Marílson Gomes dos Santos, o menino pobre de Ceilandia que conquistou o mundo

Segunda vitória em Nova York (2008)

Retornando à prova que o colocou em evidência internacional, desta vez Marilson sabia que a estratégia de 2006 não funcionaria novamente, já que seus adversários estavam alertas e não permitiriam uma fuga com tanta antecedência. No dia 2 de novembro de 2008 o brasileiro alinhou para a largada com o status de quem já tinha vencido aquela prova. Por outro lado, o corredor vinha de um abondono na maratona das Olimpíadas de Pequim.

Sua motivação era provar que a vitória de 2006 não foi uma questão de sorte. No decorrer da prova, Marilson procurou manter-se dentro do pelotão de liderança, ao mesmo tempo que os adversários também não permitiam que o brasileiro escapasse. A partir da marca de 25 km, várias tentativas de fuga foram realizadas, de forma que o pelotão foi se fragmentando. Ao atingir 35 km, os únicos corredores que sobraram na liderança eram Marilson e o marroquino Abderrahim Goumri.

O brasileiro foi o primeiro a tentar escapar, mas foi anulado pelo adversário. Na marca de 37 km o africano deu o troco e abriu uma vantagem razoável, de sete segundos. Mas o brasileiro não se abateu e, percebendo que o concorrente olhava para trás constantemente, entendeu que o oponente estava no seu limite, possivelmente cansado. Marilson atacou faltando menos de uma milha, passou Goumri na marca de 41 km e não foi mais ameaçado, pois o marroquino não esboçou qualquer reação.

Com a marca de 2:08:44, Marilson foi mais de um minuto mais rápido que sua vitória em 2006, quando venceu com 2:09:58.

Treinamento

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Treinando regularmente 220 km por semana, com corridas duas vezes ao dia em preparação para uma maratona, em abril de 2011, na Maratona de Londres, conseguiu a melhor marca de sua carreira nesta prova (2h06m34s), segunda melhor marca brasileira e sul-americana. Também foi Top 10 em duas edições do Campeonato Mundial de Meia-maratona: em Udine, na Italia, em 2007, onde conseguiu seu melhor tempo para a prova – 59:33 – e no Rio de Janeiro em 2008.

Os pés que conquistaram o mundo

Marílson, que foi treinado desde a adolescência por Adauto Domingues, bicampeão pan-americano dos 300m com obstáculos em Indianápolis 1987 e em Havana em 199, foi nomeado Maratonista do Ano na América do Sul de 2011 e 2012 pelo site especializado em atletismo all-athtletics.com. Também em 2012 foi eleito como Atleta do Ano pelo Comitê Olímpico Brasileiro.

Encerrou a carreira como atleta de alto rendimento aos 39 anos, em anúncio feito dias depois após sua última maratona, na Olimpiada do Rio 2016.

Marílson Gomes dos Santos, o menino pobre de Ceilandia que conquistou o mundo é uma referência para os jovens que pretendem se aventurar em qualquer esporte. Poderia ter escolhido ser qualquer coisa, mas, buscou dentro de si, aquilo que mais sonhava, sonhou acordado e realizou o sonho de qualquer um jovem pobre brasileiro e se tornou um cidadão do mundo.

 

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