua primeira corrida?

Luis Eduardo Tavares: Sim. Nunca vou esquecê-la. Foi no dia 15/12/85, 10 km e ainda encontrei a Angélica de Almeida (atleta Olímpica e 3ª na São Silvestre, do ano anterior)

Sangue de Corredor: Como é o dia a dia de um técnico com seu gabarito, tendo que treinar tantos corredores?

Luis Eduardo Tavares: Hoje nossos treinos são administrados de segundas e quartas a noite no Pacaembu. Terças e quintas no Ibirapuera. Sábados na USP e nos domingos, quando não tem competição, fazemos um treino pelas ruas de São Paulo. Detalhe importante: não conseguiria fazer tudo isso sozinho, então, tenho 5 professores que trabalham comigo e me ajudam muito.

Sangue de Corredor: Como é para você treinar atletas com mais de 60 anos e sem tradição nas corridas?

Luis Eduardo Tavares: Muito gratificante, pois são dedicados e adoram estar na equipe não só pelos treinos mas também como sociabilidade com o grupo

Sangue de Corredor: Quais serão seus próximos desafios?

Luis Eduardo Tavares: Estou me preparando para o Desafio do Dunga no começo de janeiro, em Orlando, na Disney.

Porem meu maior desafio como dono de assessoria é de conseguirmos um patrocinador para que possamos ajudar nossos atletas carentes e despesas da equipe.

Atualmente recebemos algumas doações de alguns alunos para poder inscrever os carentes nas corridas (que não são baratas)

Sangue de Corredor: Voltaremos a nos encontrar em outras ocasiões, entretanto, diga o que você acha interessante para nossos leitores.

Luis Eduardo Tavares: O bom atleta e aluno é aquele que tem foco e trabalha duro em cima de seus objetivos.

Vejo muitas pessoas competindo todo domingo, isso vai encurtando a vida de atleta, por isso tenham foco e trabalhem nos seus objetivos, competindo menos para que possa treinar mais e com qualidade de vida.

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