O quanto a corrida ajuda e o que ela me deu – Parte II

E chegou o dia em que eu e minha esposa decidimos escolher qual corrida fazer. Já me sentia pronto para dar início ao meu batismo.

A corrida que escolhemos foi a 23ª Corrida dos Fuzileiros Navais que ocorreria no dia 23/05/2010, com a participação dos Fuzileiros Navais e Batalhões da Marinha, não poderiamos ter feito melhor escolha!

Inscrição feita, Meu Deus, que felicidade agora que iria correr minha primeira corrida de 5 Km…

A semana da corrida demorou muito a passar, era como se estivesse aguardando ansiosamente o “grande dia”. Contava nos dedos quantos dias ainda faltavam…

No sábado anterior ao “grande dia” fomos buscar o kit. A sensação que sentia era o mesmo que sente uma criança quando o pai convida para comprar um brinquedo há muito desejado.

Tudo era novidade! O barulho, o vai e vem de pessoas, as vozes, o cheiro, os estandes, os produtos… Mesmo aos meus 60 anos, me senti um menino…

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O coração apertava e batia aceleradamente. Depois de passar por todos os estandes voltei para um estande onde minha esposa já conhecia o casal de expositor! Comecei a escolher o short de corrida. Era como se estivesse escolhendo um estandarte precioso.

Short escolhido, a camiseta da corrida e o número de peito na mão, não me contive e tudo foi vestido e experimentado ali na hora…

Se você nunca se sentiu como um gladiador invencível, tudo bem, mas foi assim que me senti quando completei e admirei aquela armadura.

Quem iria me segurar a partir de agora ?

A corrida seria no domingo e o sábado demorou a passar… para comemorar essa nova ação, eu e minha esposa abrimos uma garrafa de vinho e degustamos com uma tabua de queijo e frios.

Ao lado da cama a armadura estava arrumada e completa: tênis, camiseta, número de peito, short e as meias. Devo ter arrumado mais de uma vez para certificar que tudo estava no lugar que deveriam estar.

Noite cruel! Sono leve, que a qualquer barulho por menor que fosse eu me levantava… devo ter ido pelo menos duas vezes no banheiro… e minha esposa dormia o sono dos justos e eu guerreiro de primeira batalha não consegui pregar os olhos.

A primeira corrida …

Finalmente amanheceu. O friozinho da manhã que sempre me incomodava naquele dia pareceu um orvalho. Tomamos nosso café e pegamos o carro a caminho do grande embate.

Estar na arena com todas aquelas pessoas indiferentes a hora e ao tempo, todas felizes como se estivessem em um lugar mais que especial, digamos assim, numa praia paradisíaca… aquelas expressões daqueles rostos todos, tomou conta de mim.

E a minha loucura foi extravasada de vez quando o locutor perguntou: quem está fazendo sua primeira corrida ? não me contive, pulei, gritei e urrei como um guerreiro que se preparava para sua primeira e decisiva batalha!!! EEEEEEEEEEEEEEUUUUUUUU!

A ansiedade aumentou quando o locutor nos chamou para fazer os alongamentos. Fiquei na minha fazendo flexões com os joelhos, timidamente.

Finalmente a largada foi dada e lá fui eu e minha esposa… ao cruzar o pórtico, como sempre faço, dei-lhe um beijo e desejei uma boa corrida.

E lá fomos nós…

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