E assim se foi a Maratona de Berlim 2017

A corrida de maratona é um esporte que agrada a pessoas de todas as idades, raça, sexo, condição social e nações.

Alguns dedicam o dia inteiro treinando para uma maratona, mas a maioria procura encaixar os treinos em meio às atividades do dia a dia e às obrigações do trabalho.

Seja qual for sua motivação e o período de preparação para a maratona, com um bom plano de treino e muita determinação, você vai alcançar seu objetivo.

Toda Maratona, em qualquer lugar do mundo tem uma história singular que a acompanha.

A Maratona de Berlim 2017, aos quarenta e quatro anos se renova ano a ano como uma mulher vaidosa. Também pudera! Neste ano foram quase 50 mil corredores de 50 países.

Nesta Maratona o Sangue de Corredor teve a oportunidade de interagir com corredores da China, Marrocos, França, Noruega, México, Turquia e todos estavam irmanados no mesmo objetivo: correr e se divertir.

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A noite anterior

A noite que antecede a prova é uma noite onde a adrenalina está a mil. Você procura fazer tudo de maneira espontânea como se fosse um dia comum, mas não é.

Jantamos cedo um bom prato de massas, em uma cantina próxima ao hotel e caminhamos um pouco para reconhecer o terreno onde a luta vai se desenrolar.

Chegamos no hotel, encontramos o pessoal do nosso grupo, conversamos sobre pace, estratégias e decidimos, na noite de domingo (final da corrida) comemorar o resultado da corrida na tradicionalíssima Oktoberfest, tipicamente alemã, na Praça Alexander Platz, regada a muita cerveja.

O café da manhã

Acordamos às 5:00 da manhã, preparamos nossas armaduras, composta da camiseta, short, ship de cronometragem e número de peito. Tudo organizado, descemos para o restaurante do hotel para o café.

O café servido era digno de um rei. Pães sortidos, muita fruta, muitos frios, sucos diversos e uma variedade de guloseimas matinais.

Depois do café, subimos para o apartamento e vestimos a armadura…

A caminho da Maratona

A caminho da Maratona

Saímos do hotel, acompanhado pelo nosso grupo, pegamos o metro, vagões lotados de corredores felizes, de vários países.

Todas as caras pareciam de pessoas que estavam prestes a entrar no Paraíso. Seguimos e descemos na Estação Potsdamer Plaz, onde nos juntamos a uma multidão que seguia pé…

A emoção foi muito grande quando avistamos o imponente Brandenburg Tor, o símbolo maior da Alemanha. E a multidão contornando em fila indiana como a prestar reverência. O coração do Sangue de Corredor bateu forte! A adrenalina subiu às alturas…

O palco da Maratona

O palco estava montado quando chegamos. Alguns atores agiam espontaneamente, outros aparentavam um certo medo, outros com aquele olhar que parecia dizer: o que estou fazendo aqui? Esse caleidoscópio de imagens vinha a mente de outras competições.

A caminho do curral de largada, com o casal de maratonista Joao e Malu.

A chegada ao curral de largada

A hora está chegando e cada corredor segue ao seu modo para o seu curral de largada. Nessa caminhada, em meio a árvores frondosas é uma trilha, sentimo-nos como deve ter sentido os ancestrais alemães quando iam para as batalhas se esgueirando pela floresta.

Depois de caminhar por aproximadamente uns vinte minutos chegamos ao nosso local de concentração. Agora é esperar pelo tiro de largada.

Minutos que antecedem a largada

O nervosismo se espalha, mas a música, a energia que era transmitida pelo locutor,  em alemão, com palavras agudas, fortes, mesmo sem entender o que estava sendo falado, a força de expressão, inflamava nossas emoções.

A emoção gerada nesses segundos que antecedem a largada é igual a emoção do toureiro quando espeta lança no touro ou quando o piloto de formula 1, que está na segunda fila e precisa pontuar para continuar na disputa do título.

Os segundos são horas…

A largada

É dada a largada. Alguns saem em louca disparada, outros saem como estivessem a passear, outros saem leves como se não houvesse amanhã e quer curtir cada segundo deste sagrado momento.

E todos saem. E de repente o que se vê é uma onda de cabeças de homens e mulheres que se encontram como se não houvesse diferença entre eles.

A multidão vai consumindo as distâncias e quando menos se espera já estamos cruzando a marca de 1Km… 2 Km… e assim sucessivamente.

A aplicação do plano de corrida

Se você traçou um plano de corrida, a avaliação de desempenho constante é um fator primordial. O corredor deve ficar sempre atento aos sinais que o corpo transmite, pois nunca se deve ir além do seu limite senão o corpo cobrará nessa ou em outras corridas.

E os alemães aplaudem, gritam e incentivam

Aprendemos durante toda nossa vida que os alemães são as pessoas mais sérias, sisudas do mundo. A Maratona mudou essa imagem.

A cada centímetro de rua estava tomada pela população que aplaudia-me,  acenavam, gritavam o nome do país quando identificado… brazzzil… fotos. Homens, mulheres, crianças, jovens, adultos, velhos… uma confraternização de nações e gente.

Foi reconfortante essa cena durante todo o trajeto. Cada corredor deve ter se sentido como a pessoa mais importante da Terra naquele mesmo mento.

Sangue de Corredor participou como se fosse a última Maratona. Por que cada Maratona é sempre a última, até a próxima.

Como foi a cada Km percorrido

Cada corredor tem seu método, desenvolvido e aplicado por um profissional de Educação Física.

Normalmente em uma Maratona, sempre se deve dividi-la em intervalos de quilômetros percorridos, no nosso caso, dividimos em intervalos de até 7Km. A cada 7 Km vencido procuramos avaliar as condições do corpo, como está a temperatura, as condições de hidratação, as condições físicas e musculares e as condições de queima de energia.

De maneira racional, nunca devemos ir além de nossos limites. O limite do corpo não é comparável ao limite do automóvel. No caso do automóvel, se ele quebra, bate ou ocorre qualquer outro sinistro, você sempre conhece um mecânico, um funileiro que você confia e de uma forma geral, rapidamente seu automóvel estará rodando de novo. Com o corpo não é bem assim. Muitos corredores acabam gerando lesões fortes porque se arriscaram além da velocidade permitida ou não fez as revisões de praxe ou não colocou o combustível necessário.

A chegada

Quem nunca se emocionou ou não chorou ao concluir uma corrida? Quem nunca pensou, naquele momento da chegada, a frase mais espetacular de motivação: o que eu estou fazendo aqui??!!

Essa pergunta funciona com um energético que te move para mais e mais longe.

E depois de percorrer 42 mil e 195 metros em 2 horas, 3 horas, 4 horas, 5 horas, 6 horas ou mais a emoção da chegada é única, mesmo que você tenha uma coleção de maratonas. A sensação do dever cumprido, de mais uma etapa ultrapassada, uma sensação de um poder bom porque a vitória foi sua, só dependeu de você.

A corrida é o único esporte solitário, porque mesmo você estando junto de milhares, você sempre estará só e vencer esse percurso não é para muitos. Poucos são os escolhidos, por isso tudo se transforma em êxtase, apesar do cansaço.

Receber a medalha

Missão cumprida, vou receber meu “louro”, meu troféu. Vou escrever a suor e sangue meu nome naquela corrida, não importando o tempo. O importante foi que você concluiu.

 

Recebimento da medalha

Missão cumprida

Nada mais gratificante quando sua medalha é colocada em seu pescoço. Mesmo que a medalha seja grande e pesada, naquele momento singular ela não pesa nada. Sabe porque ? Porque ela foi forjada com SANGUE DE CORREDOR!!!

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